PUBLICIDADE
ANNA MARIA RIBEIRO COSTA

22: entre vaias, aplausos e panelaços

Da Redação

Equipe

19/01/2022 15h16 | Atualizada em 27/01/2022 17h03 1 comentario

22: entre vaias, aplausos e panelaços

Divulgação

Começou a circular o 22!



Com o Calibre 22, herança de Rubem Fonseca (1925-2020), desmontemos o palco da escancarada desigualdade social, a violência fundamentada por racismo, misoginia, homofobia e outros preconceitos. Em 22 são esperadas as comemorações do ducentésimo aniversário da Independência do Brasil e do centésimo da Semana de Arte Moderna. Sem falar da partida eleitoral que se prepara para entrar em campo. O ano promete!

No 22, Eduardo Bueno apostou na Independência do Brasil. Saindo do forno, Dicionário da Independência: 200 anos em 200 verbetes. Em tons de verde-amarelo, o jornalista trata com humor e criticidade o turbulento processo que culminou no rompimento do Brasil de Portugal. Nas estantes de anos anteriores, cito Personagens da Independência do Brasil, de Rodrigo Trespach, onde desfilam os principais nomes da emancipação política do país e da história do Sete de Setembro; Laurentino Gomes com 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado, também com uma versão destinada ao público juvenil.



Um século depois de o grito do Ipiranga do jovem Pedro de 24 anos, o panorama das artes brasileiras começou a sofrer mudanças, cujo marco foi a Semana de Arte Moderna de 22 ocorrida no Teatro Municipal de São Paulo. O Modernismo no Brasil, como passou a ser denominado, consistiu em um amplo movimento cultural que repercutiu fortemente sobre a cena artística e a sociedade brasileira. Nas palavras de Di Cavalcanti, “seria uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulista”.

22 também carrega na bagagem histórica brasileira a fundação do Partido Comunista do Brasil, o mais antigo partido político brasileiro, ainda que a ilegalidade esteja marcada na maior parte de sua existência. Nesse mesmo ano, a avenida Atlântica ouviu o som ritmado da marcha dos 18 do Forte, levante que pretendeu a queda da República Velha oligárquica com robusto vínculo ao latifúndio e aos fazendeiros na contramão dos ideais democráticos. 22 também festeja o nascimento da estação brasileira de rádio, Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada por Edgar Roquette-Pinto. Instalada no alto do Corcovado, a primeira transmissão radiofônica no país comemorou com o discurso de Epitácio Pessoa o centenário da Independência, quando chegou aos ouvidos da população de Niterói, Petrópolis e São Paulo.

Não há dúvidas de que 2022 continuará a honrar sua dezena. Desejo um ano de muitos aplausos, vaias e panelaços. O cenário brasileiro não permite silêncios.

Como beber dessa bebida amarga.

Tragar a dor, engolir a labuta.

Mesmo calada a boca, resta o peito.

Silencio na cidade não se escuta.

Pai, afasta de mim esse cálice, pai.

Afasta de mim esse cálice.

Afasta de mim esse cálice.

De vinho tinto de sangue!

Anna Maria Ribeiro Costa é etnóloga, escritora e filatelista na temática ‘Povos Indígenas nas Américas’.



1 COMENTÁRIO

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

  1. Mesmo com no grito preso na garganta, precisaremos, de alguma forma, 'tragar a dor e engolir a labuta", porque (praticamente) não tem como afastar este cálice que, por ser arredondado, não tem lado pior nem melhor (ainda).

Comente, sua opinião é Importante!

PUBLICIDADE