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João Manteufel Jr.: Coisas que gostaria de ter feito Antes

Estou trabalhando tanto nos últimos meses que minhas entrevistas têm sido a minha leitura. As entrevistas é que me mantêm informado. Por exemplo, o dia de hoje. De manhã, aula de sensibilidade e choque regional com José Medeiros. Depois, uma nova visão política com Lúdio. À tarde, um balde de risadas e histórias com o famoso Osmar da Época.

10/10/2013 16h06 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

– Seu João, porque você entrevista tantas pessoas? – pergunta Didi, meu motorista.
Uma boa e excelente pergunta. Entrevisto as pessoas para me manter informado, ou me informo para entrevistar as pessoas? Aprende algo consistente ou apenas mergulho nas opiniões? Livros são opiniões de uma pessoa, só que escritas. A internet também é superficial. Tenho ânsia de saber.
– Seu João, por que você nunca entrevistou a sua avó, Dona Lola? – interrompe Didi mais uma vez meus pensamentos.
Eu sempre pensei muito no eu. E esquecia das pessoas a minha volta. Eu mesmo sei muito pouco de meus avós, Seu Edvino e seu Almerindo. Sei que meu avô por parte de pai era agricultor e meu avô por parte de mãe foi fazendeiro. Minha avó Dalila era tão apaixonada por meu avô que faleceu anos depois. Talvez por isso goste tanto da Dona Lola.
– Vó, pode confiar em mim. Vou cuidar direitinho – falo pra ela logo que voltei do Rio, quando fui morar na sua casa da chácara.
– Eu confiar em você por quê? Nunca convivi com você. Não conheço o seu caráter.
Essa é a minha avó. Personalidade forte. E ela tinha completa razão. Dos meus 38, cheguei aqui com 17. Dos 21 anos que me sobram, vivi 15 fora. Os outros 6, gostava mais de uma balada do que uma festa em família. Depois que conheci Joãozinho, vi o quanto tempo tinha perdido. Nesse ano que voltei, tentei me aproximar dela. E também dos meus pais. Ficar 11 anos sem conviver quase diariamente necessita até de um tempo de adaptação. Vou entrevistar minha avó pra saber como era, de entrevistar meu pai para saber como os pais deles eram. Documentar para meus filhos, netos, quem era sua família. Utilizar da tecnologia para aumentar o conhecimento da nossa família. Vou começar agora dia 11, no seu aniversário de 87 anos.
– Seu João, não quero ser chato, mas por que o senhor nunca responde as minhas perguntas?
– interrompe definitivamente meus pensamentos.
Joões.
É estranho quando se conhece algo estranho. É estranho ver o presente e lembrar da origem. É estranho ter o mesmo nome e ser totalmente diferente. É estranho quando se é de peixes e outro de áries. É estranho escutar a mesma coisa que você ia falar.
É estranho ter os sonhos e o mesmo modo de pensar. É estranho ser nômade, e sempre ter um lugar para voltar. É estranho conhecer o erro no espelho e ainda assim se orgulhar. É estranho como nas dificuldades sobra união. É estranho misturar amizade e admiração, ainda mais quando chega no peito, aperta o coração. Fazendo bater aquele íntimo desconhecido. Deus salve a sombra da dúvida, que aumenta a lúcida e luminosa clareza do descobrimento: pai, amo muito você. Mesmo do meu modo estranho.
Nós vamos vencer.





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