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SITUAÇÃO CRÍTICA

MT lidera ranking de queimadas, com mais de 13 mil focos

Condições climáticas adversas no período e alto índice de focos de calor levam estado a prorrogar período proibitivo até 1º de outubro

Da Redação

Equipe

14/09/2018 14h37 | Atualizada em 14/09/2018 15h32 2 comentarios

MT lidera ranking de queimadas, com mais de 13 mil focos

Agência Brasil

Com 13.671 mil focos de calor, Mato Grosso está em 1º lugar no ranking dos estados da Amazônia Legal em incêndios, bem à frente do segundo colocado, que é o Pará, que soma  mais de 7.468 focos. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e compreende o período de 1º de janeiro a 12 de setembro.

Devido às condições climáticas austeras, o secretário executivo do Comitê do Fogo, coronel do Corpo de Bombeiros Paulo Barroso, adianta que o período proibitivo para as queimadas no estado que terminaria no dia 15 de setembro será ampliado até o dia 1º de outubro, podendo ainda ser prorrogado.

 “Esta é uma medida preventiva, porque a falta de precipitação ajuda no surgimento de incêndios. Mas é importante esclarecer que o principal agente é o homem, do campo e urbano. Precisamos que a população se conscientize urgentemente e não faça uso do fogo”, frisa.

 Conforme boletim do Corpo de Bombeiros, mais de 70% dos focos ocorreram em propriedades privadas, 19% em área indígena, 5,8% em projetos de assentamento rural, 2,3% na região metropolitana da capital e 1,9% nas unidades de conservação. A maior deles partir de 15 de julho, durante o período proibitivo, que concentrou mais de 7.636 focos.

Um dos pontos que está em chamas neste momento é o Morro de Santo Antônio que já entrou em seu oitavo dia. Três equipes terrestres foram enviadas para o local e aeronaves têm feito sobrevoos para tentar conter os novos focos, ainda sem sucesso. Mais de 30 mil litros de água foram despejadas  para impedir que o fogo se alastre e chegue até nas residências próximas.

 O fogo teve início no setor de chácaras que fica no pé do Morro, um local de difícil acesso. A equipe de 12 bombeiros e voluntários da região está tentando impedir que desça, com apoio de um Auto Bomba Tanque Florestal (ABTF), que possui capacidade média para 10 mil litros de água, dois Auto Rápido Florestal e kits de combate a incêndio.   

A situação ainda não afetou o funcionamento do Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, apesar de ter sido tomada pela fumaça nos últimos três dias. “Nossas equipes têm trabalhado incansavelmente, inclusive até a madrugada, por entender que esta é uma região estratégica na rota de sobrevoos da região”, explica o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Dércio Santos. 

Santos é o coordenador adjunto do Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional e Coordenador da Operação Abafa Amazônia deste ano, que teve início nesta terça-feira (11), na 1ª base aérea de combate a incêndios florestais de Sorriso. Integram a força-tarefa que segue até o dia 19 na região dos municípios de Nova Ubiratã, Feliz Natal, Vera e Claudia.

Operação Abafa Amazônia busca minimizar estragos na região norte onde
historicamente se concentram maiores índices de focos de calor

Participam da ação Corpo de Bombeiros, Politec, Polícia Militar, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Ciosp e Ciopaer. O objetivo é fiscalizar e responsabilizar quem fizer degradação ambiental com uso do fogo e desmatamento não autorizado. O CICCM (centro integrado de Comando e controle móvel) está instalado inicialmente em Nova Ubiratã. 

Chapada 

Um incêndio florestal detectado no sábado (08) próximo à região do Coxipó do Ouro, em Cuiabá, ameaça atingir o Parque Nacional de Chapada dos GuimarãesAs chamas já destruíram mais de 3 mil hectares da Área de Proteção Ambiental (APA). O avião utilizado tem capacidade de lançar 3 mil litros de água; até o momento, 18 mil litros foram usados para conter o incêndio.

 Na segunda (10), as equipes de combate atuaram em dois focos isolados da APA, utilizando um avião, cinco caminhonetes e um caminhão tanque com combustível também é utilizado para dar suporte no abastecimento dos demais veículos utilizados para transportar água. Ao todo, 15 brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e 10 bombeiros militares atuam no combate às chamas. O trabalho de combate continua.

Números menores 

Mesmo estando em primeiro lugar, Mato Grosso registrou uma redução em cerca de 20% em seus focos de calor neste ano, no comparativo ao mesmo período do ano passado. Número menor que os registros nacionais, que caíram mais de 21%; e 24% nos estados da Amazônia Legal. 

Também houve uma queda durante os meses do período proibitivo em mais de 37%, já que de 10.528 focos de calor registrados em 2017, foram contabilizados 7.636 neste ano. Na Amazônia está a maioria dos focos, com 8.219 (65%), seguida pelo Cerrado com 4.366 focos (34%) e o Pantanal com 317 focos de calor (1%). 

Fogo no Morro de Santo Antônio ameaça rotina no aeroporto de Várzea 
Grande, além de piorar condições do ar na região metropolitana

Proibição 

Para quem desrespeitar a proibição, é bom lembrar que praticar queimadas é crime com pena prevista de 6 meses a 4 anos de prisão. Tem ainda as multas que podem variar entre R$ 1 mil (pastagem e agricultura) até R$ 75 mil (pastagem e agricultura) por hectare. Nas áreas urbanas, promover queimada é crime o ano inteiro.

 Serviço

 A população pode denunciar o uso do fogo de forma irregular e criminosa pelo 193 do Corpo de Bombeiros, 0800 65 3838 (Sema) ou diretamente nas Secretarias Municipais de Meio Ambiente.

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