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BANCO CENTRAL

Inflação abaixo da meta não é resultado de demora no corte dos juros

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando a inflação está alta, o BC aumenta os juros

11/01/2018 07h57 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Inflação abaixo da meta não é resultado de demora no corte dos juros

Alvaro Costa/TV Globo

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, negou nesta quarta-feira (10) que tenha havido atraso no processo de corte da taxa básica de juros, a Selic, e que isso tenha levado a inflação em 2017 a ficar abaixo do piso da meta.

Mais cedo nesta quarta, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, ficou em 2,95% no ano passado. Pelo sistema de metas, deveria ter ficado entre 3% e 6%.

Goldfajn foi obrigado a enviar ao ministro da Fazenda uma carta aberta para explicar as razões para o descumprimento da meta. No documento, ela afirma que isso ocorreu devido à queda no preços de alimentação no domicílio acima da esperada.

"Há uma crítica de que, se a inflação ficou baixa, poderia reduzir o juro mais cedo. Nossa visão é outra. Nossa atuação no começo [do ciclo de corte de juros] é que propiciou a inflação mais baixa", afirmou Goldfajn a jornalistas.

"Estou falando de expectativas. Isso reduziu preços de serviços. Nossa visão não é que houve atraso, mas aquilo é que permitiu a inflação ficar baixa", completou o presidente do Banco Central.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando a inflação está alta, o BC aumenta os juros, o que deixa o crédito mais caro e inibe o consumo, fazendo com que os preços baixem. Mas os juros altos também prejudicam a economia e geram desemprego.

Por conta crise econômica, porém, o consumo do país estava em queda nos últimos meses, o que permitiu ao Banco Central baixar a Selic.

Entre outubro de 2016 e o fim de 2017, a taxa recuou de 14,25% ao ano para 7% ao ano, a mínima histórica.

A inflação abaixo do mínimo fixado no sistema de metas de 2017 significaria, portanto, que o Banco Central poderia ter baixado os juros mais cedo.

Inflação vai subir em 2018

Segundo Goldfajn, porém, a inflação vai voltar a subir um pouco em 2018 e deve fechar o ano próxima da meta central de 4,5%. A última estimativa, considerando a trajetória da taxa básica de juros e da taxa de câmbio estimados pelo mercado, é de que o IPCA subirá para 4,2% neste ano fechado.

"O benéfico para a população de a inflação ficar na meta [próxima de 4,5% em 2018] é que isso está associado à retomada do crescimento, à volta do emprego, do poder de compra. O crescimento neste ano é maior. Se imagina 2,5% [de alta do PIB]", declarou.

Ilan Goldfajn observou que há analistas estimando um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de até 3% em 2018.

"A volta da inflação para a meta tem a ver com a volta do crescimento. É normal ter essa volta porque vem com o benefício do crescimento. Você só imagina a inflação voltando porque tem crescimento", acrescentou ele.

O presidente do BC afirmou, porém, que o objetivo da autoridade monetária é manter a inflação baixa.

"Para a população, a inflação caiu e é como perder peso. Nosso objetivo é manter o peso menor. Vamos comemorar a queda e vamos trabalhar para manter a inflação baixa", declarou.

Interpelado por jornalistas se o cenário do último relatório de inflação ainda está válido, o presidente do BC não disse que sim nem que não. "Vamos avaliar", se limitou a responder. Quando o relatório foi divulgado, no mês passado, analistas passsaram a projetar queda dos juros básicos, abaixo de 7% ao ano, em fevereiro. A inflação de dezembro, porém, surpreendeu, pois mostrou uma alta maior do que a estimada nos preços dos alimentos.

Dólar em 2018

Questionado se, em um cenário de maiores tensões nos mercados por conta da corrida eleitoral neste ano, o dólar não pode ter uma alta maior e pressionar a inflação, Goldfajn observou que o BC tem uma "posição confortável" de instrumentos para evitar essa alta, como os contratos de "swaps cambiais" – operações no mercado futuro.

Mas acrescentou que o regime de câmbio é flutuante no Brasil, com o dólar oscilando de acordo com as operações de compra e venda dos operadores do mercado financeiro.

"O câmbio não é um instrumento de controle da inflação. Deixou de ser há muito tempo. Não foi no ano passado e não vai ser neste ano. Para controlar a inflação, temos a taxa básica de juros, o instrumento principal", concluiu ele.

FONTE: G1

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