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RIO DE JANEIRO

Crivella anuncia novo modelo de barraquinha vertical para camelôs

Serão 4.300 novas licenças, além das 18 mil em vigor hoje.

10/08/2017 16h09 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Crivella anuncia novo modelo de barraquinha vertical para camelôs

Divulgação

 O prefeito Marcelo Crivella pretende enfrentar pelo menos dois problemas da cidade com uma palavra: verticalização. Depois de anunciar que vai construir espigões para moradores da favela de Rio das Pedras, uma das que mais cresceram no Rio na última década, ele lançou o protótipo de uma banquinha-estante para ser usada pelos camelôs. O novo modelo ocupa menos espaço nas calçadas e, assim, vai permitir à prefeitura aumentar o número ambulantes legalizados nas ruas em 23,8%. Serão 4.300 novas licenças, além das 18 mil em vigor hoje. Isso sem contar os que atuam sem autorização, um número que as autoridades desconhecem, mas que está no caminho de todos os cariocas.

Em pronunciamento ao vivo feito numa rede social no fim de semana, Crivella revelou que planeja a troca de parte das barracas, para “padronizar o comércio ambulante local e garantir o ordenamento das ruas e dos bairros”. Os pontos onde os novos camelôs serão instalados ainda estão sendo estudados pela Coordenadoria de Gestão dos Espaços Urbanos, mas já se sabe que uma das áreas selecionadas é o Calçadão de Madureira, onde é desenvolvido o projeto-piloto e o novo modelo de banca está sendo testado. Bangu e o Centro do Rio também devem receber mais vendedores de rua.

— Em vez de a mesa ser colocada horizontalmente, a gente a verticaliza. Fizemos o design na prefeitura, e estamos conversando com os camelôs, os trabalhadores de rua, para eles entenderem. No sentido de que eles podem usar (a banca) para vender as coisas, e a parte de trás, inclusive, para ter propagandas — disse Crivella.

AMBULANTES NÃO APROVAM PROJETO

A verticalização, diz a prefeitura, tem o objetivo de também abrir mais espaço nas calçadas para os pedestres. O modelo da barraquinha é um projeto da Secretaria municipal de Urbanismo, mas ainda pode ser revisto. A troca será será oficializada por meio de publicação no Diário Oficial do município.

A nova banca, no entanto, não agradou a ambulantes ouvidos pelo GLOBO na Rua Conde de Bonfim, em frente à Praça Saens Peña, na Tijuca, e na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Nesses dois pontos, nenhum ambulante tinha autorização da prefeitura, e todos alegaram que estavam tomando conta da barraca para outros camelôs cadastrados. Sobre o novo modelo, foram unânimes.

— Como vou expor meus brincos nessa banca que fica em pé? — reclamou um homem na Rua Conde de Bonfim.

Outro ambulante disse que a prefeitura não pensou em quem vende roupas, toalhas, cobertores e utensílios domésticos:

— Não cabe nada ali.

A Avenida Nossa Senhora de Copacabana, um dos pontos comerciais mais fortes da cidade, está apinhada de barraquinhas de todo jeito. Há estrangeiros, como peruanos e bolivianos, que estendem grandes toalhas na calçada e depositam nelas seus produtos. Na semana passada, uma equipe do GLOBO contou 319 ambulantes na avenida. A maioria dos camelôs está concentrada entre a Djalma Ulrich e a Paula Freitas. Por ramo de atividade, são 115 com roupas e bijuterias; 37 que comercializam utensílios diversos; 28 de eletrônicos; 22 de brinquedos; 23 de frutas e legumes; entre outros produtos. Em algumas barracas, fica claro que as mercadorias vendidas são falsificadas.

Na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, o cenário é o mesmo entre as ruas Major Ávila e General Roca. Ambulantes que admitem atuar sem autorização vendem todo tipo de produto.

O GLOBO também presenciou camelôs sem licença no Largo do Machado sendo orientados por guardas municipais a recolherem suas mercadorias e se retirarem do local. Sem cassetetes, gritos ou apreensões. No Calçadão de Bangu, ontem, por exemplo, não havia espaço para os pedestres — apesar da irregularidades, não havia qualquer tipo de fiscalização. Segundo Crivella, há uma nova determinação para os fiscais sobre como lidar com os ambulantes em situação irregular.

— Com a crise, cada vez mais brasileiros passaram a trabalhar informalmente. Nós temos 300 mil desempregados, e cerca de 18 mil pessoas estão nas ruas tentando vender alguma coisa para sobreviver. Minha nova determinação é que os órgãos de fiscalização atuem como orientadores e não como repressores. Ou seja, deu alguma coisa errada, dá tempo para a pessoa corrigir. Se ela não corrigir, aí sim vai ter a intervenção — afirmou o prefeito.

COMERCIANTES ALEGAM PERDAS

O presidente do Clube de Diretores Lojistas do Rio, Aldo Gonçalves, criticou as novas medidas. Na opinião dele, a prefeitura vai “institucionalizar um problema que está afetando todo o comércio da cidade”. Segundo ele, o prejuízo das lojas com a concorrência desleal dos ambulantes pode chegar a 50%:

— Em vez de resolver o problema, o prefeito está institucionalizando uma ilegalidade e prejudicando o comércio, que paga os impostos. Estamos nos afastando do Primeiro Mundo. Isso prejudica os trabalhadores com carteira assinada, que são comissionados.

Aldo Gonçalves ressaltou que muitos ambulantes vendem produtos fora da lei e informou que enviaria ontem um ofício a Crivella reclamando do “estado caótico das calçadas e da desordem pública”.

Para o arquiteto e urbanista Manuel Fiaschi, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-RJ, a ideia da nova barraca é boa, mas o design precisa ser repensado.

— Acho a ideia válida, mas o design da estante teria que ser melhor pensado, já que isso deve ficar alguns anos na rua. Até porque serão produzidas milhares dessas peças, e isso vai ficar na paisagem carioca. Isso tem que ter estabilidade e beleza, design bonito. Achei muito simplificado, o pé é uma coisa qualquer, a tela, qualquer. Tinha que perder um pouquinho de tempo desenhando isso. Uma solução de design simples e funcional, um expositor de produtos. E sou contra publicidade nesses estandes. Vai poluir o visual. Para ser durável, é preciso ser bonita — analisou Fiaschi.

FONTE: EXTRA

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