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PARQUE NACIONAL

Guia rural denuncia instituto por proibir atuação em Chapada

Moradora relatou que servidores tomaram vagas de curso e que população continua desempregada

Karollen Nadeska

Jornalista

13/09/2017 19h00 | Atualizada em 13/09/2017 17h50

Guia rural denuncia instituto por proibir atuação em Chapada

Reprodução/Internet

A guia rural Maria Cristina Duran Lopes, denúncia  o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), que faz a gestão do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães (70km distante de Cuiabá), alegando que a entidade está impedindo um grupo de pelo menos 20 trabalhadores de exercer a atividade em plena zona ambiental. Além disso, os gestores do parque são acusados de selecionar pessoas, sem a devida formação exigida, para atuar em caráter integral supostamente em troca de benefícios.

Guia Maria Cristina e demais alunos

“Eles não querem deixar a gente entrar lá no parque. Estão criando um monte de impecílio, sendo que nós fizemos o curso em vinte pessoas e ela queria abrir exceção para uma família, mas para o restante, não”, afirma à trabalhadora referindo-se à gestora do parte Cíntia Brazão.

Maria garante que os guias da turma dela são capacitados pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e, inclusive, reconhecidos pelo Ministério da Educação (Mec) podendo atuar em todo território nacional. 

“As pessoas que não tem segundo grau ou têm, pessoas comuns, podem entrar e guiar. E nós que fizemos o curso, somos treinados pelo Senar, esse curso inclusive é reconhecido pelo MEC, liberados para qualquer território nacional rural, eles não querem nos deixar guiar”, reclama.

Segundo a guia, Cíntia Brazão estaria barrando a equipe sob a justificativa de que os membros não possuem sequer o ensino médio – o que pela regra deveriam ter. 

“A gente está tentando trabalhar no parque, mas eles não querem nos deixar guiar porque falam que quem é guia rural não tem segundo grau completo, o que não interfere em nada porque a gente vai mostrar o atrativo que dominamos facilmente”.

Maria Cristina é moradora de Chapada dos Guimarães há 15 anos e relata que o Sindicato Rural da cidade chegou a oferecer curso técnico para instrução rural. Porém, a maioria dos inscritos são servidores de carreira, fato que está prejudicando parcela da população que necessariamente não consegue emprego. 

“O pessoal chegou a trazer o curso do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emrpego), mas das quinze vagas abertas dez foram preenchidas por funcionários públicos e a galera daqui mesmo não conseguiu se inscrever”, conta a moradora.

Todavia, a guia conta que a atual presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Sônia Bezerra, não consegui autorização para exercer o cargo e a acusa também de tentar “monopolizar” o serviço na região.

“Ela não poderia ser presidente do Contur porque etem uma agência de turismo euma pousada e agora ela acha que todos os passeios e as indicações tem que passar pela agência dela. Isso é monopólio”, acusa.

Ainda segundo Maria Cristina, háum complô criado contra os novos profissionais. “Existe uma panelinha. Têm equipes do parque que não possuem curso de primeiros socorros, um monte de gente que não tem nada. Não é justo, a gente também quer trabalhar, fazemos a mesma coisa e tivemos o mesmo treinamento. Nós estamos nos sentindo diminuídos”, disse à reportagem. 

“Eu gostaria de levantar uma polêmica. Cadê o documento que prova que esses guias tem o segundo grau? Porque eu conheço vários que não tem o ensino exigido e está lá guiando no parque”, cobra.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a gerente do ICMBIO, Cíntia Brazão, que, por meio de nota, afirmou que não é intenção do Parque não habilitar essas pessoas, mas que elas precisam ter o mínimo de carga horária e conteúdo necessários, até mesmo para respaldo delas próprias, já que o curso feito não seria técnico em guia, que os autorizam a ter CADASTUR.

Veja a nota completa:

Quanto a denúncia feita, o ICMBio recebeu cópia de alguns certificados de curso de Turismo Rural dado pelo SENAR para algumas pessoas em Chapada dos Guimarães. A documentação foi analisada para verificarmos se o conteúdo dado está de acordo com aquele solicitado pela Instrução Normativa ICMBio 08/2008 que envio em anexo.
 
Um dos alunos é conselheiro Parque Nacional e tem participado ativamente das reuniões de conselho. No dia 18 de agosto tivemos nossa última reunião de conselho onde colocamos a questão para todos os conselheiros presentes. Na ocasião, o aluno que é conselheiro e outro aluno nos informaram quem haveria outros módulos e que iriam nos repassar o contato dos coordenadores do curso.
 
Assim que recebemos o contato dos coordenadores do curso, escrevemos ao SENAR para solicitar uma conversa para que nos próximos módulos fossem incluídos os conteúdos mínimos necessários para aproveitarmos o curso e autorizarmos o pessoal capacitado a guiar no Parque (encaminho o email em anexo). Da mesma forma, fizemos isto com o PRONATEC quando houve curso para capacitar condutor de turismo de aventura, conversamos com os instrutores para que houvesse a inclusão das necessidades mínimas.
 
Até agora não recebemos resposta do SENAR.
 
Não é intenção do Parque não habilitar essas pessoas, mas precisamos ter o mínimo de carga horária e conteúdo necessários, até mesmo para respaldo destas pessoas, já que o curso feito não é o curso técnico em guia que os autorizam a ter CADASTUR.

Já presidente do Comtur, Sônia Bezerra, não atendeu e também não retornou as ligações o fechamento desta edição.

Sobre o curso de guia rural,  a assessoria do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) informou apenas oferecer o treinamento das atividades, mas que o responsável para aplicar o curso é o sindicato da cidade. 

Documento encamainhado pelo ICMBIO
Documento encamainhado pelo ICMBIO


 

 

 

 

 

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