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ROSEMAR COENGA

A MONTANHA DA ÁGUA LILÁS: UMA FÁBULA PARA TODAS AS IDADES

Artigo da coluna "Ala Jovem" desta semana no jornal Circuito Mato Grosso

Rosemar Coenga

Colunista

17/05/2015 10h00 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00


Um dos maiores nomes da literatura angolana, Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, mais conhecido como Pepetela, nasceu no dia 29 de outubro de 1941 em Angola, na região litorânea de Benguela. Boa parte de sua obra só foi lançada depois de seu retorno do exílio. Entre seus livros mais importantes estão Muana puó (1978), As aventuras de Ngunga (1979), Mayombe (1980), A geração da utopia (1992), Parábola do cágado velho (1996), A gloriosa família (1997), O planalto e a estepe (2004). O conteúdo deles gira especialmente em torno da história de seu país, tanto a mais distante quanto a recente trajetória social e política.



A montanha da água lilás: fábulas para todas as idades (2013) foi publicado pela FTD, com ilustrações de Maurício Negro e prefácio e notas de Benjamin Abdala Júnior. Dedicado a Lueji, a filha do autor, A montanha da água lilás: fábula para todas as idades é uma obra narrada por um ancião à luz da fogueira, em plena noite africana, cuja magia tem como propósito agradar o leitor de qualquer idade.

Na Apresentação do livro, o narrador adverte: “Eu só escrevi aquilo que o avô nos contou, não inventei nada”. Pepetela incorpora ao texto escrito o modo de circulação das narrativas orais. Narra o autor a história de uma montanha habitada por uma comunidade de seres especiais, os Lupis. Esta comunidade vive em harmonia até ao dia em que é descoberta uma nascente de Água Lilás. O misterioso líquido possui atributos muito cobiçados pelos três grupos de Lupis: os Cambutas (distraídos e emotivos), os Lupões (organizados e cerebrais) e os Jacalupis (preguiçosos e egoístas). De uma forma que nos é tragicamente familiar, a disputa por este novo recurso natural fomentará brigas e divisões no seio da comunidade, que agora se estratifica e hierarquiza cada vez mais em busca de uma nova ordem social.

A montanha da água lilás entrelaça, com maestria, linguagem poética e aguda visão crítica da sociedade.



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