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EDIR PINA DE BARROS

Transitoriedade

Da Redação

Equipe

24/01/2022 14h39 | Atualizada em 02/02/2022 10h20

Não te aflijas com a pétala que voa,



Também é ser, deixar de ser assim.

(4°. Motivo da Rosa, Cecília Meirelles)



Não te aflijas se, aos poucos, despetalo,

Apenas sou, se me desmancho assim...

Jamais serei eterna no jardim,

Altiva e perfumada sobre um talo.

Expresso muito mais, quando me calo,

E, se desbota a minha cor carmim,

Tudo transmuda, nada tem um fim,

Viver-morrer, resisto no intervalo.

Eu deixo versos onde quer que passe,

Um pouco, enfim, de mim, no desenlace

Das pétalas que, soltas, vão-se embora...

Versejo porque morro a cada instante,

Renasço em meus poemas, sigo avante,

Enquanto, em meu entorno, tudo enflora.

Edir Pina de Barros é membro da Academia Brasileira de Sonetistas e da Academia Virtual de Poetas de Língua Portuguesa. Seus poemas estão disponíveis em vários livros, antologias, revistas eletrônicas e nas mídias sociais. É doutora e pós-doutora em Antropologia pela USP, professora aposentada (UFMT). Nasceu no Mato Grosso do Sul e hoje reside em Brasília.



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