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RAÍZES AFRO

Catálogo culinário quilombola em destaque

Projeto Afro Paladar - Nutrindo Cultura reúne também histórias de povos quilombolas

José Lucas Salvani

Jornalista

09/08/2018 07h30 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00 5 comentarios

Catálogo culinário quilombola em destaque

Luzo Reis/Divulgação

"O Afro Paladar é um evento para valorizar as raízes do nosso estado e reafirmar as origens das pessoas que criaram o povo mato-grossense”, explica Jackeline Silva sobre o projeto que será lançado nesta sexta-feira (10) no Sesc Casa do Artesão. O catálogo Afro Paladar - Nutrindo Cultura traz várias receitas dos povos quilombolas mato-grossenses e suas histórias. O evento também contará com apresentações e palestras do chef baiano Alicio Charoth.

“A nossa tradição, a nossa formação enquanto sociedade – o povo cuiabano, o povo mato-grossense –, ela tem a sua raiz indígena e quilombola, descendentes de africanos escravizados aqui no estado. Tanto que hoje o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha também leva o nome de Tereza de Benguela, que já foi rainha aqui em Mato Grosso, somando tudo isso é que o Afro Paladar começou a se constituir”, complementa Jackline.

Jackeline Silva, idealizadora do projeto e membro do Instituto de Mulheres Negras, conta em entrevista ao Circuito Mato Grosso que antes mesmo de tocar o Afro Paladar, já tinha contato com a culinária quilombola. “Eu já tinha um pouco mais de proximidade por conta da minha vivência com o movimento negro. Sempre que possível, eu realizo visitas nas comunidades quilombolas”, conta.

Engajada na cultura negra, Jackeline pôde participar de várias festas de santo, em que a culinária local reina. Assim, a produtora cultural decidiu criar um projeto que fortalecesse justamente a culinária e as suas peculiaridades. O projeto foi movido pela vontade de enaltecer a culinária mato-grossense em meio ao processo de gourmetização e releituras gastronômicas, além da ascensão do slow food.

Nas festas de santo, Jackeline percebeu o quanto a comunidade se movimenta como uma só para proporcionar os pratos típicos. “Todas as vezes que eu estive em Vila Bela, algumas por ocasião da festança, eu visualizava os mutirões, as mulheres preparando os biscoitos de ramos; as formas como os povos preparam o peixe”, explica.

“O que a gente vê é uma união familiar. As pessoas se reúnem e coordenam de forma coletiva toda a preparação do alimento. Existem as famílias, existem os amigos, os vizinhos; toda a comunidade se envolve em torno daquilo, para ofertar ao outro o que você tem de melhor ali na sua casa ou para o santo, ali nas festas de santo”, conta Jackeline.

Jackeline ainda fala sobre a Dona Natália, da Comunidade Abolição, na região de Santo Antônio de Leverger, que estará no catálogo. Para Dona Natália, se ela teve um bom plantio e, para esse plantio, ela contou com a ajuda das pessoas, por que não retribuir sem cobrar nada?

Os pratos presentes no catálogo estão presentes no dia a dia de qualquer mato-grossense, como os tradicionais bolos de arroz. Porém, em cada comunidade há pequenas peculiaridades em seu preparo. “Quando nós visitamos a Dona Tata, na Comunidade de Abolição, ela estava preparando bolo de arroz para a Festa de São Benedito. Ela ainda pila o arroz para fazer, deixa o arroz de molho de um dia para o outro, para poder preparar o seu bolo de arroz”, conta.

Há também Nezinho, em Mata Cavalo de Cima, que consome o arroz que ele mesmo planta. Já Dona Vanildes, da Comunidade Lagoinha de Cima, faz frango com a raiz da taioba, sendo um sucesso entre os familiares.

O projeto foi concebido em 2016 e por conta do edital Tradições, da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso, quando a proposta recebeu os recursos necessários para a produção do catálogo. Entretanto, somente em dezembro do ano seguinte Jackeline e sua equipe puderam ir a campo, pois estavam com os recursos em mãos de fato.

Inicialmente, o Afro Paladar reuniria somente as receitas quilombolas. As visitas às comunidades seriam unicamente com propósito gastronômico, no entanto, assim que estabelecido o diálogo com os povos, as pessoas começaram a relatar seu dia a dia e histórias. Jackeline então viu a oportunidade em agregar essas narrativas ao projeto. “Eu resolvi dar essa ênfase, valorizar esse elemento humano. Valorizar o povo quilombola”, explica.

O catálogo estava previsto para conter somente 60 páginas, priorizando as fotografias e receitas. As 60 páginas se tornaram 144 páginas, contendo então as histórias dos povos quilombolas, mas somente 88 delas entraram para o catálogo. Mas Jackeline alerta que há planos para tornar o catálogo um livro, com todas as 144 páginas, porém precisa de patrocinadores.

Jackeline Silva contou com alguns parceiros que a auxiliaram nesta jornada: Luzo Reis, que já é engajado com projetos envolvendo as comunidades haitianas em Cuiabá; Juliana Segóvia, membro do Coletivo Audiovisual Negro Quariterê; Mario Friedlander, que tem uma grande experiência com a comunidade de Vila Bela da Santíssima Trindade; e, por fim, Alicio Charoth, chefe baiano e consultor de gastronomia com experiência com a culinária quilombola.

A logística para estabelecer contato com as nove comunidades quilombolas visitadas foi um tanto quanto complicada. Jackeline conta que precisou de ajuda de alguns facilitadores, como Antonieta Luisa Costa, presidente do Imune. Algumas visitas não puderam ser realizadas por conta da época em que elas poderiam ser feitas.

Lançamento

O lançamento do catálogo Afro Paladar - Nutrindo Cultura será nesta sexta-feira no Sesc Casa do Artesão, que agora está em novo endereço, Avenida Tenente-coronel Duarte, 2140. No lançamento, algumas cópias do catálogo serão distribuídas gratuitamente e as demais nas próprias comunidades quilombolas visitadas. Também será possível fazer o download de sua versão digital.

Entre 16h e 19h, acontece palestra prévia ao lançamento com o chef Alicio Charoth e Jackeline Silva — para participar, é preciso se inscrever .

O lançamento acontece às 19h, com as apresentações de Herminio Nhantumbo, moçambicano que se apresenta com o instrumento africano timbila, da rapper Pacha Ana e seu novo trabalho “Omu Oyá”, além do Grupo Aguerê.

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