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É COMO UM LAR

Instituto dos Cegos completa 40 anos ajudando deficientes visuais de Mato Grosso

Eles ensinam o deficiente visual a ter uma vida independente. Eles aprendem a lavar, cozinhar, se vestir, se locomover, praticar esportes e a utilizar o computador

Juliana Alves

Jornalista

09/03/2019 16h30 | Atualizada em 09/03/2019 06h35

Instituto dos Cegos completa 40 anos ajudando deficientes visuais de Mato Grosso

Juliana Alves/CMT

“É a nossa segunda, ou até mesmo a primeira casa. Geralmente as pessoas pensam que é um lugar triste, quando elas vêm para cá acabam se surpreendendo porque não tem essa tristeza”, declarou Udeilson César de Arruda, presidente do Instituto dos Cegos de Mato Grosso (ICEMAT). Entidade que completa 40 anos em 25 de abril de 2019 e em todo esse período vem ajudando os deficientes visuais do Estado.

Até 1978 os cegos da região deveriam seguir para Campo Grande (MS) e frequentar a escola local, pois era a mais próxima. Devido às dificuldades enfrentadas, Antônio Vicente Magalhães Neto, junto de outros membros da sociedade cuiabana, fundou o Icemat.

Atualmente a sede do Instituto está situado na Rua 48, Quadra 17. Lote 01, CPA 3, Setor 4, Bairro Morada da Serra. Um ambiente tranquilo, grande, adaptado aos deficientes, que conta com uma pequena academia, quadra poliesportiva, salas de informática, biblioteca, refeitório e outros espaços para receber os frequentadores.

Espaço onde fica os equipamentos de academia para os frequentadores do Icemat

A vice-presidente da entidade, Natalicia Maia, 61 anos, frequenta o Instituto desde a sua fundação em 1979. Ela perdeu a visão ainda na infância, aos quatro ou cinco anos, devido a uma conjuntivite severa, que foi tratada com um remédio errado e ocasionou uma doença.

Formada em pedagogia, ela trabalhou 25 anos na rede estadual e municipal, é aposentada, e atualmente ajuda aos deficientes visuais a aprender e conquistar uma vida autônoma.

Lá dentro é ensinado a lavar, cozinhar, cuidar de casa, orientação e mobilidade para se locomover pela cidade. Eles ensinam o deficiente a ter uma vida independente. Além disso, eles recebem pessoas com outros problemas de saúde, como a microcefalia, para serem estimuladas e terem uma qualidade de vida melhor.

“Aqui estamos ajudando a aprender como se vestir, como comer, como andar, para eles terem uma vida mais digna. Eu falo sempre que é através do estudo, do conhecimento, que você consegue ser alguém. E a gente não tem visão e as pessoas acham que visão é tudo. É importante, mas se você não tem, outra coisa se sobressai”, narrou Natalicia.

Udeilson explicou que entre tudo que é ofertado, algo que chama muito a atenção é o acesso a informática. Muitos não compreendem como um deficiente visual pode acessar a internet e utilizar sozinho um computador. “Essa inclusão digital é o que chama bastante atenção”.

E além de fornecer atendimento escolar e profissional, o local conta com casa e comida para os deficientes que são do interior e não tem onde ficar. Até 2018 o local servia de internato apenas para os homens, mas este ano a regra mudou.

“Nós notamos que era uma injustiça social, já que também existem mulheres cegas e muitas delas precisam desse acolhimento também. Homem e mulheres que vem do interior, buscando uma inclusão na sociedade. Atualmente temos seis homens e duas mulheres que moram aqui na sede”, explicou Udeilson.

São aulas, cursos, práticas esportivas, danças e música que ofertam dentro do Icemat. Aos que tem dificuldades para se locomover, é ofertado um ônibus especial para buscar e levar seus alunos de casa ao Instituto.

Atualmente 213 alunos estão matriculados e frequentam as atividades durante a semana, em horários distintos. Para fazer matrícula basta levar até a sede um laudo médico que comprove a deficiência e realizar o procedimento. Não tem um limite de vagas.

A entidade é filantrópica, sem fins lucrativos e sobrevive com doações da comunidade e parcerias com empresas particulares e privadas.  Para colaborar com o trabalho basta entrar em contato com o Instituto através do telefone (65) 3646-1400.

“O nosso trabalho, aqui no Instituto, é trazer as pessoas para cá e mostrar que a vida deles não chegou ao fim ainda”, contou.

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