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"Transmitologismo João e Maria" é destaque da Casa do Parque

A exposição vai desta quinta (14) e permanecerá até 25 de junho, a entrada é franca

Luiz Marchetti

Colunista

14/04/2016 10h19 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

O MUTIRÃO



Vivenciar a exposição TRANSMITOLOGISMO JOÃO E MARIA é ver o performer  João Sebastião em busca de Ressignificação nas artes mato-grossenses. As ferramentas aqui são  meias pretas nas pernas e nos braços, e uma trouxa na cabeça. La vem a libertária negra equilibrando apelidos pela manha, lavando a sujeira social e fazendo amor com nossos soldados durante a noite. O mito ganha vida nas ruas e feiras de hoje e nas redes sociais. Na base teórica da comunicação um sinal somente ganha significado em termos de filtros ou contexto no qual se atua. Através da re-contextualização desta pioneira, na atualização desta figura popular podemos aprender a pensar de outro modo sobre os fatos hoje, levar outros fatores em consideração e abordar essas conquistas nas expressões artísticas contemporâneas.

 O artista JOÃO SEBASTIÃO era minucioso nos pincéis e na crítica. Abençoou a arte de rua com alguns painéis mas reclamava que não gostava das imagens que via de alguns grafiteiros. Respeitava a técnica mas lamentava a ausência de contexto histórico e a predominância do aleatório em algumas séries.  Se por um lado comemorava o novo significado que os grafiteiros imprimiam com seus filtros nas ruas que vivemos, por outro lamentava as referências, enaltecia a capacidade lúdica dos jovens artistas mas percebia que a elevação poética não nos conduzia para uma revelação merecedora de nossas paisagens.  A ressignificação  como elemento chave no processo criativo é a habilidade de situar a expressão artística num filtro útil e exemplar para os transeuntes. A escultura da lavadeira é capaz de causar a/tensão,  propiciar prazer visual e ao mesmo tempo alterar a escala de valores de nossa sociedade, revendo quem merece um pedestal na paisagem urbana. MARIA TAQUARA é empoderamento de mulheres, haitianos, negros e negras, gays, trans e todo tipo de marginal que rala honestamente na cidade e conquista dias melhores suando por respeito, diversidade sexual, problematizando as identidades visuais num período extremamente violento na capital. Andava pelas ruas de calças compridas uma mulher que lavava as roupas,  lençóis e  fronhas da então moralista família tradicional cuiabana. João Sebastião, ao empoderar a Maria Taquara neste mutirão artístico, reescreve a trama da sociabilidade local com valores fundamentais. Percebeu o que era preciso na nossa indústria criativa, no diálogo com os grafiteiros e decidiu falar com todos nós. Sua passagem durante este tempo de realização nos deixou, além de infinita saudade, uma força de inventar o que queremos ver aqui e agora na arquitetura urbana.



Ele nos ensinou a tomar iniciativa e independermos das ondas culturais, porque conversava com a história de Mato Grosso olhando por uma lente autoral desprendido de partidos políticos. Suas onças não tinham rabos presos, é por isso que elas correm soltas pelas paredes desta capital por todos os lares, dos alunos aos professores, dos juízes aos ladrões. As pintadas brigam por água de bica, por cajus carnudos e pela correção de heróis na representatividade de nosso povo. 
Um rua com esse nome? 
Esse não.

Ela sim. A lavadeira que usou calças compridas em tempos de saias com virgindade, falsidade católica e  muito machismo. É, essa merece. Neste tempo em que a estátua da lavadeira começa a virar lixo, o artista berra atenção. Essa,  sim, representa o bem comum, o tema da música, de praça e de exposição de arte no bairro chique da capital. Assim, A CASA DO PARQUE, num compromisso com o artista ‘in memoriam’, segue na risca o que ele queria na data e com os participantes que o responderam. Outra beleza deste grande encontro é a capacidade de agregação para pedir limpeza, revitalização de uma praça e elevação do pedestal da ESCULTURA de outro artista: HAROLDO TENUTA. Ele é o autor da MARIA TAQUARA no centro de Cuiabá. É fundamental que a Prefeitura, que o Governo e os lideres respondam a este mutirão. No ateliê de João Sebastião os artistas entregaram músicas, poemas, telas, obras vibrantes, com interpretações distintas em expressões totalmente diferentes. Os artistas  Juraci Masiero Pozzobon, Rayra Freitas, Rimaro Vital, Thais Lino Costa, Ivana De Souza, Mari Gemma De La Cruz, Salete Luenenberg, Nilson Pimenta, Patrícia Wolf, Vitória Basaia, Maria Beatriz Perfeito, Aluízio de Azevedo, Henrique Magalhães, Javier Porporatto, Gonçalo Arruda, Aleixo Cortez, Wander Mello, Emanuelle Calgaro, Areuter, Ruth Albernaz, Heleninha Botelho, Elieth Gripp, Télio Fernandes, Gervane de Paula, Janiane Walkiria, Adriano Figueiredo, Samara Yukali Ferreira, Sabata Miyoko Ferreira, Pedro Guilherme, Valques Rodrigues da Costa, Cecílio Vera, Lúcio Larangeira, Adriana Milano, June Fontenelle, Benedito Nunes, Rosylene Pinto, Airton Reis, Regina Ortega Calazans, Alair Fogaça, Dogan, Altair dos Santos, Fábio Motta, Henrique Santian, Raí Reis, Aclyse Mattos, Airton Reis, Amanda Alvez Bonfim, Antonio Pacheco, Cigarra Chan, Janete Manacá, Leôncio Paulo Barthalo, Maria Ligia Caviglioni, Mirian Marclay, Regina Pena, Ruy Ribeiro, Sonia Palma, Tiana De Souza, Geraldo Espindola e Silvana Lobo interpretaram com liberdade a história  da lavadeira e suas
expressões que podem ser conferidas na exposição "TRANSMITOLOGISMO JOÃO E MARIA" na Galeria da Casa do Parque.  

Serviço:

A abertura será nesta quinta, 14 de abril, às 19h e a exposição permanecerá até 25 de junho. ENTRADA FRANCA.   INFO: (65) 3365 4789 e 8116 8083

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