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EMPREGO

Jovens enfrentam tensão e inexperiência em busca de vaga no mercado de trabalho

Segundo dados da Pnad, realizada em julho deste ano, mais de 27% da população entre 18 e 24 anos está desempregada

João Freitas

Repórter

21/09/2019 12h18 | Atualizada em 21/09/2019 09h00

Jovens enfrentam tensão e inexperiência em busca de vaga no mercado de trabalho

Internet

Quem tem entre 18 e 24 anos sabe: conseguir um emprego na área desejada não está fácil. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), realizada em julho deste ano, mais de 27% da população nesta faixa etária está desempregada.



O fenômeno é reflexo da recessão, provocada pela crise econômica no Brasil, que foi agravada na última década. Devido a isso, as empresas optam por trabalhadores mais velhos em detrimento dos jovens, que na maioria das vezes, são inexperientes e ainda estão atrás da primeira experiência profissional.  

Um dos que sentiram na pele essa dificuldade foi Bruno Santos, hoje com 30 anos. Ele trabalhou em uma empresa de lubrificantes automotivos por oito anos quando, em um determinado momento, decidiu deixar a companhia por não se sentir valorizado. Embora não se arrependa da decisão, Bruno contou que passou por muitas dificuldades no período em que ficou parado.

“Passei por vários perrengues. Tenho dois filhos pequenos e foi muito complicado esse intervalo de tempo sem emprego. Não chegamos a passar fome porque pessoas de bom coração nos ajudaram muito nesse momento, mas tivemos a energia cortada, perdi o financiamento estudantil para fazer a faculdade, entre outras adversidades”.



Bruno conseguiu um novo trabalho seis meses depois. Hoje, ele é estoquista em uma distribuidora de embalagens. O rapaz contou que investiu em capacitações para se colocar em boas condições no mercado. “Comecei a fazer um curso técnico em logística para que eu possa ter mais opções e oportunidades de trabalho. Pretendo, futuramente, me organizar para finalizar o curso superior, dar uma boa educação aos filhos e conseguir aprovação em um concurso público”.

De acordo com especialista na área de recursos humanos, Danillo Rodrigues, Bruno está correto na estratégia de realizar capacitações para se destacar da concorrência. “Além da escolaridade, é fundamental que o candidato participe de palestras, eventos e capacitações para agregar valor ao seu currículo. Muitos cursos técnicos podem colocá-lo em vantagem na hora da escolha, mesmo se os concorrentes possuírem curso superior completo”.

Entrevista de emprego

Se conquistar um emprego está difícil, passar por uma entrevista de emprego tem se tornado tão complicado quanto. Danillo, que é proprietário de uma consultoria que já realocou cerca de 10 mil pessoas no mercado em 12 anos de atuação, explica que menos de 10% dos interessados nas vagas passam pelo questionário com o entrevistador.

“Recebemos, em média, cerca de 200 currículos por vaga ofertada. Após a triagem, selecionamos de 15 a 20 para entrevistar. Destes, apenas três serão os finalistas, podendo ser escolhidos pelas empresas interessadas”.

Segundo Danillo, a entrevista de emprego é fundamental, mas não é o único procedimento utilizado no sistema de escolha dos candidatos. Ele conta que os testes de análises comportamentais estão sendo cada vez mais utilizados pelos recrutadores na seleção para traçar o perfil de conduta de um possível colaborador. O processo tem o objetivo de facilitar a adaptação do funcionário ao novo ambiente de trabalho. .

“Temos 14 etapas a seguir, que começa com a análise curricular e vai até o agradecimento. A entrevista é importante, mas outros métodos também são levados em consideração, como as avaliações de comportamento e as referências e recomendações que o pretendente tem”.

“As pessoas são admitidas pelas habilidades técnicas e são demitidas pela conduta. Uma das etapas que são mais analisadas são as referências deixadas pelo interessado na vaga. É muito importante que o profissional deixe as portas abertas em todas as experiências obtidas, pois a recomendação dos antigos chefes e colegas contribui muito para uma boa impressão. E também as avaliações comportamentais. Elas não visam julgar o certo ou errado, mas sim apontar a melhor área de atuação para o candidato em questão”.

 

Nervosismo pré-entrevista

Quem nunca ficou com o coração batendo acelerado, suando frio, gaguejando ou mesmo deu aquele famoso “branco” na hora de falar? Danillo explica que o nervosismo é uma reação natural do ser humano nessas situações e que fatores.

“O bom entrevistador sabe identificar a ansiedade por causa da seleção e precisa ter a empatia de se colocar no local do outro. Essa tensão é provocada por dois fatores: pelo medo de falhar e de não conseguir expor tudo o que gostaria para tentar ‘encantar’ o entrevistador na conversa; e também pelo desejo e expectativa que o interessado tem pelo cargo oferecido. Muitas vezes, essas pessoas ficam abaladas emocionalmente por estarem desempregadas, sendo que precisam sustentar famílias e pagar despesas”.

O recrutador chama a atenção para o uso de informações falsas nos processos seletivos. “A sinceridade é essencial para o sucesso da entrevista. Uma mentira detectada é causa a eliminação do concorrente”.

Falta de oportunidades?

Danillo Rodrigues, ao contrário do diagnóstico inicial, afirma que há vagas suficientes para atender os jovens na região metropolitana de Cuiabá-MT. O que falta, segundo ele, é preparação e disponibilidade dos interessados nas oportunidades que surgem.

“Não consigo compreender quando as pessoas dizem sobre desemprego em Cuiabá. As vagas estão disponíveis, porém, os candidatos, que muitas vezes não possuem a qualificação necessária para atuar no cargo, não aceitam trabalhar aos sábados, domingos e feriados, além de não concordarem com a carga horária a cumprir e com salários oferecidos”.

Segundo o especialista, os estágios são cruciais para abrir portas na área desejada, pois trata-se de uma etapa onde o acadêmico concilia o conhecimento teórico aprendido na sala de aula com a vivência prática do meio profissional.

Áreas que mais oferecem vagas

Com a nova configuração do mercado de trabalho, alguns campos surgem como as tendências na atualidade, em sua maioria, nos segmentos técnicos. “Os ramos de eletrotécnica, e de cursos técnicos profissionalizantes em química, mecânica e enfermagem são muito procurados. Dificilmente os pretendentes do setor técnico saem sem uma oportunidade”.

Rodrigues também enfatiza que outras áreas de marketing, tecnologia da informação, redes sociais e comercial também oferecem inúmeras chances aos candidatos. “[Estes setores] Estão bastante em alta para os interessados em se realocarem no mercado. Contudo, essa mudança depende, fundamentalmente, do processo de formação e capacitação do candidato”.

Como montar um bom currículo

“Um currículo bem elaborado deve conter as informações básicas, formações acadêmicas e escolares, descrição sobre as experiências anteriores, detalhando local de trabalho, cargo, função exercida e período, objetivo de carreira, e informações adicionais como curso de idiomas, qualificações ou vivência no exterior, etc. É muito importante destacar ainda que o candidato também pode inserir certificados de palestras, workshops e outros eventos que possam agregar valor, pois essas informações definem um processo de escolha”.

Dicas para obter sucesso

O especialista em recursos humanos determina que a carreira profissional de um indivíduo é considerada bem sucedida quando atender a todos os itens do modelo “CHAVE”. O conceito foi desenvolvido por profissionais de RH, em meados dos anos 1980, para estimular os trabalhadores e desenvolver o conhecimento acerca da novidade.

Confira a definição dos tópicos que compõem a CHAVE:

C – Conhecimento; aprendizado e formação intelectual;

H – Habilidade; É a utilização do conhecimento para solucionar problemas ou situações ou para criar e inovar;

A – Atitude; É fazer acontecer e está diretamente relacionada com a ação;

V – Valores que o candidato tem a oferecer;

E – Entorno; consequências causadas pelo pretendente aos colegas e ao ambiente de trabalho.

Danillo finaliza destacando que o candidato desenvolva um sentimento de confiança em si mesmo. “Se o postulante não acreditar nele mesmo, não será o entrevistador que vai apostar nele. Isso é resiliência. Se desistirmos fácil de tudo, jamais conquistaremos bons resultados”.

 

 

 

 

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