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A FACE CRUEL DA INTERNET

Cyberbullying, a violência no mundo virtual que faz as vítimas sofrerem na realidade

Brasil é o segundo país com mais casos registrados. O assédio na internet pode provocar comportamentos depressivos e suicidas nos alvos desse tipo de agressão

João Freitas

Repórter

10/08/2019 15h02 | Atualizada em 10/08/2019 15h20

Cyberbullying, a violência no mundo virtual que faz as vítimas sofrerem na realidade

Reprodução/Internet

Quem nunca tirou sarro do colega no tempo de escola devido a alguma característica física ou comportamental dele (por estar acima/abaixo do peso, ter baixa/alta estatura, ter muitas espinhas, tirar notas baixas, pela opção sexual, entre outras)? A grande maioria das pessoas, pelo menos uma vez, já deve ter feito isso. Porém, a situação se torna um verdadeiro problema quando a zombação eventual se torna rotineira e sai do controle do tolerável.



O bullying é um tipo de assédio presencial, no qual a vítima é submetida à violência verbal, por meio de termos pejorativos e xingamentos, e, até mesmo, física, quando uma ou mais pessoas passam a agredir um alvo.

No Brasil, o fenômeno só se tornou um objeto de estudo no início dos anos 2000. O período marcou a evolução da internet, que trouxe diversas funcionalidades tecnológicas, como o surgimento das redes sociais. E foi através delas que nasceu uma nova versão do bullying tradicional: o cyberbullying. A diferença marcante entre esses atos é que o segundo é praticado apenas no ambiente virtual.

Mas quem pensa que por não haver violência física, o cyberbullying é mais brando que o presencial se engana. As vítimas de assédios morais na internet tendem a apresentar comportamentos depressivos e, até mesmo, suicidas. Segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa (Ipsos) em 2018, o Brasil é o segundo país com mais casos de cyberbullying no mundo – perdendo apenas para a Índia.



De acordo com o promotor Miguel Slhessarenko Júnior, da promotoria de Cidadania e Segurança Pública de Cuiabá, esse tipo de prática pode se tornar ainda mais grave graças à rápida difusão que a grande rede mundial oferece. “As postagens maldosas na internet atingem, instantaneamente, um grande número de pessoas. Isso faz com que as vítimas fiquem ainda mais vulneráveis, porque se torna algo sem controle, além de não se saber a origem exata de determinada mensagem”.

Para prevenir e conscientizar sobre o tema, o Ministério Público de Mato Grosso realizou nesta semana, nos dias 8 e 9 de agosto, um encontro estadual para debater sobre o bullying, prevenção ao suicídio e violência nas escolas.

Segundo o promotor, o foco do evento é facilitar a identificação dos casos de bullying e cyberbullying. “O encontro tem o objetivo de capacitar os membros do MPMT e ajudar a sociedade em geral para identificar essas situações e acompanhar as escolas com altos índices de violência, como suicídio e depressão, que possam afetar negativamente o dia a dia da unidade de ensino”.

Miguel Slhessarenko também relatou ao Circuito Mato Grosso os principais indícios apresentados pelas crianças e adolescentes alvos de ataques na internet. “Os jovens que passam por esse tipo de situação geralmente ficam mais arredios, quietos, sem vontade de ir ao colégio, além de ter queda no rendimento escolar. Em alguns casos, as pessoas que sofrem com isso podem apresentar quadros de isolamento e automutilação”.

O papel dos pais, segundo o promotor, é fundamental para ajudar as vítimas nessas circunstâncias. Esse ressalta que os responsáveis devem ficar por dentro do que acontece na rotina dos filhos nas instituições de ensino.

“Se os pais controlam e tem um acompanhamento permanente da vida escolar dos jovens, fica mais fácil para identificar qualquer tipo de mudança no comportamento dos filhos. O que não pode é ficar alheio ao problema e só perceber a situação quando já está no limite”.

Punições

Como todos os alunos nas escolas são menores de idade, são poucas as medidas de combate ao cyberbulling ficam concentradas nas ações preventivas. No entanto, há punições previstas em determinados casos, de acordo com o promotor.

“Como não há medidas socioeducativas contra as crianças que cometerem esse tipo de prática, os pais podem ser responsabilizados civilmente pelos atos dos filhos. No caso dos adolescentes, os acusados podem responder por atos infracionais, nos casos que possam configurar situações de ameaça ou outros crimes”.

Escolas

O promotor Marcos Slhessarenko também explica que as escolas também têm suas obrigações no enfrentamento do bullying e do cyberbullying. “Agora existe uma legislação que as unidades escolares são obrigadas a adotarem medidas de conscientização e prevenção desse tipo de violência, bem como o registro dessas ocorrências e realizar ações para que isso seja evitado. As equipes gestoras dos colégios públicos e privados podem ser responsabilizados civilmente, ter o credenciamento suspenso e ter uma intervenção no local”.

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