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CASOS ISOLADOS

Duas suspeitas são negadas e SMS descarta surto de meningite

Conforme o Ministério da Saúde, apenas em 2017 foram registrados quase 180 casos da doença, que pode ser fatal ou deixar sequelas

Camilla Zeni

Jornalista

16/04/2018 12h10 | Atualizada em 16/04/2018 12h21

Duas suspeitas são negadas e SMS descarta surto de meningite

Reprodução

Mais casos de suspeita de meningite foram registrados em Cuiabá neste sábado (14) e provocaram alerta entre a população, além do fechamento temporário da Policlínica do Verdão durante 24 horas. Na ocorrência, a suspeita era de que duas mulheres estivessem infectadas. Elas foram isoladas em uma sala da unidade médica, mas tiveram a suspeita descartada. No entanto, outro paciente que deu entrada no início da semana, na mesma unidade, aguarda laudo médico. A Secretaria de Municipal de Saúde (SMS) destacou que caso ainda não foi confirmado e não existe possibilidade de surto.

O primeiro caso suspeito, ocorrido na semana passada, foi de uma criança que deu entrada na Policlínica do Verdão na terça-feira (10). Já a entrada das outras duas mulheres, que seriam mãe e irmã da primeira paciente, foi registrada na sexta-feira (13). Elas apresentavam os mesmos sintomas.

A suspeita de meningite foi levantada no sábado pela manhã, quando a unidade também foi isolada. O atendimento ao público chegou a ser suspenso, ficando restrito a casos de urgência e emergência. As pacientes foram colocadas em salas isoladas e a Vigilância de Saúde foi até o local para coletar amostras para análise laboratorial, que deve comprovar, ou não, a existência da doença.

De acordo com a SMS, das três pacientes, as últimas duas, mãe e filha, já foram liberadas da unidade médica por terem a suspeita de meningite negada em exame. A criança ainda aguarda ser transferida para o Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (HPSM).

Neste domingo (15), a Policlínica do Verdão passou por desinfecção e normalizou o atendimento à população.

A SMS e a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informaram que não há registros de outros casos relacionados à doença em 2018, nem em Cuiabá ou outro município de Mato Grosso. A SMS destacou ainda que os casos da última sexta-feira não foram confirmados e, portanto, não existe possibilidade de surto de meningite.

A doença

A médica infectologista do HPSM Zamara Brandão Ribeiro explicou ao Circuito Mato Grosso que a meningite é a inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, conhecidas como “meninge”.

Segundo a médica, existem três tipos de meningite, sendo elas viral, bacteriana e fúngica. As mais comuns são a viral e a bacteriana, sendo que a maior incidência da última é em pessoas com idade superior a 20 anos. Ela também costuma ser mais agressiva que as demais.

No caso da meningite viral, a infectologista destaca que o tratamento é mais simples: “Nesses casos indicamos repouso, ficar deitado, tomar alguns tipos de antivirais. Em alguns casos não é nem necessário o tratamento, pois os sintomas desaparecem”, disse a médica.

Entre as principais formas de contrair o vírus estão a ingestão de alimentos ou utilização de objetos contaminados, além do beijo

“Em lugares frios e secos é mais propício se pegar o vírus”, comentou. Segundo a médica, ficar muito tempo em lugares fechados com alguém que já esteja contaminado, como creches e escolas, também facilita a contaminação. Além disso, não lavar as mãos também pode aumentar o risco de contrair a meningite.

Os principais sintomas da doença são febre, vermelhidão, dor de cabeça, náuseas/vômito e rigidez na nuca.

Prevenção

De acordo com o Ministério da Saúde, a forma mais eficaz de prevenção à meningite é a vacinação, além dos cuidados com o ambiente (mantendo-o limpo), as mãos e evitando estar no meio de aglomeração de pessoas.

Algumas vacinas são disponibilizadas pelo sistema público, sendo elas a pentavalente, que também protege contra hepatite B, a pneumocócica 10 valente conjugada, a meningocócica C conjugada e a BCG, que também protege contra tuberculose.

Na rede particular, as vacinas custam entre R$ 275, a mais barata, e R$ 750, a mais cara, conforme levantamento feito pela reportagem.

Dados do SUS

Conforme o DataSUS, em Mato Grosso houve diminuição de 2% das notificações de casos confirmados, indo de 184 registros, em 2016, para 181, em 2017. De acordo com o banco de dados, no ano passado, os meses que apresentaram maiores registros foram março (23 casos) e junho (20), seguidos por maio e  novembro (18) e janeiro (16).

Ainda conforme os dados, a maior incidência da doença é registrada em homens, vítimas em 129 casos notificados em 2017, enquanto 61 mulheres foram acometidas a doença.

Cuiabá é o local onde há maior número de registros, tendo sido responsável por 74 casos. Em seguida está Cáceres, onde foram registrados 29 casos. Além desses, também se confirmou caso nos municípios de Sorriso, Sinop, Barra do Garças, Rondonópolis, Várzea Grande, Alta Floresta, Araputanga, Campo Verde, Diamantino, Guarantã do Norte, Jaciara, Juara, Lucas do Rio Verde, Mirassol D’Oeste, Nova Mutum, Nova Xavantina, Primavera do Leste, e Tangará da Serra.

 

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