Sexta-Feira, 30 de Setembro de 2016

Ferrovia da Soja por enquanto, só promessa

Já vai completar um prazo de três anos que se fala na construção da Ferrovia da Integração do Centro-Oeste (Fico), conhecida também como Ferrovia da Soja, por integrar Campinorte (GO) a Lucas do Rio Verde (MT), mas nenhuma atitude de fato foi tomada pelo governo federal para tirar do papel o projeto bilionário de escoar commodities da principal região produtora do estado para os portos do país, reduzindo o valor do frete.

Ferrovia da Soja por enquanto, só promessa
 

Desde que foi concebido até os dias atuais, uma sucessão de promessas ao vento, irregularidades encontradas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e a queda da cúpula do Ministério dos Transportes, Departamento Nacional de Transportes e Infraestrutura (Dnit) em 2011, acabou adiando o projeto da Ferrovia da Soja, uma das mais atrasadas obras de futuras ferrovias do país.

A proposta inicial era de que as obras dos trilhos nos quase mil quilômetros que ligam Goiás a Mato Grosso começassem em 2010, com operação prevista para 2014. Contudo, o Tribunal de Contas da União (TCU) detectou superfaturamento no projeto básico, que anteriormente previa 1.040 km entre os dois municípios. O investimento seria de R$ 4,1 bilhões, passando pelos municípios mato-grossenses de Cocalinho, Nova Nazaré, Água Boa, Canarana, Gaúcha do Norte, Paranatinga, Nova Ubiratã e Sorriso a Lucas do Rio Verde.

Em outro trecho da rodovia, está prevista a construção dos trilhos de Lucas do Rio Verde até Vilhena (RO), obra estimada em R$ 2,3 bilhões. A Fico, além de ser um dos braços da Ferrovia Norte-Sul (Maranhão a São Paulo), faz parte do ambicioso projeto do governo federal: a Ferrovia Transcontinental, ligando o litoral do Rio de Janeiro ao Acre, interligando o Brasil com a rede ferroviária peruana até o Oceano Pacífico.

Contudo, desde que vieram à tona casos de superfaturamento nas obras de ferrovias Norte-Sul e Leste-Oeste, pela Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A, uma empresa pública ligada ao Ministério dos Transportes, a construção da Ferrovia da Soja saiu da alçada da Valec.

A reportagem do Circuito MT entrou em contato com a Valec, que informou que desde o ano passado a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) é responsável pela obra. Por sua vez, a EPL disse que a competência é da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que também disse que não sabe da informação e passou a bola para o Ministério dos Transportes. Quase um projeto sem pai.

A Secretaria de Fomento para Ações de Transportes do Ministério dos Transportes informou, via assessoria de imprensa, mais um prazo para a licitação do projeto executivo da obra, pela enésima vez. Agora é março deste ano.

De acordo com as informações, a Fico faz parte do Programa de Investimentos em Logística (PIL) lançado pela presidente Dilma e deixou de fazer parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O PIL contempla 12 trechos ferroviários e adotará um novo modelo de concessão, no qual a concessionária é responsável pela implantação e manutenção da via, além de gerenciar o tráfego de trens. A realização do transporte ferroviário propriamente dito será feita por usuários da ferrovia.

Confira matéria na íntegra.
 

Débora Siqueira – Da Redação

Fotos: Arquivo
 

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