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Astronomia

Nova janela ao universo

A dra. Almeira Sampson analisa a importância do prêmio Nobel 2017 ter sido direcionado aos detectores das ondas gravitacionais

Rose Domingues

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18/10/2017 11h35 | Atualizada em 18/10/2017 12h13

Nova janela ao universo

Luci Mary Dias Rosal

Neste mês o prêmio Nobel de Física foi dado aos cientistas que detectaram as ondas gravitacionais descobertas por Albert Einstein há mais pouco mais de 100 anos. Mas tudo isso só foi possível graças ao investimento que os países desenvolvidos dão à ciência. O resultado demonstra que o Brasil perde muito por não fazer o mesmo. Confira a análise da Dra Almeira Sampson no artigo que segue abaixo.

 

Em muitos casos não percebemos as mudanças históricas que ocorrem em nossa era, somente somos conscientes destas quando vemos seu impacto social a posteriori. A quarta-feira 04 de outubro outorgou-se o Prêmio Nobel de física de 2017 a R. Weiss, B. Barish e K. Thorne por sua “Contribuição decisiva aos detectores de Ligo e a observação de ondas gravitacionais”. Talvez estejamos perante um marco histórico que marcará uma mudança de Era.

 

Mas, o que são as ondas gravitacionais? Albert Einstein no ano de 1915 formula a Teoria da Relatividade Geral, a qual unifica os conceitos de espaço e tempo e, além disso, os relaciona com a matéria. Uma das principais predições desta teoria são as ondas gravitacionais; a matéria em movimento acelerado libera energia de origem gravitacional que perturba o espaço-tempo e propaga-se em forma de ondas, que são em si mesmas a distorção do espaço-tempo, fazendo com que as distâncias se estiquem ou encurtem, e que os relógios vão mais rápido ou mais devagar.

 

A primeira detecção de ondas gravitacionais foi realizada em 14 de setembro de 2015 pelo Observatório por interferometria laser (LIGO), localizado nos Estados Unidos. Até agora tem se registrado quatro observações, a última em 27 de setembro do ano passado, realizado pelo observatório VIRGO na Europa, consolidando a existência das ondas gravitacionais.

 

A iniciativa para a criação de observatórios surge no final dos anos 60, mas não é senão até 1992 que é fundado o LIGO, com financiamento da National Science Foundation dos Estados Unidos e promovido por R. Weiss no MIT e K. Thorne em Caltech. Seu custo, por volta de 620 milhões de dólares, ilustra-nos o grande impacto que tem um forte investimento em ciência. A colaboração científica do LIGO (LSC), liderada por B. Barish, de 1.062 cientistas de 16 países - figurando entre os países latino-americanos somente e timidamente o Brasil, através do ICTP-SAIRF e o INPE - nos mostra a união da comunidade científica mundial em função da busca pelo conhecimento.

 

Podemos perguntar-nos: qual é a relevância destas descobertas? Com a detecção das ondas gravitacionais estamos no mesmo ponto que Galileu quando apontou para o céu com seu telescópio. Estamos perante uma nova era na astronomia, onde teremos acesso a eventos que antes somente podíamos teorizar; representando uma nova janela para entender o Universo.

 

Almeira Sampson Sandia - Dra. em Física. Docente de Eng. Civil Industrial de la Universidad San Sebastián-Valdívia (Chile) e docente da Universidade de Cuiabá

 

 

 

 

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