Quinta-Feira, 25 de Maio de 2017
XENOFOBIA

Internautas destilam ira contra enredo que canta o Xingu e critica o agronegócio

Enredo da escola carioca Imperatriz Leopoldinense cita a luta pela sobrevivência dos indígenas de MT e as consequências do agronegócio

Internautas destilam ira contra enredo que canta o Xingu e critica o agronegócio
 

O samba enredo da escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense “Xingu, o clamor que vem da floresta”, que cita a luta pela sobrevivência de povos indígenas de Mato Grosso e consequências do agronegócio para o meio ambiente, provocou grande reação na internet.

“O belo monstro rouba a terra de seus filhos, devora e seca as matas e seca os rios, tanta riqueza que a cobiça destruiu?”, diz trecho do enredo que foi motivo de artigo ácido assinado pela blogueira, apresentadora e editora do Canal Rural, Kellen Severo.

O artigo foi publicado na Fanpage do Canal Rural e lá os defensores do agronegócio destilaram toda a sua ira contra e preconceito ao enredo, a escola, o Carnaval e também contra a cidade do Rio de Janeiro e os cariocas.

“Desta vez o ultrapassado discurso do ‘agronegócio vilão’ volta para as rodas de conversa, para a televisão e os jornais via Carnaval. É que a escola de samba Imperatriz Leopoldinense pretende levar para o Rio de Janeiro, desfilar e batucar pela Sapucaí ideias como as da ala intitulada 'os fazendeiros e os seus agrotóxicos'”, escreve a apresentadora.

Ela segue dizendo que, na sua visão, o samba, a letra e as alas estariam claras na construção do argumento “fazendeiro-destruição x índio-salvação” da floresta. “Enquanto o Brasil não enxergar e se orgulhar do seu verdadeiro talento, continuaremos a ser um país miserável. Miséria é a desgraça do desconhecimento cantado na antítese da produção”, ataca a blogueira.

O internauta J. O. N. escreveu: “Perguntem aos sambistas se a comida deles é sintética. Aposto que, em caso de vitória, vão comer churrasco na quadra. Isso ultrapassa a ignorância. Alguma ONG deve estar bancando isso”.

J. K. Emendou: “Devolvam o Brasil para os índios e dê a eles o cargo de produzirem comida para os Brasileiros. Simples”. Mais adiante . I. F.: “E a comida que esses "balofos" comem vem de onde? Das caixas e dos sacos plásticos encontrados nos Supermercados? É um povinho mesquinho, pobre de espírito, que não sabe e se sabe não entende a grandiosidade do Agronegócio, tanto para as eficientes produção e distribuição de alimentos quanto para a geração de empregos e negócios e na movimentação de bilhões de reais na nossa economia”.

Já E. R. F. questionou a importância do agronegócio: “Estou feliz em ler o ponto de vista de cada um. Só lamento que não seja feita uma discussão em bom nível. Acho que agronegócio no Brasil e uma coisa a ser repensada. Questão ambiental tem muita coisa de interesses por trás disso. A média e pequena agricultura é que faz a diferença, pois é a que põe a comida na mesa do povo. A mega agricultura só serve para bancos e para deixar mais rico quem já está rico, gerando concentração de renda e deixando o país dependente de monocultura, ou, no máximo dois ou três produtos. E o Maggi (ministro da Agricultura, Blairo Maggi)sai a vender um país de fantasia, que só explora seus agricultores que tem a maior carga tributária de toda cadeia produtiva! Se terá assunto para discutir”!

Em nota, a direção da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) repudia a Imperatriz Leopoldinense. “Ao criticar duramente o agronegócio, o grupo mostra total despreparo e ignorância quanto à história brasileira e à realidade econômica e social do país”, afirma Arnaldo Manuel Machado Borges, presidente da entidade.

Arnaldo critica o fato dos produtores serem chamados de “monstros” pela escola. "Nós, produtores rurais, respondemos por 20% do PIB Nacional e, historicamente, salvamos o Brasil em termos de geração de renda e empregos. Inaceitável que a maior festa popular brasileira, que tem a admiração e o respeito da nossa classe, seja palco para um show de sensacionalismo e ataques infundados pela Escola Imperatriz Leopoldinense", afirma.

A direção da Imperatriz Leopoldinense não vai se manifestar sobre o episódio. 

SAMBA ENREDO

Compositores: Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna

BRILHOU… A COROA NA LUZ DO LUAR!
NOS TRONCOS A ETERNIDADE… A REZA E A MAGIA DO PAJÉ!
NA ALDEIA COM FLAUTAS E MARACÁS
KUARUP É FESTA, LOUVOR EM RITUAIS
NA FLORESTA… HARMONIA, A VIDA A BROTAR
SINFONIA DE CORES E CANTOS NO AR
O PARAÍSO FEZ AQUI O SEU LUGAR
JARDIM SAGRADO O CARAÍBA DESCOBRIU
SANGRA O CORAÇÃO DO MEU BRASIL
O BELO MONSTRO ROUBA AS TERRAS DOS SEUS FILHOS
DEVORA AS MATAS E SECA OS RIOS
TANTA RIQUEZA QUE A COBIÇA DESTRUIU

SOU O FILHO ESQUECIDO DO MUNDO
MINHA COR É VERMELHA DE DOR
O MEU CANTO É BRAVO E FORTE
MAS É HINO DE PAZ E AMOR

SOU GUERREIRO IMORTAL DERRADEIRO
DESTE CHÃO O SENHOR VERDADEIRO
SEMENTE EU SOU A PRIMEIRA
DA PURA ALMA BRASILEIRA

JAMAIS SE CURVAR, LUTAR E APRENDER
ESCUTA MENINO, RAONI ENSINOU
LIBERDADE É O NOSSO DESTINO
MEMÓRIA SAGRADA, RAZÃO DE VIVER
ANDAR ONDE NINGÚEM ANDOU
CHEGAR AONDE NINGUÉM CHEGOU
LEMBRAR A CORAGEM E O AMOR DOS IRMÃOS
E OUTROS HERÓIS GUARDIÕES
AVENTURAS DE FÉ E PAIXÃO
O SONHO DE INTEGRAR UMA NAÇÃO
KARARAÔ… KARARAÔ… O ÍNDIO LUTA PELA SUA TERRA
DA IMPERATRIZ VEM O SEU GRITO DE GUERRA!

SALVE O VERDE DO XINGU… A ESPERANÇA
A SEMENTE DO AMANHÃ… HERANÇA
O CLAMOR DA NATUREZA
A NOSSA VOZ VAI ECOAR… PRESERVAR!

Ouça o enredo

1 comentários

  1. Adriana Ramos em 09/01/2017 10:51

    O samba é lindo e retrata uma realidade que os indígenas vivem dentro do Parque Indígena do Xingu. Nâo tem nada de ofensivo! O Belo Monstro é a hidrelétrica, e não dá para negar que o uso abusivo de agrotóxicos é ruim para os rios e as populações. Assim como não dá para ignorar o desmatamento ilegal. Quem veste a carapuça de que o samba critica o agronegócio está assumindo que uso indiscriminado de pesticidas e desmatamento ilegal são práticas do setor. Toda força aos Xinguanos e à Imperatriz Leopoldinense!

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