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CASO RODRIGO CLARO

Permanência de Ledur no cargo manchará imagem do Corpo de Bombeiros, afirma mãe de Rodrigo Claro

Audiência com testemunhas de defesa da tenente Ledur Dechamps está marcada para esta segunda (15).

Jefferson Oliveira

Jornalista

15/04/2019 11h15 | Atualizada em 15/04/2019 16h18

Permanência de Ledur no cargo manchará imagem do Corpo de Bombeiros, afirma mãe de Rodrigo Claro

Chico Ferreira (GD)

Jane Patrícia Lima Claro, mãe de Rodrigo Claro, que foi morto durante um curso de formação de soldados do Corpo de Bombeiros em novembro de 2016 após treinamento, declarou na manhã desta segunda-feira (15) ao Circuito Mato Grosso, que se a tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps, for absolvida e continuar apta a usar a farda da instituição, como deliberou o Conselho de Justificação, a imagem da corporação 'ficará manchada'.

“Esperamos de fato que a justiça venha a acontecer, e mesmo a decisão que for tomada não trará a vida do Rodrigo de volta, mas a nossa principal intensão hoje, é que ela não cometa nenhum outro ato desse com jovens que tenham o sonho de entrar para a instituição, que hoje se encontra desacreditada,  principalmente após a decisão do Conselho de Justificação”, completou Jane.

A defesa de Izadora Ledur  alegou no processo administrativo que não houve qualquer ferimentos à moral, à ética ou à disciplina, apesar dos xingamentos proferidos por Ledur, classificados por alguns alunos como pressão psicológica.

O argumento foi aceito pelo Conselho de Justificação, formado pelo presidente, tenente-coronel Lahel Rodrigues da Silva, pelo interrogante e relator, major Mário Henrique Faro Ferreira, e pelo escrivão, capitão Donato Coelho de Almeida.

Izadora Ledur foi considerada culpada pela acusação de ter desferido golpes com nadadeiras em alguns alunos.

A mãe de Rodrigo ainda lamenta o ocorrido e diz que enquanto Ledur continua trabalhando, a vida da família do jovem morto continua parada, sem resposta e sem justiça.

“Até hoje nada aconteceu com essa mulher, ela continua trabalhando, continua vivendo a vida de uma maneira normal, enquanto as nossas vidas está parada, pela atitude covarde que ela teve, com ato brutal que ela cometeu contra o nosso Rodrigo”, disse ela.

Jane ainda postou em uma rede social que espera de Deus a sabedoria para enfrentar mais esse duro momento.

“que DEUS nos de sabedoria para enfrentar mais essa etapa, é que a Justiça seja feita”, diz parte da publicação, que ainda critica a decisão do Conselho de Justificação do Corpo de Bombeiros que atestou que a oficial está apta a atuar na instituição e que não cometeu crime.

“O Corpo de Bombeiros através de seus incompetentes oficiais e comandante Geral responsáveis pelo Concelho de Justificação deram a Ledur o aval para seguir torturando e matando”. (Veja abaixo a publicação da mãe de Rodrigo).

Audiência 

Está marcada para a tarde desta segunda-feira (15), no Fórum de Cuiabá-MT, a audiência de defesa da tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur de Souza Dechamps, acusada de participação da morte do aluno Rodrigo Patrício Lima Claro, 21, durante o 16º Curso de Formação de Soldado Bombeiro do estado de Mato Grosso. As oitivas acontecem após dois anos e cinco meses da morte de Rodrigo.

Já na terça-feira (16), a ouvida deve ser a tenente Izadora Ledur, que desde o ocorrido, buscou refúgio e silêncio perante a imprensa, e os advogados atuaram para proteger aimagem da oficial que está empenhando trabalhos administrativos na instituição, e ainda apta a concorrer a promoção de capitã dos bombeiros. 

A audiência foi marcada na 11ª Vara Criminal de Justiça Militar, e acontece mesmo após a defesa de Ledur tentar anular todas as investigações os depoimentos já prestados pelas testemunhas de acusação, na Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP).

O juiz Wladmir Perri, negou o pedido da defesa da oficial alegando que, “o Inquérito Policial é peça meramente informativa para propositura da ação penal, de modo que eventual irregularidade na fase inquisitorial não contamina o processo, nem enseja nulidade”.

Começa nesta segunda-feira audiência de defesa da oficial do Corpo de Bombeiros. 
A morte de Rodrigo

Dia 10 de novembro de 2016 e o cenário era a Lagoa Trevisan, em Cuiabá. Alunos realizavam treinamento do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso. Depois de sofrer uma sessão de tortura com caldos e humilhações, Rodrigo teria engolido muita água e vomitou bastante na beira do lago.

Ele alegou estar sentindo fortes dores na cabeça e pediu para ser liberado, indo por conta própria até a Policlínica do bairro Verdão, onde recebeu o primeiro atendimento e ali se notou que a situação do jovem era gravíssima.

O jovem Rodrigo morreu após cinco dias internado no Hospital Jardim Cuiabá, na capital. Ele deu entrada no hospital com aneurisma cerebral. O jovem já havia comunicado sua mãe sobre a conduta da oficial com ele. Rodrigo afirmara que ocorreram outros casos e que as sessões de afogamento eram comuns. Outros alunos que estiveram no curso confirmaram a perseguição da tenente com o então aluno.

Rodrigo, no dia da aula na Lagoa Trevisan, horas antes chegou a enviar uma mensagem no celular de sua mãe relatando que estava com medo da aula e de Izadora Ledur, que estava pressentindo que algo não acabaria bem naquela tarde. Desde então a família busca por justiça e luta pela condenação da tenente.

Postagem de Jane Claro na rede social

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