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DENÚNCIA

Indígena vai responder processo por enterrar bisneta viva

Kutsamin Kamayura é acusada de homicídio duplamente qualificado por tentar asfixia-lá e com impossibilidade de defesa

Allan Pereira

Jornalista

14/06/2018 07h30 | Atualizada em 14/06/2018 09h38

Indígena vai responder processo por enterrar bisneta viva

Divulgação

A bisavó da recém-nascida indígena enterrada viva, Kutsamin Kamayura (57), se tornou réu por homícidio duplamente qualificado. O juiz Darwin de Souza Pontes, da Primeira Vara Criminal e Cível de Canarana (a 837 km de Cuiabá), recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE). A decisão foi dada nesta terça (12).

Agora, a defesa de Kutsamin terá 10 dias para responder à acusação por escrito, como manda o Código de Processo Penal.

O Ministério Público Estadual (MPE) apresentou a denúncia nesta segunda-feira (11). De acordo com a entidade, ao enterrar a recém-nascida, a indígena tentou matá-la asfixiada e com impossibilidade de defesa.

De acordo com o promotor Carlos Rubens de Freitas Oliveira Filho, a família não aceitava a gravidez da recém-nascida pelo fato dela ser mãe solteira. Testemunhas relataram ao MPE que a conduta criminosa foi premeditada e orquestrada semanas antes ao nascimento da criança.

“Após o nascimento de Analu, no período da tarde, colocaram em prática o plano criminoso. Ninguém da família pediu qualquer tipo de auxílio ou ajuda à Casa de Saúde Indígena, apesar de Maialla, após o parto, apresentar hemorragia e precisar ser atendida”, aponta.

Segundo a denúncia, uma índigena de  apenas 15 anos teria dado à luz por volta do meio-dia do dia 05 de maio. Ao sentir as contrações, ela foi ao banheiro sozinha e lá teve a criança, mas ela teria batido a cabeça no vaso sanitário, e isso teria ocasionado um sangramento.

Kutsamin, junto com sua filha (e avó da adolescente), teriam cortado o cordão umbilical e foram responsáveis pelo enterro.

Como a adolescente apresentou hemorragia a tarde toda, ela procurou assistência médica na Casa de Saúde do Índio (Casai). A enfermeira, quando soube do caso, logo comunicou a delegacia. Após passar sete horas enterrada, a criança foi salva pelas forças das polícias Civil e Militar. 

Kutsamin foi presa em flagrante por tentativa de homícidio. Na delegacia, a indigena explicou que enterrou a recém-nascida por acreditar que ela teria nascido morta. A investigação suspeita que a bisavó e a avó não queria uma criança de mãe solteira. Outra linha aponta que tentaram matar o bebê pelo fato do pai ser de outra etnia e não querer assumir a criança.

Nesta mesma semana, Darwin negou um pedido de revogação da prisão preventiva de Kutsamin. Mas permitiu que ela fique custeada em uma unidade de Fundação Nacional do Índio (Funai). O magistrado considerou que ela deve ficar afastada do contexto da investigação.

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