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Protagonismo jovem dentro da escola pública de Mato Grosso

A rede estadual de educação, que está vivendo um momento de reestruturação física, também comemora o desempenho de estudantes que são destaque dentro e fora de Mato Grosso

Sandra Carvalho

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17/08/2017 07h20 | Atualizada em 17/08/2017 13h32

Protagonismo jovem dentro da escola pública de Mato Grosso

Reprodução/Internet

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) está executando o Pró-Escolas, maior programa de ações e investimentos da história da educação pública de Mato Grosso. Dividida nos eixos ensino, inovação, estrutura e esporte e lazer, a iniciativa prevê investimentos de R$ 360 milhões em estrutura escolar até o final de 2018. As ações envolvem a construção de 35 escolas novas, 15 Centros Integrados Escola-Comunidade (Ciecs), 20 quadras de esportes e a reforma de 70 unidades. No total, serão 140 novas obras, além da reforma de mais de 200 unidades escolares. O investimento em estrutura, de acordo com o secretário Marco Marrafon, integra um novo modelo de promoção da educação implantado pelo atual governo e que já colhe frutos. Jovens sendo protagonistas dentro da escola pública.

Rondonopolitana é ouro na Olimpíada Brasileira de Física

Rebeca de Souza Rodrigues

A estudante Rebeca de Souza Rodrigues, de 16 anos, aluna do 2º Ano do Ensino Médio da Escola Estadual André Maggi, de Rondonópolis, é um exemplo de protagonismo na escola pública.

Ela conquistou medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas. Ela recebeu a premiação durante uma cerimônia no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), na quinta-feira (10/08). Além de Rebeca, outros três estudantes da rede estadual de ensino receberam medalhas na competição.

A jovem conta que sempre teve aptidão para as disciplinas de exatas. Com a medalha no peito, ela lembrou que seus professores sempre a estimularam, especialmente quando surgiu a oportunidade de se inscrever na Olimpíada.

“Foi o professor Bosco [José Bosco Gonçalves dos Santos] que começou a minha preparação. Ele me deu aula no ano passado, quando passei da primeira fase. Preparamos uma estratégia e começamos a estudar uma hora a mais, depois das aulas. Eu estou bastante feliz com o resultado final, não esperava, já que é a minha primeira competição. Então, agora vou continuar estudando para seguir competindo e ajudando meus colegas que têm dúvidas com a matéria”, disse.

A Olimpíada Brasileira de Física (OBF) é um programa permanente da Sociedade Brasileira de Física (SBF) destinado a todos os estudantes do 8° ano do Ensino Fundamental ao 3° ano do Ensino Médio. As provas são divididas em níveis (I, II e III), sendo o nível I destinado ao 8° e 9° anos, o nível II, ao 1° e 2° anos do Ensino Médio e o nível III ao 3° ano.

As provas são realizadas em três fases, sendo a primeira na própria escola participante – com a nota alcançada, o aluno participa da fase estadual, e novamente alcançando nota participa da etapa nacional.

Além de Rebeca, de Rondonópolis, três alunos da Escola Estadual Waldemon Moraes Coelho, de Campo Verde, também foram medalhistas na competição: Rafael Paulino Rodrigues (prata) e Sinara Isaías de Oliveira e Irinel Vinchiguerra Júnior (bronze).

Estudante da Arena da Educação vence concurso de redação

Além de Natali, Karolina Teixeira, do 7º ano, e João Vitor da Silva Tavares, do 8º ano,
que também estudam Arena da Educação, foram finalistas da competição.

A Arena da Educação também já conta com a primeira campeã: a estudante Natali Paula Maciel, que venceu o 2º Concurso de Redação e Vídeo da Copa Verde, organizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A jovem ganhou uma viagem a Belém (PA), para conhecer a cidade e acompanhar a final da competição.

Natali, de 14 anos, é estudante do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Governador José Fragelli, a Arena da Educação, e venceu na categoria redação. Além do jogo, ela participará da fase cidadã do Fórum Mundial da Água, em março de 2018, em Brasília.

Além de Natali, Karolina Teixeira, do 7º ano, e João Vitor da Silva Tavares, do 8º ano, que também cursam o Ensino Fundamental na Arena da Educação, foram finalistas da competição.

Como a Copa Verde é a primeira competição “carbono zero” do futebol mundial, o tema da redação era sobre meio ambiente e sustentabilidade, e a jovem escolheu falar sobre a importância dos rios voadores para o equilíbrio do ecossistema da região.

Os rios voadores são “cursos de água atmosféricos”, formados por massas de ar carregadas de vapor de água. Essas correntes de ar invisíveis carregam umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Segundo a jovem, a preparação para a competição foi fundamental para a vitória e, por isso, ela incentiva outros alunos a seguirem esse exemplo. “Eu estudei muito sobre o assunto e fui apenas escrevendo. Isso me fez escrever bem e ganhar, então eu queria dizer que, se eu ganhei, todos também podem, basta estudar”.

O professor de língua portuguesa da escola, Flávio Castro, afirmou que está muito feliz com o desempenho dos jovens durante o evento e que continuará incentivando os alunos a se empenharem cada vez mais. “Estou muito feliz pela aluna Natali ter ganhado na categoria melhor redação em nível nacional. Foi merecido. É uma grande satisfação poder ter contribuído para o seu êxito”, disse.

Copa Verde

Além da viagem para a capital paraense e dos ingressos, incluindo acompanhante, Natali também ganhou uma camisa da Seleção Brasileira autografada.

O concurso contou com a participação de alunos de escolas públicas de Ensino Fundamental de Mato Grosso, Belém e Distrito Federal. A iniciativa é uma realização da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Secretarias Estaduais de Educação.

A Copa Verde foi idealizada como uma forma de desenvolver a consciência e valores ambientais por meio de ações que estimulam uma visão ecológica, como a reciclagem de materiais. O torneio contou com 18 times, escolhidos a partir do desempenho nos campeonatos estaduais e pela posição no ranking da CBF. Participaram equipes das regiões Norte e Centro-Oeste e do Estado do Espírito Santo.

Aluna da rede pública estadual participará de evento da ONU

A estudante Clara Santos Vaz, de 17 anos, da Escola Estadual Zélia da Costa Almeida, em Cuiabá, foi escolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para participar de uma conferência neste mês de agosto em Nova York (EUA) sobre os Direitos Humanos na perspectiva dos Jovens, a Youth for Human Rights. Pelo menos 50 jovens de diferentes países participarão do evento.

Clara é a idealizadora do projeto “Restaurando Vidas” cujo propósito é de despertar expectativas positivas em jovens pautadas em valores como respeito, liberdade, proatividade e solidariedade.

Sob a orientação do professor Yuri Chaya Piratinique e apoio da direção da escola, o projeto reúne semanalmente 13 alunos do 7º ao 9º anos para uma roda de conversa sobre a vivência escolar e familiar.

"Muitos problemas acontecem atualmente pela falta de atenção. Os seres humanos estão passando entre si sem ver o verdadeiro significado de viver", disse a jovem ao site O Livre.

Para ela, esse significado, em primeiro lugar, baseia-se na capacidade de acreditar no próprio sonho, ainda que dificuldades pelo caminho insistam em demonstrar o contrário.

"A partir daí, o legado positivo que podemos deixar vai sendo construído", frisou.

Bastante confiante, a estudante valeu-se de sua própria história e do interesse natural em observar o comportamento humano para conceber a iniciativa.

Natural de Porto Esperidião (a 358 km de Cuiabá), Clara contou que sempre carregou o desejo de ajudar o próximo e precisou deixar a cidade e a família para estudar em escolas que oferecessem mais possibilidades. Antes de vir para Cuiabá no início deste ano, morou com uma tia em Tangará da Serra (a 242 km de Cuiabá). 

A estudante contou que, nas dinâmicas, procura incentivar os colegas a fazer uma autorreflexão, porém, sem perder de vista o estímulo à adoção de uma postura ativa perante a sociedade.

"Por exemplo, conversamos sobre o que cada um quer para si. Um futuro melhor? Ok, mas o que você está fazendo para que isso aconteça? Eu realmente acredito que todos nós temos a capacidade de chegar onde quisermos. E a escola está aí para ajudar e não para atrapalhar que os objetivos sejam alcançados", disse.

Inspiração

A jovem contou que outra fonte de inspiração para o "Restaurando Vidas" foram os professores do Ensina Brasil que atuam na escola onde estuda. O Ensina é um programa em que profissionais de diferentes áreas, com perfil de liderança, lecionam em escolas públicas, geralmente por um período de dois anos.

A iniciativa chegou a Mato Grosso neste ano, trazida pela Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc). Atualmente, 35 profissionais do programa trabalham na rede estadual. O professor Yuri é um deles.

"Logo que vi o projeto da Clara percebi que havia potencial para ela o inscrever na conferência", relatou. Para a viagem, ele e a estudante receberam apoio da Seduc, que se responsabilizou pelo custeio das passagens, hospedagem e alimentação.

"É um projeto inovador e inédito no Brasil e parte da sua importância começa a aparecer em exemplos claros como o da Clara. Essa iniciativa tem todo o nosso apoio", afirmou o secretário de Educação, Esporte e Lazer de Mato Grosso, Marco Marrafon. 

A 14ª edição do Youth for Human Rights acontece entre os dias 24 e 26. Questionada sobre o que pensa em expressar quando for o seu momento de falar, a jovem, dividida entre o desejo de cursar medicina ou psicologia, enfatizou que o maior recado deve ser para si mesma.

"Não vou esquecer de onde vim, que sou uma menina do interior e que vai lutar pelas pessoas, no caso, aquelas que ficaram para trás, as que estão comigo agora e as que virão no futuro. Nunca vou deixar de batalhar por aquilo que acredito". (O Livre)

*Interessados em colaborar com o projeto da aluna Clara Santos Vaz podem contribuir financeiramente neste link.

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