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CIRCUITO ENTREVISTA

Rabaneda: “Advogado inteligente não prioriza litígio, mas o Direito Sistêmico”

O Direito Sistêmico estuda as ações e reações humanas ligadas aos antecedentes familiares com o passar do tempo.

Valquiria Castil

Repórter

16/08/2017 06h03 | Atualizada em 16/08/2017 09h00 11 comentarios

Rabaneda: “Advogado inteligente não prioriza litígio, mas o Direito Sistêmico”

Arquivo Pessoal

Quem não conhece alguém ou já teve alguma situação em que não se via outro jeito a não ser processá-la? Só quem já passou ou passa por isso sabe o tamanho do desgaste e dos transtornos, tanto psicológicos como emocionais, que causam na vida das partes. Para evitar essas situações, uma técnica chamada Constelação Familiar vem sendo aplicada com o intuito de oferecer uma qualidade melhor de vida ao ofendido.

O advogado especialista familiar, Fabiano Rabaneda dos Santos, que atua há mais de oito anos na área, há cerca de dois anos trabalha com o Direito Sistêmico, um método inovador de solucionar conflitos judiciais. Este ramo estuda as ações e reações humanas ligadas aos antecedentes familiares com o passar do tempo, ligados inconscientemente – através, inclusive, da genética – ao nosso ser.

Rabaneda conheceu essa ferramenta em um movimento na Capital mato-grossense, no qual os magistrados Jamilson Haddah e Jaqueline Cherulli são considerados os fomentadores do método. Atualmente, existe um grupo de estudo de 80 pessoas que trabalham com o Direito Sistêmico.

A partir daí, Fabiano e a esposa Michelle Matsuura Borralho, também advogada, buscaram a especialização através do Instituto Hellinger em São Paulo (SP). Juntos eles atuam na busca da origem do problema para tentar solucionar antes de entrar com processos judiciais.

Em entrevista ao Circuito Mato Grosso, Fabiano Rabaneda explicou como é utilizada e a finalidade de se trabalhar com a Constelação Familiar.

Circuito Mato Grosso – O que é Constelação Familiar e qual é a ligação dessa técnica com o Direito Sistêmico?

Fabiano Rabaneta É uma técnica desenvolvida pelo psicoterapeuta Bert Hellinger como um meio de reconhecer e orientar as ações e reações do ser humano através de seus antecedentes com o passar do tempo. A Constelação é uma ferramenta utilizada pelos operadores do direito para construir pontes, uma forma de terapia, com o intuito de entender a pessoa através de seus antepassados, do por que está agindo daquela forma, na busca da origem do problema.

Toda essa análise é oriunda do direito sistêmico, que busca entender as ações através das vivências de nossos pais, avós e ancestrais. É importante conhecermos os nossos antepassados porque nós seres humanos temos a tendência a repetições dos atos. Ou a gente repete ou repudiamos. Por exemplo, têm pessoas que tem o pai alcoólatra e tem nojo de pessoas que bebem, não suportam e nem toleram bebida. Ao contrário dessas, tem gente que acaba repetindo o ato, mesmo que não concorde. A ciência aponta que nós passamos sentimentos através de nossa carga genética, seja ela as tristezas, angústias, medo, alegrias, conquistas.

Com isso, o direito sistêmico vem recolar a pessoa dentro do seu papel, fazer com que se reconheça a sua participação, a pessoa consegue lidar melhor com as adversidades.

Nesse contexto, a Constelação Familiar, a qual é um termo traduzido erroneamente na qual seria correto “recolocação familiar”, por buscar a recolocação da pessoa no mundo.

CMT – Como é aplicada e qual é objetivo da Constelação Familiar?

FR – Pode ser feita em grupo ou individualmente. Há diversos métodos que podem ser utilizados de acordo com cada situação. Basicamente o que se busca e o que se coloca é que a pessoa consiga entender essas leis de ação e reação, de hierarquia, de visão. Pode ser utilizada tanto judicialmente, como extrajudicial, para se levar pra vida.

Existem situações que nós iniciamos aqui de pessoas que chegam debilitadas, com o intuito tão somente de entrar com um processo, querendo guerra. Nós vamos ouvi-la, ela vai desabafar e dizer tudo o que está acontecendo, a partir desse momento a gente começa a ter uma interação sistêmica com ela, colocar pontos e visões, singelas inicialmente, mas já com a visão sistêmica, fluxo energético, para que ela saia daqui com a dúvida se o processo é o melhor caminho.

Às vezes é, para que a gente possa pegar a parte contrária, mostrar que ela está sendo processada porque errou. Mesmo tendo errado, nós mostramos que pode ser resolvido de maneira diferente. Lógico que ninguém tem o poder de mudar o passado, mas a intenção é fazer com que se tenha um futuro melhor.

Eu apresento a ferramenta. Existem circunstancias em que a pessoa fez a Constelação e falou que não resolveu, é algo difícil, mas a gente continuou com o processo. Já em outras situações de gravidade, como abuso sexual, as partes chegam a um acordo de guarda compartilhada, em uma sessão de mediação, sem precisar partir pra ação penal.

CMT – Em que situações são utilizadas esse método?

FR – A Constelação Familiar é maior que a área de família, pode ser utilizada em várias relações interpessoais. Trabalhamos mais em casos para resolver questões familiares, como uma mulher que sofre violência doméstica, psicológica, emocional ou o marido após a separação sente que perdeu os filhos, por exemplo. Mas também pode ser usada para resolver questões empresariais, como de sócios que acabam por se desentender e a desavença acaba por prejudicar a empresa.

Independente da situação, o trabalho sistêmico tenta recolar a pessoa dentro do seu papel, quando se reconhece o seu papel e a sua participação, a pessoa consegue lidar melhor com as adversidades. Não que tenha o poder de fazer com que se perdoe erros, mas para dar a liberdade de se curar, de libertar das dores ocasionadas pela relação, para que se possa seguir em frente.

Através de “palavras de curas” utilizadas na terapia acabam gerando o objetivo primordial que é a paz. Tudo que nós queremos, está relacionado no direito à felicidade, é a paz e, às vezes por falta de orientação, por falta de uma ferramenta, as pessoas buscam a felicidade de forma equivocada, mas ela busca ser feliz.

Conhecemos pessoas com patrimônio invejável, com posição social de destaque e que chegam no último degrau e não são felizes com tem pessoas simples e humilde em termos econômicos que são extremamente felizes com o que tem.

CMT – Quais os benefícios da utilização desse método?

FR – Os benefícios são muito interessantes no sentido de você conseguir a paz do cliente, a paz social. Para o escritório de advocacia o direito sistêmico é essencial. As pessoas e advogados do direito antigo pensam em litígio, em sucumbência, de tirar o quanto puder da parte contrária. Isso não é tirar, isso é resguardar o direito de alguém, uma vez que estão preestabelecidas as partes do quinhão.

O advogado inteligente não se beneficia com o litígio, ele se beneficia com o direito sistêmico. Isso porque, se eu tenho um cliente satisfeito, que consegue se empoderar em fazer o justo, abre uma concessão aqui e outra ali, no final fica um elas por elas, de uma maneira que o advogado consegue ganhar seus honorários justamente, de uma forma célere, porque um processo às vezes demora de oito a dez anos, sendo que através do direito sistêmico se consegue resolver o problema em cerca de quatro a seis meses.

Isso é ótimo para o cliente, o deixa feliz, o que faz com que te indique outras pessoas, no entanto, ele não volta, porque ele conseguiu dar continuidade na vida. Além disso, há também a questão do quantitativo processual, que faz com que diminua o número de ações judiciais.

CMT – Como está o estado de Mato Grosso em relação a aplicação do direito sistêmico?

FR – Nosso Estado está muito bem posicionado quanto a utilização desse método. A equipe que já atua e trabalha com o Direito Sistêmico tem representado muito bem Mato Grosso, através de divulgações e estudos.

Na Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Gorsso (OAB-MT), o presidente Leonardo Campos tem se mostrado sensível a causa para que isso possa ser trabalhado dentro da Ordem. Então há tratativas e recepção para tratar do direito sistêmico. Inclusive, a OAB abriu um espaço dentro da Conferencia Estadual da Advocacia, para trazer o percursor do Direito Sistêmico no Brasil, o juiz Sami Stoch.

Leonardo Campos se mostra aberto para buscar novas soluções, claro que tudo é novo, tudo precisa ser feito, e isso é sistêmico, no seu devido momento. Vai acontecer no momento que tiver que acontecer.

11 COMENTÁRIOS

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  1. Que vergonha saber que nossa justiça está entregue em mãos de homens como esse

  2. Não existe isso, abusou tem que ser preso e nunca mais deixar ver o filho. Ta louco qdo que um abusador pode conviver normalmente com o abusado. Toma vergonha na cara isso sim.

  3. Coitada das crianças que serão obrigadas a conviver com o abusador. oremos.

  4. Eu sobrevivi fugindo e depois tenho que fazer mediação com meu nazista particular !? É isso mesmo?! Kkkkk

  5. Então no MATO GROSSO estão em acordo entregando crianças para pai em guarda compartilhada que filho denuncia ter cometido abuso sexual e não estão denunciando o crime? ? Inacreditável....

  6. Qual a posição da OAB sobre utilizar mediação em caso de direitos indisponíveis, principalmente em casos de suspeita de abuso sexual infantil/pedofilia?

  7. Que aberração!!! Ter ciência de um abuso sexual intrafamiliar e não denunciar é ser conivente com o crime e está previsto nos artigos 245 e 245A do ECA. É esta nova invenção de constelação familiar é mais um instrumento de opressão humilhante contra as mães.

  8. Qual o significado de justo? Empoderar o agressor e oprimir a vitima? Guarda compartilhada para um pai abusador que tem a coragem de usar o próprio filho para satisfazer suas vontades mais satânicas? Esse tipo de situação é inaceitável. Pai abusador tem que ser preso, interditado. Ao invés de tentar reaproximar através do instituto da guarda compartilhada, deveriam buscar endurecer as leis.

  9. Não se negocia com abusador, pai que faz isso , abuso contra seu próprio filho tem que responder ação penal e ir para cadeia, não merece conviver com o filho é muito menos ter a guarda compartilhada dele

  10. Perfeito o comentário da pessoa acima. Não existe mediação com agressor

  11. O Dr. diz que "Já em outras situações de gravidade, como ABUSO SEXUAL, as partes chegam a um acordo de guarda compartilhada, em uma sessão de mediação, sem precisar partir pra ação penal." Então ao saber de um crime de ABUSO SEXUAL de menor, mesmo sendo direito indisponível, o qual não se pode mediar, estão entregando o menor vitima de ABUSO SEXUAL para morar com o genitor abusador em guarda compartilhada? Não seria o caso de destituição do pátrio poder, afastamento imediato do menor do abusador, denunciar ao MP e delegacia especializada para instauração de processo criminal, cível, etc? Não estaria promovendo a naturalização do abuso intra familiar e arriscando a vida de menores com esta técnica? A OAB e o MP concordam em negociar guarda compartilhada de menores e entregar para genitor abusador e não denunciar o crime de ABUSO SEXUAL? Como ficam as leis deste Pais que protegem o menor, o ECA e a própria Constituição Federal? NEM TUDO PODE SER TRATADO COM MEDIAÇÃO, PRINCIPALMENTE CRIMES TÃO GRAVES E SÉRIOS COMO ABUSO SEXUAL DE MENORES. MEDIAÇÃO NÃO É FEITA COM DIREITOS INDISPONÍVEIS, ISTO É BÁSICO.

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