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DIA NACIONAL

O samba é mais que obra prima ou filosofia; o samba merece respeito

O Samba Merece Respeito, composto por Ronaldinho Craque de Samba, Vander Carvalho e Luiz Carlos, é um verdadeiro hino em homenagem ao ritmo mais popular do Brasil

Sandra Carvalho

Editora

02/12/2019 16h43 | Atualizada em 03/12/2019 06h42

O samba é mais que obra prima ou filosofia; o samba merece respeito

Divulgação

Nosso samba merece respeito / É mais do que obra prima ou filosofia / Emoção pra valer / O samba é alegria, amor e poesia / e embala o povo a sonhar / Sempre a sonhar. Este samba cantado em todos os cantos do Brasil, de autoria de Ronaldinho Craque de Samba, Vander Carvalho e Luiz Carlos, é um verdadeiro hino em homenagem ao samba, ritmo que é a cara do Brasil. Dois de dezembro, Dia Nacional do Samba.



Carioca erradicado em São Paulo, Vander Carvalho foi introduzido no samba por amigos e logo chegou ao Cacique de Ramos, berço do Fundo de Quintal. Em parceria com Ronaldinho, o Craque de Samba, e Luiz Carlos,compôs “O Samba Merece Respeito”, uma das músicas mais tocadas do país. Em novembro passado, lançou seu CD “Quem Anda com Deus Amém” e segue compondo, cantando e enaltecendo o samba. Chamado de poeta por seus sambas suaves e românticos, Vander passeia do partido alto ao samba enredo. “Sou sambista!”, define ele, que respira samba..

Sambista carioca, André do Banjo

André do Banjo, carioca, começou no samba por volta dos 10 anos quando ganhou um cavaco de presente da sua avó. De lá para cá não parou mais. “Tenho um grande respeito pelo samba e por todos os sambistas. É maravilhoso ver as pessoas cantando, batendo na palma da mão, sentindo essa energia boa, que é um verdadeiro estado de liberdade, de expressão, de felicidade. O samba é um ritmo único, que vem de dentro pra fora e que dá alegria para a nossa nação”.

Cuiabana com ancestralidade indígena, a sambista Dora Rosa, que vive no Rio de Janeiro, também rende homenagens neste Dia Mundial do Samba. “O Samba acometeu meu coração,  minha alma e meus ouvidos em 2013 aflorando toda memória afetiva que já tinha com o ritmo quando pequena e desde então decidi que minha voz iria cruzar os mares os ares e chão levando meu canto para qualquer canto”.



Cantora e compositora Dora Rosa em apresentação no Rio de Janeiro

Por falar em mulher sambista, cresce o movimento das mulheres na roda de samba não só no Brasil, como já ganha adeptas em outros países. Em novembro passado aconteceu o 2º Encontro Nacional das Mulheres na Roda de Samba, projeto idealizado pela cantora carioca Dorina. Foram 28 rodas ocorrendo simultaneamente.

O projeto nasceu da necessidade das mulheres se falarem por meio da cultura, do samba, que é uma resistência, que é uma colocação de vida. Nasceu da necessidade das mulheres estarem juntas e conquistando o espaço que antes era só do homem como arranjador, compositor, instrumentista, cantor, produtor, como diretor”.

Encontro Nacional das Mulheres na Roda de Samba 2019 em Cuiabá

O ritmo surgiu da mistura de estilos musicais de origem africana e brasileira, é originalmente tocado com instrumentos de percussão e acompanhado por violão e cavaquinho. As letras de sambas contam a vida e o cotidiano de quem mora nas cidades, com destaque para as populações pobres.

As raízes do samba foram fincadas em solo brasileiro na época do Brasil Colonial, com a chegada da mão de obra escrava em nosso país.

Baiano gravou o primeiro samba, em 1917, Pelo Telefone

O primeiro samba gravado no Brasil foi Pelo Telefone, em janeiro de 1917, cantado por Baiano. A letra deste samba foi uma composição coletiva com a participação de João da Baiana, Pixinguinha, Donga e outros músicos que frequentavam a casa da Tia Ciata, no Rio de Janeiro. Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos) havia registrado, na Biblioteca Nacional do Brasil, a letra deste samba em 27 de novembro de 1916.

Tempos depois, o samba toma as ruas e espalha-se pelos carnavais do Brasil. Neste período, os principais sambistas eram Sinhô Ismael Silva e Heitor dos Prazeres.

Na década de 1930, as estações de rádio, em plena difusão pelo Brasil, passaram a tocar os sambas para os lares. Os grandes sambistas e compositores desta época são Noel Rosa autor de Conversa de Botequim; Cartola de As Rosas Não Falam; Dorival Caymmi de O Que É Que a Baiana Tem?; Ary Barroso, de Aquarela do Brasil; e Adoniran Barbosa, de Trem das Onze

Na década de 1970 e 1980, começa a surgir uma nova geração de sambistas como Paulinho da Viola, Jorge Aragão, João Nogueira, Beth Carvalho, Elza Soares, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Chico Buarque, João Bosco e Aldir Blanc.

Outros importantes sambistas de todos os tempos: Pixinguinha, Ataulfo Alves, Carmen Miranda (sucesso no Brasil e nos EUA), Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho, Lupicínio Rodrigues, Aracy de Almeida, Demônios da Garoa, Isaura Garcia, Candeia, Elis Regina, Nelson Sargento, Clara Nunes, Wilson Moreira, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e Lamartine Babo. 

Muitos outros sambistas e grupos de samba foram surgindo de lá para cá. São nomes como Beth Carvalho, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal e mais recentemente a nova geração do samba vem se destacando.

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