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CULTURA EM CIRCUITO

APOSTAS 2018: Como pensar Cuiabá 300 anos

A primeira coluna do Cultura em Circuito de 2018 está imperdível. Novidades sobre as apostas culturais para este ano, além de toda a programação para você aproveitar

06/02/2018 11h00 | Atualizada em 06/02/2018 11h07

APOSTAS 2018: Como pensar Cuiabá 300 anos

Reprodução

APOSTAS 2018

COMO PENSAR CUIABÁ 300 ANOS, e CONSIDERAR QUEM VEM POR AÍ

Talvez eles nem se conheçam. Pertencem a diferentes coletivos artísticos, distintos grupos de amigos e não necessariamente frequentam os mesmos ambientes no final de semana. Um fotógrafo, uma atriz e dramaturga, e um poeta. Jovens que chamam atenção pela dedicação em profissões artísticas, instáveis no mercado em qualquer parte do mundo e em Mato Grosso são ainda mais inconstantes, pela oscilação de nossa Indústria Criativa e o paupérrimo incentivo de nossos líderes nestes segmentos. Competência, percepção aguçada e fidelidade ao trabalho autoral levantam Rodolfo, Talita e Renan como apostas do ano que se inicia. Você merece conhecer as pesquisas, acompanhar os projetos e as realizações destes artistas.

Rodolfo 

Rodolfo Luiz de Oliveira, 22 anos, cuiabano criado entre o Tijucal e o CPA. Vive com a câmera embaixo do braço e registra os momentos ordinários do dia a dia, seja com amigos ou desconhecidos na cidade. Acredita que há beleza em tudo e todos os momentos. “Quando comecei a fotografar, eu não era tão ligado a outros fotógrafos, então eu não possuía uma referência na área, porém tudo que eu já tinha vivido até os meus 17 anos influenciou muito no meu modo de admirar as situações do cotidiano. A troca de realidades que tive na infância e juventude apurou meu olhar para as coisas "banais" que muitos não olham. Hoje, a minha referência é a minha família e artistas como Annie Leibovitz, Camila Cornelsen, Deana Lawson, Chico Albuquerque, entre outros”. Todas as fotos na capa do CULTURA EM CIRCUITO, nesta primeira edição do ano, foram inclusive realizadas pelo jovem fotógrafo, em 2017 Rodolfo foi premiado em 2º Lugar na categoria profissional "Retrato" pela Maratona Fotográfica. Neste ano com o artista visual André Gorayeb prepara um projeto, com intervenções artísticas no retrato. Um olho na câmera, outro nos salões de arte, parcerias, exposições e novos planos fotográficos.

 

Talita 

Talita Figueiredo, 33 anos, é cuiabana, professora de português e atriz. Sua formação artística teve início em 2001, no núcleo de teatro do IFMT, Pessoal do Ânima. Desde então, participou de dezenas de produções, entre espetáculos teatrais, performances e curtas-metragens, como atriz, diretora, dramaturga e produtora cultural. É aprendiz do curso de Dramaturgia da MT Escola de Teatro. Em 2004, fundou o grupo Confraria dos Atores, com o qual apresentou peças como Re-trato Boca de Ouro e Rusga, apresentadas em mostras de artes cênicas como Festival Internacional de Teatro de Curitiba, Mostra Sesc Cariri de Culturas, Festival Amazônia das Artes, Festival de Teatro de Mato Grosso, Festival de Teatro de Cuiabá, Mostra Guaná – Aldeia Sesc de Arte e Cultura, entre outros. Em 2017, tornou-se integrante da Solta Cia de Teatro e estreou Carne – Uma narrativa sobre a memória. Como integrante da Solta, participa da plataforma O Levante, um coletivo de artistas mato-grossenses formado pelos grupos Solta Cia de Teatro, Grupo Tibanaré, Theatro Fúria e Cia Thereza Helena, cujas marcas de produção são desenvolvimento continuado de pesquisas de cunho autoral que reverberam os impactos sociais vivenciados na contemporaneidade. Além da plataforma O Levante, faz parte do coletivo Parágrafo Cerrado, dedicado à publicação de leituras de cena sobre trabalhos cênicos e de um recém-criado grupo de dramaturgos de Cuiabá. Possui mestrado em Estudos de Linguagens (UFMT-2016), licenciatura em Letras (UFMT-2013) e bacharelado em Comunicação Social (UFMT-2006). “Em 2018, planejo entrar em temporada com a peça Arte Barata, meu primeiro texto autoral. Com a Solta Cia de Teatro, pretendo circular por festivais e mostras com a peça Carne – Uma narrativa sobre a memória, além de desenvolver oficinas e criar um novo trabalho performativo. Aprofundando no campo da dramaturgia, tenho planos de escrever uma peça infantil e de colaborar com o debate entre escritores por meio de um recém-criado grupo de dramaturgos de Cuiabá que se reunirá para compartilhar trabalhos e discutir acerca da escrita autoral para teatro. Com O Levante, cujo lema é “Ocupar, (R)Existir, Produzir” planejo ações de difusão dos trabalhos das companhias integrantes e abertura de um diálogo maior com artistas do interior do estado. Espero assistir muito teatro mato-grossense em 2018.

Renan

RENAN FERREIRA, 19 anos, poeta várzea-grandense criado no bairro Nova Esperança, reside no Parque do Lago, região periférica da cidade. Tem por referência: Manoel de Barros, Gregório de Matos, Mário de Andrade, entre outros.

Quanto ao universo da música, menciona compositores como: Gilberto Gil e Zé Ramalho, é aficionado pelos anos 70 e sente saudades do que nem viveu. Na capital participou como slammer do "SCXCBA - Slam do Capim Xeroso"- Batalha de Poesia que muito promovemos aqui no Cultura em Circuito. Para 2018, Renan batalha pela publicação de seu primeiro livro, "O Ponto Depois da Margem", que reúne um conjunto de experiências, propondo a manifestação escrita enquanto vivência. Definido pelo próprio autor como "Um não-diário, que é o todo em seus pontos concretos".  Pretende cursar Letras (se sua transferência interna na UF der certo) e instrumentar seus versos, pois logo na primeira semana do ano iniciou um curso de violão.Toma aí uma dose de Renan:

 

"A noite,

num clarão

que me contava.

 

Travadas são,

batalhas

em silêncio.

 

Vislumbre da lua é uma fonte.

 

Cada verso, de mim, é uma parte.

Na amplitude, todo gesto é o que se deve.

 

Aprumado rumo

quando – em amor – se vive.

A paz, aos olhos, paira leve.

 

Poesia é o que bebo."

Projeto Boca Musical

O Instituto Boca de Artes, através do Projeto Boca Musical, está com as inscrições abertas para novos alunos nas modalidades de violino, viola clássica e violoncelo. Os interessados deverão preencher a ficha de inscrição disponível no link https://goo.gl/forms/5xRh2G4JkA8jVham1 e realizar o investimento mensal de 90 reais, a matrícula custa 50 reais utilizados para a aquisição dos materiais pedagógicos utilizados durante o curso. As inscrições seguem até 2 de fevereiro. As aulas acontecerão no Espaço Cultural Casa Cuiabana. Atenção: é necessário que o aluno tenha o próprio instrumento. INFO: (65) 99235 4295

LARISSA CANTA CÁssia Eller

A Casa do parque convida a todos para neste sábado 3 de fevereiro soltarem a voz com canções que marcaram a carreira de Cássia Rejane Eller. A cantora Larissa Padilha preparou este Tributo com uma pegada animada que vai esquentar o seu final de semana. Você está convidado, às 20h, na Casa do Parque. INFO: (65) 3365 4789 e 98116 8083

ENTRE NÓS

O duo Estela Ceregatti e Jhon Stuart convida para um show intimista, o repertório são releituras de grandes obras de compositores brasileiros. O show ENTRE NÓS será no Espaço Magnólia com duas sessões na sexta 2 de fevereiro, às 20h e às 21h. Convite: 20 reais. Por ser um show com apenas 20 lugares por sessão, os músicos sugerem compras antecipadas. INFO: (65)99998 6888

O PIRATA E DEUS

Como encenar dois corpos em um? Além de ajuntamento físico, é fundamental muita harmonia para se movimentar e tocar adiante a performance teatral. A peça “O Pirata e Deus” foi escrita e dirigida por Péricles Anarkos, com Carolina Argenta e o próprio Péricles atuando. A obra, que comemora 20 anos do Theatro Fúria, inova também por ser bilíngue. Na Sala Anderson Flores, segundo andar do Cine Teatro Cuiabá, nos dias 2 e 3 de fevereiro, sempre às 20h. Os ingressos custam 20 reais e 10 reais (meia). A classificação é 10 anos.

Um ROLACIONAMENTO quase perfeito

O casal Laurenço e Nicolina convida você para rir das implicâncias da convivência, assuntos atuais com humor cuiabano, um policial e um médico cubano. Lioniê Vitório e J. Astrevo, intérpretes das personagens Nico e Lau, estão oferecendo apenas uma noite de rolacionamento neste sábado 3 de fevereiro às 20h no Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros. Ingressos antecipados: 40 reais e 20 reais (meia). Classificação: 12 anos. INFO: (65) 3627 1244 E 99975 5513.

Bloco Divas Cuiabanas

Pra quem curte o Carnaval de Cuiabá sugiro os blocos de rua! Pra ferver num rolê bem descontraído, tem a estreia do Bloco Divas Cuiabanas, na diretoria temos Zé Augusto e Katumba. O Bloco sai na terça-feira de carnaval com concentração às 15h na Praça Santos Dumont, dali o Divas desce pelo Centro Histórico indo até a Praça da Mandioca. El'Ohara Maimoney é  a Rainha do Bloco! Os abadás são 30 reais ou 2 por 50 reais. INFO: (65) 99621 2663

Firme e forte: apostas 2017

O caderno de Cultura do CIRCUITO MATO GROSSO promoveu centenas de artistas, artesãos, escritores e profissionais da nossa indústria criativa durante o ano todo. Obviamente não coube nas páginas deste semanário o volume de nomes que admiramos e para quem torcemos durante os 365 dias aqui no Estado. Na primeira edição de 2017 mencionamos Orelha, Igor, Juliana e Caio, entramos em contato com eles pra saber sobre o desempenho. Íamos inclusive perguntar sobre governo e prefeituras enquanto apoio cultural no que eles levantaram, mas chegamos à conclusão de que é melhor olhar pra frente. O ano foi difícil pra todo mundo e tétrico para a grande maioria. Vamos agora dar uma zoiada no que eles conquistaram:

Igor: em 2017 eu consegui o segundo lugar em SP no campeonato Futuro da nação.  Pra 2018  sigo na esperança da construção da pista de skate na Arena, para eu que possa evoluir mais. Mato Grosso não tem pistas adequadas para treinar, quero poder competir de igual para igual com os concorrentes de fora. O skate se tornou um esporte olímpico e eu pretendo ser um representante do Estado nesta modalidade.

André Paulo (Orelha): ano passado, eu fiz parte de um campeonato nacional de skate em Curitiba que envolve os melhores skatistas do Brasil. Participei de uma marca nacional de skate como o único skatista profissional de Mato Grosso, que é inspiração para muitos daqui. Filmei com os profissionais dessa marca pela cidade andando de skate com meus amigos, o que é muito gratificante.  Para 2018 estou participando da marca 4C force skateboard. Label regional com um projeto de vídeo também para este ano, eu como atleta da marca tenho o prazer de colaborar com o projeto do vídeo que vai rodar em várias cidades.

JuliaNA SegÓvia: parcerias calcadas nas artes híbridas ocorreram de forma intensa no ano de 2017. Como integrante do In-Próprio Coletivo, desenvolvi o olhar do audiovisual em confluência com as linguagens que tangem a performance, o teatro e a música. Enxerguei-me como diretora de fotografia ao lançar meu olhar para o documentário “As cores que habitamos”, de Marithê Azevedo. Coordenei a produção de todos os experimentos audiovisuais da Mostra Guaná Sesc e a produção videográfica do Projeto Afropaladares idealizado por Jackeline Silva. De mapping a cinema expandido, como a produção do cenário mapeado do show “AR” da musicista Estela Ceregatti e o “cinema ao vivo”, expandido, no espetáculo In-Próprio para Dinossauros. Atividades educativas como oficina de edição no Sesc, oficina de audiovisual na escola municipal Silva Freire para o Projeto Casa Silva Freire, convites para mesas de debate e rodas de conversa sobre arte/gênero/técnica/representatividade, somaram-se nesse ano de profusão artística. Para o ano de 2018: o fortalecimento do coletivo negro audiovisual para novas produções práticas e teóricas (mostras, filmes, debates); o financiamento para produção de roteiros de minha autoria; dirigir filmes e videoclipes com temáticas representativas e contextualizadas com o cenário sociopolítico brasileiro; continuar as produções da Moiré Filmes atendendo o segmento artístico-cultural da capital.

Caio ribeiro: 2017 foi um ano de grandes realizações artísticas. Lancei meu segundo livro "Colecionador de Tempestades" e fui contemplado no edital municipal de literatura para lançar mais um, o "Manifesto da Manifesta". Dirigi o curta "Réquiem Para Flores" em homenagem a Anderson Flores e estreei a performance de cinema expandido Espectroides ao lado de Douglas Peron.

Assim seguiremos 2018, enaltecendo a cena de que estes guerreiros participam e todos os coletivos que eles admiram. Exatamente por essa ‘rede de parças’, o CIRCUITO MATO GROSSO cada vez mais fortalece a Indústria Criativa em escala estadual.

FONTE: Luiz Marchetti

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