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CASO “SCHEIFER”

Militares são denunciados por homicídio triplamente qualificado

Segundo o Ministério Público, o tenente Carlos Scheifer foi atacado frontalmente e em posição de descanso

Juliana Alves

Jornalista

11/01/2019 15h56 | Atualizada em 11/01/2019 17h31

Militares são denunciados por homicídio triplamente qualificado

Reprodução/Internet

Foram denunciados pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) três policiais militares, identificados como Lucélio Gomes Jacinto, Joailton Lopes de Amorim e Werney Cavalcante Jovino, por homicídio triplamente qualificado. O crime aconteceu em maio de 2017 e teve como vítima o 2° Tenente da Polícia Militar Carlos Henrique Paschiotto Scheifer.

De acordo com o MPMT, os acusados pelo homicídio do tenente implicação na morte por  desvio de conduta em operação que causou a morte de um suspeito de roubo. Scheifer iria adotar medidas contra os policiais e essa pode ter sido a motivação do crime. O tenente foi morto no mesmo local e em dia em que foi realizada a operação.

O Ministério Público apontou que tudo começou com uma perseguição da viatura da polícia, cuja equipe estava sob o comando do tenente, a dois veículos conduzidos por suspeitos de roubo. Um dos carros tomou um rumo diferente e o outro perdeu o controle na estrada.

No dia seguinte, os policiais localizaram um dos veículos em um posto de combustível em Matupá (682 Km de Cuiabá) e o condutor, identificado com Agnailton Souza dos Santos,  foi preso.

Na denúncia, se tem a informação, obtida no interrogatório de Agnailton, de que a equipe de Scheifer realizou o cerco policial a um imóvel em Matupá e durante a ocorrência, um suspeito de roubo, que supostamente portava uma arma de fogo, tentou fugir do local e foi atingido por um disparo de fuzil efetuado pelo policial Lucélio Gomes Jacinto e acabou falecendo.

“Conforme restou apurado nos presentes autos, a lavratura do supracitado boletim de ocorrência foi objeto de divergências e até mesmo de desentendimento entre a vítima, TEN Scheifer, e o denunciado CB PM Lucélio Gomes Jacinto, pois, há fundadas suspeitas que fora inserida, no referido B.O, declaração falsa, com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, no que diz respeito às circunstâncias da morte do indivíduo Marconi Souza Santos”, descreveu o promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza.

Testemunhas relataram ter presenciado um desentendimento entre o tenente assassinado e sua equipe. Os policias denunciados se reuniram às portas fechadas para conversarem sobre o ocorrido.

No mesmo dia, o tenente Carlos Henrique Paschiotto Scheifer foi atingido por um disparo frontal na região abdominal, no mesmo local em que ocorreu o confronto entre os policiais e os suspeitos de roubo.

O Ministério Público apontou que os policiais suspeitos pela morte do tenente relataram que ele foi atingido por um suspeito não identificado, que estava no meio da mata. O laudo pericial comprovou que o projétil alojado no corpo de Scheifer saiu do fuzil portado pelo Cabo Lucélio Gomes Jacinto.

“Somente após a balística descortinar que o disparo que atingira mortalmente o TEN Scheifer ter saído da arma de fogo portada pelo denunciado CB PM Jacinto, que então mudando a versão de outrora, ele alegou ter se equivocado da pessoa do TEN Scheifer com a do suspeito”, afirmou o promotor de Justiça.

Segundo ele, nenhuma das versões apresentadas pelo autor dos disparos foi plausível. “A vítima foi atacada frontalmente (o denunciado afirmara que ela estava de costas) e, em posição de descanso (quando não há perigo pela frente), embora o acusado assevere que o ofendido se apresentava em posição de tiro “vietnamita” (uma forma de posição de ataque)”, sustentou.

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FONTE: Assessoria

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