Sábado, 27 de Maio de 2017
SERYS SLHESSARENKO

Eu sou a vovozinha, eles são os lobos maus, diz candidata

Há seis anos longe das eleições, Serys fala com exclusividade ao Circuito Mato Grosso sobre a campanha para prefeitura de Cuiabá

Eu sou a vovozinha, eles são os lobos maus, diz candidata
 

Fotos Ahmad Jarah

Com quase 30 anos de história política, a ex-senadora por Mato Grosso e única mulher candidata a prefeita por Cuiabá, Serys Slhessarenko (PRB) diz que é vítima de discriminação por parte de seus adversários políticos. 

“Eles não têm como bater em mim, porque eu não sou corrupta, não roubo, não sou aposentada com 32 anos... Eu não tenho os males deles. Eu sou a vovozinha, e eles são os lobos maus”, responde Serys às críticas que recebe de adversários políticos.

Serys se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) - hoje com imagem desgastada após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff - no início da criação do partido em Mato Grosso, na década 80. Após o escândalo do Mensalão, a ex-senadora decidiu sair do partido.  Mas ainda, sim, o histórico da candidata no partido é alvo de críticas.

Quando ainda era senadora, seu nome foi envolvido em um dos maiores escândalos do Governo Lula, “Operação Sanguessugas” ou a Máfia das Ambulâncias. A Operação deflagrada em 2006 pela Polícia Federal investigava desvio de dinheiro para compra de ambulâncias com dinheiro público. À época, estimava-se um rombo de R$ 110 milhões ao erário.

“Gente do mal, que faz coisas do mal sempre faz com objetivo de afetar a minha imagem. Eu não sabia do que se tratava, nunca tinha ouvido falar, nem na empresa, nem nas pessoas envolvidas e me botaram no meio só para atrapalhar, porque eu estava disputando o Governo do Estado”, alega Serys.

De acordo com a senadora, a revista Veja, na edição de 22 de junho de 2011, publicou denúncia de que foram pagos R$2 milhões para relacionarem o seu nome ao do esquema das ambulâncias.

Confira entrevista na íntegra

Circuito Mato Grosso : Como está a atuação da candidata com as novas restrições da Justiça Eleitoral?

Serys Slhessarenko: Eu diria que é uma campanha experimental. Nós viemos de um jeito de fazer campanha completamente diferente, com doações de empresas, liberdade de fazer um monte de coisas diferenciadas e agora, não. Agora, precisamos consultar advogas e contador sempre. Mas é bom. Pois aquilo tudo do jeito que estava, deu no que deu. Em mensalão, petrolão...

Tem a questão de tempo, mais curto, que eu achei ótimo. 90 dias era muito tempo. 45 dias é um tempo bom. Por outro lado, o tempo de exposição no programa eleitoral de televisão ficou muito reduzido. Tem partido que tem um tempo infinito, 3 minutos, e eu apenas 38 segundos. 

Circuito: E como o tempo eleitoral esta sendo gerenciado?

Serys Slhessarenko: O horário eleitoral gratuito funciona como uma chamada para um programa mais completo divulgado no facebook. Estamos colocando as matérias mais detalhadas no facebook.

A dificuldade maior é essa. Quando não fazemos coligação com vários partidos, e é um partido de porte médio, como meu. Que tem 23 deputados federais [forma em que o TER mede o tempo concedido]. Mas acreditamos que isso vá se aperfeiçoar para as próximas eleições. As pessoas tem que parar com essa mania de achar que tem que fazer campanha com muito dinheiro.  

É uma campanha acima da ética, com pouco recurso fazer muito e com propostas.

A arrecadação vem do fundo partidário e gira em torno dos R$250 mil. “O dinheiro é basicamente do fundo partidário. É o mínimo que dê para pagar a mídia e a gráfica. Mas precisaríamos de mais”

Circuito: Como pretende modificar as pesquisas para que, assim, venha ganhar as eleições?

Serys Slhessarenko: Eu nunca me preocupei com pesquisa, ela é importante mas mostra algo muito pontual. Eu já participei de várias eleições, já ganhei quatro eleições, três de deputada e uma de senadora. Essas eleições não são fáceis, nem pequenas. Sou a única mulher de Mato Grosso que se elegeu senadora até hoje. E em todas essas disputas eu nunca estive bem coloca em pesquisa.

Para o cargo de senadora, as pesquisas, me apontavam em última ou penúltima posição.

E a população tá muito sábia. As pessoas não estão mais pensando “tem que votar em quem vai ganhar”. As pessoas tão se conscientizando, tem que votar naquelas pessoas em que elas acreditam. 

Circuito: A candidata acha que a vinculação do seu nome na operação Sanguessuga mancha a sua imagem com eleitorado?

Serys Slhessarenko: Minha história é baseada na ética. Nunca meu nome apareceu em nenhum inquérito policial, nunca o Ministério Público ofereceu uma denúncia contra mim. 

Gente do mal, que faz coisas do mal sempre faz com objetivo de afetar a minha imagem. Isso é super do mal, inventar uma coisa sobre uma pessoa que não chega nem perto da realidade.. Eu não sabia do que se tratava, nunca ouvi falar, nem na empresa, nem nas pessoas envolvidas e me botaram no meio só para atrapalhar por que eu estava disputando o Governo do Estado.

E depois, em junho de 2011, a Veja publicou que pagaram R$2milhões para eles para dizerem que eu estava envolvida. 

Mas eu acredito que as pessoas estão antenadas em saber que esse tipo de gente que quer destruir os outros para subir politicamente, está tá fora de moda e tem que ser punido. E tem que ser punido com derrota. Quem precisa pisar nos outros para subir.

Circuito: Há boatos de que senhora se aposentou na UFMT com dois anos de serviço...

Serys Slhessarenko: É só procurar no Diário Oficial que estão relatadas a minha vida e o dia em que saiu a minha aposentadoria. 

Circuito: A senadora também foi autora da Lei da Delação Premiada.

Serys Slhessarenko: Em 2006, exatamente o ano em que aconteceu tudo isso [Operação Sanguessuga], eu fiz a lei da delação premiada. É para apurar corrupção. Eu abomino a palavra corrupção. Eu não aceito.

Quando a Folha de São Paulo me entrevistou sobre a autoria da Delação, eles me perguntaram se eu tinha bola de cristal. Eu falei que não, o que eu tinha era uma indignação muito grande de gente que entra na política e com mandato ou dois já tem avião, milhares de cabeça de boi, hectares de terra. E em 2006 em já tinha 16 anos de mandato e tinha exatamente a mesma coisa que tinha quando me elegi a primeira vez. 

A Lei da Delação Premiada por si só não é prova, mas ela é quem aponta para as provas.

Circuito: A senhora teme que sua imagem ser relacionada a do PT, e atualmente o partido ser tão mal visto?

Serys Slhessarenko: Não. Por que temeria? Eu estive no PT enquanto acreditava no PT, a partir do momento em que pintou o mensalão eu sai do partido. 

Isso é coisa da oposição. Eles não tem que bater em mim, porque eu não sou corrupta, não roubo, não sou aposentada com 32 anos... Eu não tenho os males deles. Eu sou a vovozinha, e eles são os lobos maus. 

Circuito: A senhora tece várias críticas sobre a aposentadoria do Emanuel Pinheiro (PMDB) aos 32 anos...

Serys Slhessarenko: Essa aposentadoria é um absurdo. Eu Serys Marly acabei com o FAP em 2005, o projeto é de minha autoria. Para mim isso é uma vergonha. Enquanto você como mulher vai ter que trabalhar 30 anos, pagando impostos e tendo que ter idade e tempo de serviço, chega alguém aos 32 anos e se aposenta como deputado quando já tinha caído a lei.

Se aposenta, se elege, e continua ganhando dois salários da mesma fonte. 

Circuito: Como a senhora avalia a gestão Mauro Mendes? O que pretende manter e o que pretende extinguir? 

Serys Slhessarenko: Não sei. Nós não temos as informações, e é algo extremamente difícil adquiri-las. É esperar para chegar lá. Eu não pretendo chegar no Alecantro e fazer a auditória dos tempos, ficar seis meses fazendo estudos. Chegarei, farei um levantamento: como está a situação do transporte? Tá bom? Se sim, continua. Se está péssimo, vamos organizar ações para melhorias a curto, médio e longo prazo. Assim será na saúde, na educação, na geração de emprego e renda que é extremamente imponte. A questão da água.

Circuito: A senhora tem propostas diretas relacionadas a CAB?

Serys Slhessarenko: Iremos ver se a CAB atingiu a meta que se propôs quando ganhou a licitação, se sim, continuará levando água normalmente a população. Se não cumpriu, iremos romper o contrato e voltaremos com a Sanecap. Com o dinheiro que recebermos dos consumidores a gente vai continuar levando a água com qualidade, e com o lucro que a CAB tinha, será o lucro da Sanecap, será usado para ampliação e melhorarias no serviço.

Circuito: E para o VLT?

Serys Slhessarenko: A prefeitura deve atuar pressionando o Governo do Estado, mas o VLT tem que sair. Não é justo deixarmos mais de R$1 bilhão de recursos nossos enterrados. Só que o VLT abrange apenas grandes avenidas, e não abrange toda população. Então, iremos fazer centros de BRT, mexeremos na sinalização vertical com sinais inteligentes.

Circuito: Continuara com as abras do Novo Pronto Socorro?

Serys Slhessarenko: Continuaremos com as obras do Novo Pronto Socorro. Quando o antigo Pronto Socorro for desocupado, nós vamos fazer uma reforma no capricho para que Mato Grosso deixe de ser o único Estado que não tenha hospital materno infantil. E não tem, porque nunca teve uma mulher prefeita. E só mulher sabe onde aperta o sapato a hora em que seu filho está na fila sem consulta, sem internação... Com o materno infantil a criança vai nascer e ser cuidada ali até a adolescência.

Dai eu faço é proposta e um apresenta a mesma proposta um dia depois, os outros três ou quatro dias depois. Dá licença.

Circuito: Acredita na vitória?

Serys Slhessarenko: Com certeza. Está na hora de termos uma mulher com um olhar diferenciado, cuidar e gostar de gente. Isso é só uma mulher que é mãe e avó é capaz de ter. De ter um olhar afetuoso para as mulheres que estão nas filas de pronto socorro.

Circuito: A senhora acredita que a mulher e homens atuam de maneira diferente na política?

Serys Slhessarenko: Somos a maioria na sociedade, e maioria de eleitoras. Precisamos dessa representatividade. Quando fui senadora, em uma das levas de deputados federais, tinham quatro mulheres deputadas federais, a metade da bancada era mulher. Hoje, não tem nenhuma. Senadora, só teve eu.

Eu acredito que sim. A gente não gera um filho sozinha, mas a gesta um filho sozinha. E quem gesta um filho sozinha tem competência, sim, para ficar atenta para fazer políticas públicas para proteger a vida de seus filhos. Eu acredito que a mulher pode agir de maneira diferenciada. 

Já dizia Michelle Bachelet [presidente do Chile], quando uma mulher entra na política, pode mudar a mulher. Agora, quando muitas mulheres entra na política, muda a política.

Circuito: O que te qualifica para ser prefeita de Cuiabá?

Serys Slhessarenko: Politicamente eu nunca vou parar. Eu posso até não ser eleita, alguma vez, por que agora vou ser. Mas nunca vou parar de fazer política. Parei de fazer política partidária, porque nem fui candidata nas últimas eleições. O que as pessoas de Cuiabá precisam é que alguém cuide delas, que alguém ame-as, que dê espaço a elas, dê emprego, que tenha escola que realmente funcionem. Já fui secretária de educação e sei que isso é possível.

Eu cuido de neto, cuido de filho e cuidarei de toda a população de Cuiabá com carinho. Eu acho engraçado, Michel Temer é muito mais velho que eu, porque eles não mandam ele cuidar do Michelzinho? 

Para mim isso é descriminação e machismo de última categoria. É muito feio isso que eles estão fazendo. E hmem que descrimina mulher não pode ser prefeito, e eu tô sendo descriminada. O presidente da republica desse pais é bem mais velho que eu, e ninguém manda ele cuidar do Michelzinho.

1 comentários

  1. Thiago Ramos em 19/09/2016 15:24

    Não sabia que é lícito o site dar entrevista para um candidato em pleno período eleitoral.

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