PUBLICIDADE
DEPRESSIVA E INVÁLIDA

Tenente Ledur pode se aposentar por invalidez após um ano de atestados

Nas redes sociais, a mãe de Rodrigo se mostrou indignada com a decisão de uma possível aposentadoria da oficial

Jefferson Oliveira

Jornalista

18/06/2018 14h33 | Atualizada em 19/06/2018 07h33

Tenente Ledur pode se aposentar por invalidez após um ano de atestados

Reprodução

A tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur Dechamps, suspeita de ser responsável pela morte do aluno bombeiro, Rodrigo Claro, 21, durante o 16º curso de formação poderá se aposentar por invalidez. O pedido deverá ser considerado por conta dela ter apresentado durante um ano, em período contínuo, licenças para tratamento de saúde.

A decisão circulou na última sexta-feira (15), no Diário Oficial do Estado, e foi assinada pelo comandante geral da instituição, coronel Cesar Clauidiomiro Viana de Brum. “Determinar que a seção de Controle e Movimentação de Pessoal/NM-1, observe o prazo de agregação prescrito no Art 150, inciso III da Lei Complementar nº 555 de 29 de dezembro de 2014, para instrução do processo de reforma por invalidez, caso seja completado mais de 02 (dois) anos contínuos de agregação, observando os demais requisitos legais”, diz parte da portaria publicada.

O texto significa que se Ledur continuar apresentando atestados contínuos por um período superior a dois anos a mesma será desligada da instituição e será instaurado o processo por invalidez.

Depressão é peça de sua defesa

A tenente já apresentou "nove" atestados alegando problemas de saúde, por conta desses atestados, o Conselho de Justificação que julgará se a oficial pode ou não ser exonerada do Corpo de Bombeiros por conta da morte do aluno, fica paralisado. A defesa de Ledur alegou que a tenente tem passado por depressão e problemas psicológicos que a impossibilitam de voltar às atividades funcionais.

A tenente do Corpo de Bombeiros, mesmo afastada das atividades por conta dos atestados, continua recebendo o seu salário integralmente, hoje no valor de R$ 14.824,59.

Nas redes sociais, a mãe do aluno bombeiro, que faleceu durante o treinamento com Ledur,  Rodrigo Claro, mostrou-se indignada com a decisão de uma possível aposentadoria da oficial.

“Resta a vc fingir q está passando por uma depressão profunda e quem sabe conseguir com a ajuda de pessoas influentes futuramente uma aposentadoria mediante reserva remunerada. Fique sabendo q conseguimos ludibriar os homens, porém, a DEUS esse ninguém consegue trapacear”, diz parte de uma publicação realizada pela mãe de Rodrigo.

Ré em morte de aluno

Izadora configura como ré na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, suspeita de participar ativamente na morte de Rodrigo Claro que frequentava o 16º Curso de Formação de Soldados do Corpo de Bombeiros.

De acordo com a audiência realizada no dia 26 de janeiro que Ledur não compareceu, companheiros que participaram do curso com Rodrigo Claro, relataram as atrocidades praticadas pela oficial com o aluno no dia 10 de novembro de 2016, quando Claro passou mal e foi hospitalizado, vindo a morrer cinco dias depois.

Um dos depoentes relatou um verdadeiro cenário de filme de terror à Justiça.  Questionado sobre o que aconteceu durante essa volta, a testemunha disse que a tenente Ledur passou a dar caldos em Rodrigo.  Ele pedia insistentemente para a tenente parar os caldos, porém ela continuava.  Para não deixar Rodrigo morrer afogado, Maiuson mergulhava e subia novamente empurrando Rodrigo com a tenente em cima dele, para que a vítima pudesse respirar.

Outros três formandos do 16º curso de formação de soldado prestaram depoimentos e também reforçaram o perfil psicológico de praticar tortura da tenente Izadora Ledur.

A morte de Rodrigo

Dia 10 de novembro de 2016 e o cenário era a Lagoa Trevisan, em Cuiabá. Alunos realizavam treinamento do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso. Depois de sofrer uma sessão de tortura com caldos e humilhações, Rodrigo teria engolido muita água e vomitou bastante na beira do lago. Ele alegou estar sentindo fortes dores na cabeça e pediu para ser liberado, indo por conta própria até a Policlínica do bairro Verdão, onde recebeu o primeiro atendimento, e ali se notou que a situação do jovem era gravíssima.

O jovem Rodrigo morreu após cinco dias internado no Hospital Jardim Cuiabá, na capital. Ele deu entrada no hospital com aneurisma cerebral.

O jovem já havia comunicado sua mãe sobre a conduta da oficial com ele. Rodrigo afirmara que ocorreram outros casos e que as sessões de afogamento eram comuns. Outros alunos que estiveram no curso confirmaram a perseguição da tenente com o então aluno.

Rodrigo, no dia da aula na Lagoa Trevisan, horas antes chegou a enviar uma mensagem no celular de sua mãe relatando que estava com medo da aula e de Izadora Ledur, que estava pressentindo que algo não acabaria bem naquela tarde. Desde então a família busca por justiça e luta pela condenação da tenente.

Leia mais:

 

 

 

 

Comente, sua opinião é Importante!

PUBLICIDADE