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SETEMBRO AMARELO

Falar e ouvir são duas grandes portas para prevenção do suicídio

2017 será um ano marcante para a prevenção do suicídio, segundo o CVV, devido ao jogo da Baleia Azul e à série da Netflix “13 Reasons Why”

Catia Alves

Repórter

14/09/2017 06h00 | Atualizada em 15/09/2017 07h21

Falar e ouvir são duas grandes portas para prevenção do suicídio

Ilustração

O mês de setembro é muito significativo, pois é neste mês em que falamos sobre a prevenção do suicídio. O assunto deve ser debatido permanentemente, porém, o Setembro Amarelo abre a oportunidade para um alerta mais incisivo, uma reflexão mais pontual sobre este tema ainda tão chocante, polêmico e preocupante.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 17% das pessoas no Brasil pensaram, em algum momento, em tirar a própria vida. Estima-se que até 2020 poderá ocorrer aumento de 50% na ocorrência anual de suicídios em todo o mundo, ultrapassando o número de mortes decorrentes de homicídio e guerra combinados.

Série da Netflix "13 reasons why"

Os números são angustiantes. Mas o problema é bem maior, por conta do silêncio da sociedade em torno do tema. Se em alguns dos países com maior incidência de suicídio a taxa está estável, no Brasil ela tem crescido.

Uma pesquisa inédita realizada pela Nova/sn por meio do Comunica Que Muda (CQM) captou 1.230.197 menções sobre suicídio entre os meses de abril e maio de 2017 nas principais redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e YouTube).

Durante o período, os destaques foram os expressivos números de comentários sobre o crime virtual da Baleia Azul e a série “13 Reasons Why” (Netflix), o que fez o tema alcançar seu ápice de buscas no Google dos últimos cinco anos.

No geral, o jogo da Baleia Azul estava na maior parte das menções, com 59,9%. A série “13 Reasons Why” ficou com 26,6%. As menções sobre depressão somaram 7,7%, enquanto os comentários intolerantes em relação ao suicídio ficaram com 4,1%. Outros assuntos somaram 1,7%.

Em Cuiabá, Joimmyr Hellensberger, coordenador do CVV Cuiabá, falou que o ano de 2017 será marcante devido aos temas em destaque. “A Campanha Setembro Amarelo tem ganhado maiores proporções desde que teve início em 2014. A sociedade está deixando o preconceito de lado e está falando sobre isso. A depressão está cada vez mais presente nas empresas, escolas, hospitais, e está deixando de ser um tabu”.

Segundo o voluntário, após as notícias sobre o jogo e o lançamento da série, não tem como mensurar se as ligações no CVV aumentaram por esse motivo, mas o que eles perceberam foi o aumento do interesse pelo assunto durante as palestras realizadas.

Joimmyr explica que durante as palestras sobre prevenção, as perguntas sobre os temas aumentaram. “Então nas palestras sempre há perguntas relacionadas a esses temas. Mas o que acontece nas duas situações é que se repercutiu de maneira negativa, mas abriu-se a possibilidade de conversar. Uma coisa que todo mundo achava muito distante, “não com meus filhos”, passou a ficar mais próxima”, falou.

Joimmyr Hellensberger

Joimmyr explica que a palavra suicídio é muito carregada e que trabalhar com a prevenção é levar as palestras para dentro de todos os locais, seja de trabalho, estudo, lazer. “Quando a gente abre para falar sobre isso, tira o peso da palavra e nos torna próximos. Nos torna gente conversando com gente”, conclui.

Como ajudar

Pode ser que em algum momento desconfiemos ou conheçamos uma pessoa que está pensando em suicidar-se em decorrência de um grande sofrimento. Caso isso aconteça com você, existem maneiras de auxiliar essa pessoa.

É importante que se converse diretamente com a pessoa que está sofrendo. Um diálogo aberto, respeitoso, empático e compreensivo pode fazer a diferença. Procurar saber como a pessoa está, o que tem feito ultimamente, como está se sentindo.

Essa conversa pode obter melhores resultados se for feita em um lugar tranquilo, sem pressa, respeitando o tempo da pessoa para se abrir.

Precisa conversar?

O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias.

Em Cuiabá, ainda tem o atendimento pessoal na sede do CVV, localizado na Rua Comandante Costa, 296 - Centro Sul, das 8h às 16h de segunda a sexta-feira. São 62 voluntários atendendo a capital e Baixada Cuiabana do 141 e para o restante do Estado e do Brasil, pelo número 3321-4311.

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