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'RIDICULARIZAÇÃO'

Victório Galli é condenado a indenizar comunidade LGBT em R$ 100 mil

Na decisão, a juíza Célia Vidotti alegou que o ex-deputado lesou valores fundamentais da sociedade como a dignidade da pessoa humana e a liberdade.

Sandra Carvalho

Editora

29/03/2019 09h50 | Atualizada em 29/03/2019 09h55

Victório Galli é condenado a indenizar comunidade LGBT em R$ 100 mil

Reprodução/Internet

O ex-deputado federal Victório Galli (PSL) deverá pagar R$ 100 mil à comunidade LGBT por danos morais coletivos. A decisão da juíza Célia Vidotti, da Vara de Ações Civil Pública e Popular, de quinta-feira (28), atende pedido da Defensoria Pública de Mato Grosso.



Para a Defensoria Pública, o então deputado, ao invés de atuar dentro dos propósitos de um parlamentar, restringia sua atuação da Câmara Federal a ‘inferiorização’ e ‘ridicularização’ da população LGBT.

 "O discurso de ódio pelos gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros sempre esteve presente em seus palanques”, alegou a Defensoria.

Ainda na denúncia a Defensoria Pública de Mato Grosso argumentou que Galli usava palavras que promoviam a injúria, ora atribuindo aos homossexuais traços nitidamente negativos, como a utilização de adjetivos como ‘veados’, ‘dois barbudos se casando’, ‘zoológico de gays’. 



Na decisão, a juíza Célia Vidotti alegou que o ex-deputado lesou valores fundamentais da sociedade como a dignidade da pessoa humana e a liberdade.

A magistrada entendeu que o ex-deputado federal proferiu discurso de ódio contra homossexuais por meio da imprensa e de redes sociais. Galli viralizou na internet ao afirmar que filmes da Disney incentivariam crianças ao homossexualismo. “O Rei Leão é outro filme que faz apologia ao gayzismo”, declarou à época.

“O que não pode ser tolerado são os abusos, as manifestações que ultrapassam o razoável. Assim, evidenciando o preconceito, a injúria, ou qualquer tipo de agressão, deve-se haver reprimenda para que tais atos não se repitam”, escreveu a juíza.

Os R$ 100 mil que deverão ser depositados em juízo por Victório Galli devem ser destinados a entidade que atue em Cuiabá e esteja regularmente constituída.

A entidade, que deverá ser indicada pelo Conselho Municipal de Atenção a Diversidade Sexual, não poderá ter fins lucrativos e deverá trabalhar no combate a violência e discriminação contra a comunidade LGBT.

Em sua defesa, Victório Galli alegou que tem o direito de emitir suas opiniões. “Eu tenho direito de dar opiniões, você está entendendo? Se é direito deles dar o que eles querem dar, porque eu não posso dar opinião?”, disse Galli à época. 

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