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Rio para não chorar

Texto: Valéria del Cueto   Nada de um lado nem do outro, apesar de ser verão no Rio de Janeiro. Praias cheias, prateleiras vazias, preços nas alturas, atendimento abaixo da crítica.  

02/02/2014 10h30 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Gente saindo pelo ladrão. E esse(s) fazendo a festa por que o público alvo está uma fartura só. Arrastão nas praias, nas ruas. Ouviu falar no relato de uma mulher foi assaltada em Copacabana? Roubaram... sua quentinha na saída do restaurante.
A temporada está aberta para todos. Democraticamente. Assim é o Rio da Copa e das Olimpíadas. Um caldeirão fumegante com praias sujas para quem te quero.
E essa não é uma visão de pessimista, de quem está torcendo contra. Quem convosco dialoga é simplesmente apaixonado pela Cidade Maravilhosa que sofre nas mãos de seus algozes.
Essa semana, um celular foi causador de uma tragédia que parou a cidade.
Ocupado com a conversa, o motorista não reparou que a caçamba do veículo trafegando em horário proibido pela linha Amarela, uma das vias expressas mais importantes da região metropolitana, estava levantada.
Ao bater numa passarela de pedestres, ela derrubou a estrutura projetando pedestres e esmagando carros. Cinco morreram. O tal celular vai ser condenado, sem dúvida.
Afinal, a administradora da via que não barrou o passeio do caminhão não tem culpa. A prefeitura que tem seu adesivo “salvo conduto” no caminhão (tipo “a serviço”), que não trabalhava para ela também não.
A caçamba que milagrosamente se elevou aos céus tentando um voo refrescante mais longe do asfalto, muito menos, assim como o responsável pelo bom funcionamento da instalação elevatória.
O motorista que estava no lugar errado, na hora errada, com o equipamento acionado de forma errada também não teria tanta culpa se... não estivesse falando no celular, o mordomo da era tecnológica.
Isso é o Rio de Janeiro. Não é a toa que seu codinome é cidade Maravilhosa. Admirada pelo mundo e amada incondicionalmente pelos cariocas.
Os mesmos que a própria prefeitura responsabiliza e aponta o dedo quando junta a montanha de lixo nas praias e indaga numa imagem que correu mundo: ”Esse é o presente que o carioca deixa para a cidade?”. Diz aí, cara pálida, com o tsunami turístico desse janeiro, só nós?
Se não fossem os nossos segredos cariocas seria difícil suportar tanta pressão e alguma maledicência.
Um desses segredos são nossas rotas de fuga. Elas nos permitem, ao menos por uma temporada, abrir mão de nossas paisagens mais conhecidas como Copacabana, Ipanema, o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, supermercados, bares da orla e restaurantes a quilo para a horda de turistas que nos invadem.
Tão longe dos olhos, tão perto de nossos corações. Ao lado do tumulto sempre existem refúgios. Eles nos permitem re-unir nossas forças a espera de que o paraíso recupere seu status natural e volte a ser um lugar amigável que faz parte da lenda do bem viver no Rio de Janeiro.
Até lá, podemos trocar o lado do morro e adotar a Urca como point mais frequente e deixar de lado nosso espetacular Jardim Botânico e passear nas ameias da Casa de Rui Barbosa, em Botafogo. A Lapa, lugar lendário da boemia carioca, que dez entre dez turistas sonham conhecer, faz tempo perdeu seu posto para a Pedra do Sal. E assim por diante.
Sob o sol do mesmo céu existem outras opções que fazem a alegria de quem quer algo a mais da cidade do que o simples e batido cartão postal...
Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “No rumo”, do SEM FIM... delcueto.wordpress.com





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