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Autonomia

Todos conhecem a situação de penúria em que vive o nosso ensino superior. Recentemente uma pesquisa internacional selecionou as oitenta melhores universidades do mundo. Ocupamos uma colocaçãozinha no final da lista.

09/02/2013 03h00 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00


O motivo para esse pífio resultado é produto de múltiplos fatores. Dentre eles considero a absoluta falta de autonomia universitária o fator mais importante.

Infelizmente nossas universidades não desempenham suas funções principais, como a fabricação de novos conhecimentos e o exercício da crítica.

Hoje elas não passam de meros aparelhos do governo, implantados nos campus universitários para perpetuar grupos políticos no poder e executar projetos elaborados de cima para baixo.

A falta de autonomia universitária torna-a vulnerável aos intrusos que, incapazes de resolverem os seus problemas, e com o pretexto de ajudar a instituição de ensino, estão apenas repassando responsabilidades.

O governo do Estado não demonstrou vontade política para construir o seu Hospital de Clínicas, que atenderia a todo o Estado e região.

Em compensação, com migalhas de recursos de emendas parlamentares, se postou como se fosse da sua atribuição o comando da construção de um novo Hospital Universitário da UFMT na Estrada de Santo Antonio de Leverger para resolver o problema do Estado de Mato Grosso.

A prioridade desse novo hospital será a formação de excelentes profissionais de saúde

O velho HUJM está cheio de esqueletos de obras iniciadas com recursos estaduais e totalmente abandonadas, como é o caso do Centro de Diálise Renal.

O Estado necessita com urgência de um hospital com perfil assistencial para atender toda a região. É diferente do hospital de ensino, mais voltado para a formação profissional e para a pesquisa, e o seu custeio é maior que o assistencial,

O governo estadual tem como modelo de gestão eficiente as polêmicas Organizações Sociais de Saúde (OSSs), maciçamente divulgado pelo Informe Publicitário como excelente, mesmo atendendo de porta fechada seus pacientes, para dar lucro.

O lucro do hospital de ensino é a qualificação dos seus médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e toda a diversificada equipe de saúde, além de atender de forma humanizada os seus pacientes.

Causa estranheza a passividade com que a administração universitária a tudo isto assiste.

Tenho minhas razões para me preocupar com essa política estadual com relação aos hospitais universitários.

Existe, inclusive, uma intenção da estadualização do Hospital Geral Universitário (HGU), administrado hoje por uma Universidade privada.

Corremos o risco de, sob a gerência do Estado, ficarmos sem os hospitais assistenciais e terminar por vez com a qualidade técnica dos hospitais universitários, prejudicando a formação dos profissionais da saúde.

Se houvesse autonomia universitária, fatos como esses jamais aconteceriam e, cada macaco ficaria no seu galho.



Gabriel Novis Neves





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