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EM BUENOS AIRES

Fenômeno das artes marciais se prepara para Olimpíadas da Juventude

O atleta Igor Queiroz, 16 anos, sagrou-se recentemente campeão pan-americano de wrestling, na categoria até 92 kg

Rodivaldo Ribeiro

Editor-adjunto

19/07/2018 07h30 | Atualizada em 18/07/2018 19h10 2 comentarios

O atleta Igor Queiroz, 16 anos, sagrou-se recentemente campeão pan-americano de wrestling, na categoria até 92 kg, em Santiago, no Chile, e agora vai representar o Brasil nos Jogos Olímpicos da Juventude em outubro, que neste ano acontecerá em Buenos Aires, Argentina. 

A vaga foi conquistada durante o Pan-Americano Cadet de Wrestling. Igor Queiroz ficou com o ouro na categoria até 92 kg do estilo greco-romano.

Para Igor, além da conquista pessoal, ser campeão pan-americano foi uma maneira de alegrar os brasileiros.

“Cumpri o objetivo, que era vencer o Pan-Americano e garantir a vaga para os Jogos Olímpicos da Juventude. Dedico essa medalha de ouro a todos os brasileiros que passaram e estão passando por um momento difícil. A população brasileira está precisando de atenção”, desabafou Igor. Ele derrotou na final o mexicano Alexander Mayorga por 8 a 2.

As lutas de wrestling nos Jogos Olímpicos da Juventude acontecem de 12 a 14 de outubro.

Cuiabano do Tijucal, Igor caminha na mão contrária de sua origem humilde, pois já correu o mundo apesar da pouca idade, indo a lugares tão díspares como Atenas, na Grécia, e Marrakesh, no Marrocos, além dos citados países sul-americanos.

É um artista marcial ainda em formação física, mas pronto no espírito e na força com que encara e derrota tudo (falta de dinheiro, cansaço, alimentação ainda não adequada a um atleta de ponta, distância até a academia aonde treina, desprovimento de uma equipe multidisciplinar para dar-lhe suporte adequado) ainda antes de pisar no tatame.

Ao destino reservado à maioria dos moradores das periferias brasileiras, como é o caso dele, sempre opôs golpes de judô, tae-kwon-do, jiu-jitsu e, ultimamente, luta greco-romana (para efeitos de competição, luta olímpica). Em todas essas modalidades, participa de campeonatos e, mesmo sem esquecer o velho ditado do importante é competir, tem por hábito mesmo é vencer.

Conta com mais de 50 medalhas conquistadas em uma carreira de menos de quatro anos. É um artista marcial de primeira, conhece e respeita todas as modalidades. Não importa se a origem é a Coreia, a Índia, o Japão, a Grécia e, eventualmente, até mesmo a Tailândia, pois ele já ganhou uma medalha de primeiro lugar numa competição de Muay Thai, ainda que jamais tenha recebido treino formal desse estilo.

“Me chamaram para competir. Eu falei: ‘mas é muay thai’. Meu amigo insistiu e disse: ‘tenta’. Eu fui”. Foi e voltou com o peso extra da medalha de campeão. Toda essa facilidade vai ajudá-lo no maior dos objetivos – enquanto não chegam as Olimpíadas de Tóquio 2020, por exemplo – chegar ao Ultimate Fight Championship, o hoje em dia famosíssimo UFC, maior e mais caro campeonato das chamadas Mixed Martial Arts (MMA).

Quando entrevistei Igor pela primeira vez, há dois anos, sua maior conquista havia sido o primeiro lugar da terceira etapa do Torneio da Juventude em Luta Olímpica Estilo Livre até 76 kg, em Natal (Rio Grande do Norte).

Era a primeira vez que Igor conseguia índice para participar das Olimpíadas da Juventude e já com um título de campeão no estilo wrestling. Muita coisa foi feita depois disso e Igor, como já dito, ganhou o mundo.

Desde então, jamais saiu da SBW (Seleção Brasileira de Wrestling) desde que participou de seu primeiro torneio internacional, na mesma Argentina, há menos de dois anos, em dezembro de 2016.

Eram tempos em que ele não tinha, sequer, sapatilhas especiais para competir em wrestling, pois as que ele comprara foram roubadas durante um assalto à mão armada na esquina da casa dele. Todo seu equipamento foi levado. Isso tudo um mês antes de ir participar do seu primeiro torneio internacional.

Pai herói

Morador de um bairro humilde, sabe desde cedo o valor de ter senso comunitário. E foi por saber chegar e sair que pôde contar com a solidariedade de um colega carioca, Gabriel Teles, que calçava o mesmo número que ele e, no intervalo entre uma luta e outra, emprestava a Igor suas sapatilhas.

Venceu cada etapa e ficou em primeiro lugar no estilo livre, o que o credenciou a participar da mesma competição em São Paulo, mas veio então o revés de sempre: a falta de recursos. Ele não pôde ir à maior cidade do país por falta de dinheiro para passagem e hospedagem.

Essa primeira vitória trouxe o prêmio adicional de um convite da Seleção Brasileira de Luta Olímpica para participar de treinamentos específicos e até mesmo para migrar para uma cidade maior, mais bem estruturada para a prática do estilo.

O pai, Pablo Queiroz, apoia cada passo do filho e procura orientá-lo conforme as coisas vão acontecendo. Era o momento de perguntar a Igor qual seria a decisão, deixando claro que apoiaria qual fosse o caminho a ser seguido.

A resposta foi clara e firme. “Quero me tornar um grande atleta no meu Estado, defender medalhas e títulos pela minha terra, que não tem tradição nessa modalidade”. O pai assentiu e recebeu promessas estatais de receber o apoio necessário para honrar a agenda esportiva conquistada. Algo que não foi feito, sob o risco de perder a atual colocação, de primeiro no ranking brasileiro de sua categoria.

Os resultados do menino lutador são fruto de trabalho duro, derivados de uma rotina pesada de treinos. Só para ter uma ideia: rala no jiu-jitsu todos os dias, durante quatro horas, mas antes, faz cross-fit, entre as 16h e 17h. Depois treina, auxilia no treino das crianças entre 18h30 e 19h30 e daí em diante luta com os adultos até as 20h30.

O pai também é praticante de jiu-jitsu e cedo percebeu a aptidão do filho para as artes marciais. Estranhou mas não criticou a escolha pelo tae-kwon-do, estudado por um ano. Depois desse período, Igor já queria migrar para a arte suave. “Mas eu expliquei a ele que, como havia escolhido aquela arte marcial, ele deveria primeiro fazer todo o ciclo do estilo, graduar-se, conseguir faixas, e só então começar a praticar outra, pra não deixar nenhuma das modalidades que viesse a escolher na metade do caminho”, conta o pai. Era o fim de 2014.

Primeiro sensei do filho, Pablo começou a lutar tarde, mas sempre esteve atento ao talento de sua cria. Com todo o apoio dado, começaram os resultados pouco tempo depois. Com um ano e meio de jiu-jitsu, Igor venceu oito competições em apenas uma temporada. Foi a partir daí que chegou à luta olímpica e à pré-convocação para a Olimpíada juvenil. Perguntado se a meta era chegar algum dia também ao índice para a Olimpíada adulta, responde na maior calma: “eu estou me dedicando desde já”.

Pablo Queiroz afirma que todo o esforço valeu a pena. Segundo ele, existem dificuldades em encontrar patrocínio ou apoios, mas as etapas estão sendo vencidas com suor e dedicação. “Os obstáculos são pequenos quando há amor naquilo que estamos fazendo”, disse Pablo.

Os interessados em contribuir com o segmento da carreira pode entrar em contato com Pablo ou com o próprio Igor. Para isso, basta enviar email para pablo_queiroz_@hotmail.com ou para igor.queiroz0123@hotmail.com.

2 COMENTÁRIOS

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  2. Parabéns pelas conquistas, que Deus continue te abençoando, muita força, Fé e foco.

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