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OPERAÇÃO SODOMA

Interrogatório de Silval é adiado para julho; expectativa é que ele confesse crimes

Interrogatório do ex-governador deve marcar novo posicionamento de sua defesa; ele garantiu que irá confessar

Valquiria Castil

Repórter

16/05/2017 15h48 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Foto: Ahmad Jarrah/CMT

A aguardada audiência em que o ex-governador Silval Barbosa (PSDB) será interrogado e, possivelmente, assumir sua participação em alguns pontos no esquema investigado na ação penal derivada da 4ª fase da Operação Sodoma, foi novamente remarcada. Prevista inicialmente para ser realizada nesta terça-feira (16), o interrogatório chegou a ser remarcado para a quarta-feira (17). No etanto, uma nova decisão adiou a audiência para o dia 5 de julho.

A decisão foi proferida na tarde desta terça-feira, pelo juiz Luiz Tadeu Rodrigues, da 2ª Vara Criminal, que atua em substituição a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, que está de licença médica.

Silval Barbosa está preso desde setembro de 2015 no Centro de Custódia da Capital. Na Sodoma 4, ele é acusado de comandar um esquema em que organização criminosa teria desviado pelo menos R$ 15,8 milhões dos cofres públicos, por meio de pagamento a desapropriação de um terreno do bairro Jardim Liberdade, na Capital.

Além de Silval, os interrogatórios dos outros 16 réus também foram remarcados e devem ser realizados entre os dias 3 e 10 de julho, no Fórum da Capital. 

A expectativa para a audiência com o ex-governador é alta, uma vez que ele já declarou que irá adotar uma nova postura: a de confessar os crimes cometidos. Silval, no entanto, negou que irá firmar acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Estadual (MPE), mesmo que os rumores sejam fortes nos bastidores jurídicos.

Em abril todas as testemunhas foram ouvidas, no entanto, a juíza Selma Arruda entrou em licença para tratar da saúde, o que interferiu no andamento das oitivas previstas para este no início deste mês.

Além de Silval, também serão ouvidos: o ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf; ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi; de Planejamento, Arnaldo Alves; o ex-procurador do Estado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o “Chico Lima”; o ex-chefe de gabinete de Silval, Silvio Araújo; o ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto; o advogado Levi Machado de Oliveira; o ex-presidente da Metamat, João Justino Paes de Barros; e os empresários Antônio Rodrigues Carvalho, Alan Malouf e Valdir Piran.

Adiamento

A decisão pelo adiamento das audiências foi proferida após o juiz Luiz Tadeu assumir a responsábilidade pela tramitação do processo, uma vez que o substituto direto da juíza Selma Arruda, o magistrado Jurandir Florêncio, da 14ª Vara Criminal, se declarar impedido de assumir o trâmite processual das ações penais derivadas da Operação Sodoma.

Nesta segunda-feira (15), Jurandir relatou que não poderia assumir tal responsábilidade, uma vez que é irmão do advogado Hugo Florêncio de Castilho, que atua na defesa do ex-presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Afonso Dalberto, um dos réus e delator da ação. 

Com a decisão, o magistrado anulou todos os atos que já havia tomado no âmbito do processo, como a audiência em que o procurador do Estado Alexandre Luis César, foi ouvido, no dia 5 de maio.

Sodoma 4

A 4ª fase da Operação Sodoma foi deflagrada no dia 26 de setembro, onde uma nova prisão preventiva contra Cursi foi decretada pela juíza titular da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Santos Arruda.

O foco da Operação Sodoma é o desvio de dinheiro público realizado através de uma das três desapropriações milionárias pagas pelo governo Silval Barbosa,  durante o ano de 2014. Os trabalhos de investigações iniciaram há mais de um ano.

O alvo das investigações nesta fase da Sodoma foi um esquema de cobrança de R$ 15,8 milhões envolvendo a desapropriação de uma área de 55 hectares situada no bairro Jardim Liberdade em Cuiabá que custou aos cofres públicos o valor aproximado de R$ 31 milhões. O imóvel estava avaliado em R$ 17,8 milhões.

Do total supostamente desviado, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) teria lucrado R$ 10 milhões e repassado o dinheiro a Piran por meio da empresa SF Assessoria, do empresário e delator Filinto Muller, como pagamento de uma dívida de campanha eleitoral.

Confira as novas datas dos interrogatórios:

Dia 3 de julho

- Afonso Dalberto

- Antônio Rodrigues Carvalho

Dia 4 de julho

- João Justino Paes de Barros

- Pedro Jamil Nadaf

Dia 5 de julho

- Silval da Cunha Barbosa

- Silvio Cézar Correa Araújo

Dia 6 de julho

- Alan Ayoub Malouf

- Levi Machado de Oliveira

Dia 7 de julho

- Francisco Gomes de Andrade Lima Filho

- Arnaldo Alves de Souza Neto

Dia 10 de julho

- Valdir Agostinho Piran

- Marcel Souza de Cursi

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