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GABINETE DO PAIAGUÁS

Em interrogatório, Silvio diz ter repassado R$ 600 mil de propina a Silval

Ex-chefe de gabinete nega ter se beneficiado com esquema de cobrança de propinas, investigado na Sodoma

Airton Marques

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Felipe Leonel

Repórter

17/07/2017 18h10 | Atualizada em 18/07/2017 07h41

Em interrogatório, Silvio diz ter repassado R$ 600 mil de propina a Silval

Alan Cosme/HiperNotícias

Braço direito do ex-governador Silval Barbosa, Silvio César Correa de Araújo, afirmou ter participado do esquema de cobrança de propinas aos empresários Willians Paulo Mischur (Consignum) e Júlio Tisuji (Webtech), para que continuassem tendo contratos de prestação de serviços ao Governo.

A confissão foi feita na tarde desta segunda-feira (17), durante reinterrogatório à juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital. Silvio é um dos réus da ação penal derivada da 2ª e 3ª fases da Operação Sodoma.

Durante seu interrogatório, o ex-chefe de Gabinete de Silval negou que tenha se beneficiado com parte da propina, mas disse que uma vez recebeu dinheiro do ex-secretário de Administração, Pedro Elias (delator), e repassou ao ex-governador, em um encontro no gabinete do Palácio Paiaguás.

Segundo o próprio Silval, em interrogatório nesta tarde, o montante era de R$ 600 mil, tendo o ex-governador ficado com R$ 500 mil e o ex-secretário com R$ 100 mil.

"Uma vez o governador me mandou buscar o dinheiro da Consignum com o Pedro Elias. Peguei e passei para o Silval", disse ele.

Silvio Araújo ainda negou ter conhecimento quanto ao recebimento de propina do empresário Júlio Tisuji, por parte de Silval.

Reunião

Silvio Araújo também confirmou ter participado de uma reunião entre o dono da Consignum, o empresário Willians Paulo Mischur, e o ex-secretário de Administração, César Zílio. Na reunião, de acordo com o réu, eles trataram sobre a cobrança de propina.

O ex-chefe de gabinete, no entanto, negou que tenha pressionado pelo aumento do valor da propina paga por Mischur.

"Eu só falei 'ok, tudo bem' e saí da reunião. Eles me mostraram uma planilha e eu acho que era para aumentar a propina. Eu acredito que o Cesar [Zílio] me chamou para dizer para o Willians que o governador [Silval Barbosa] sabia. Eles só diziam que dava para aumentar, mas eu não sei quanto".

Ameaça

Em seu depoimento, Silvio Araújo também negou que tenha ameaçado o ex-secretário de Estado da Casa Civil, Pedro Nadaf, quando disse que "delator tem que morrer".

"Eu só tive uma conversa com Nadaf. Eu estava na minha cela e ele estava lá e passou no noticiário que alguém estava fazendo delação, não lembro se era o Pedro Elias ou Cesar Zílio. E na cadeia se fala muito que quem faz delação tem que morrer e eu fiz esse comentário”, disse.

“Não acho que alguém que delata tem que morrer, fiz esse comentário, pois estava com raiva deles. Mas, foi um sentimento momentâneo, não sinto mais nada disso, estou arrependido desse comentário, foi um comentário muito idiota", pontuou.
 

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