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ANNA MARIA RIBEIRO COSTA

Centenário de Paulo Freire: Sacizada em festa

20/09/2021 11h20 | Atualizada em 20/09/2021 11h30 1 comentario

Ontem, dia 19 de setembro foi aniversário do grande educador Paulo Freire. Pelos seus 100 anos, Recife, sua cidade natal, está em festa. Aliás, diversas cidades do Brasil e de outras da América comemoram a data. É mundialmente reconhecido por seu método de alfabetização aplicado com êxito entre cortadores de cana-de-açúcar em Angicos, Rio Grande do Norte, desenvolvido nos anos de 1960.



No Brasil, durante a ditadura civil-militar, foi acusado de “subversor dos menos favorecidos”. Preso em 1964, depois de 72 dias na prisão, partiu para o Chile, na condição de exilado. Trabalhou por cinco anos no Instituto de Capacitação e Investigação em Reforma Agrária, momento em que escreveu seu mais famoso livro, “Pedagogia do Oprimido”, de 1967, lido por mim após a conclusão do curso de História, um presente de minha mãe Wilma, sempre atenta aos meus interesses literários.

A pedagogia crítica de Paulo Freire correu o mundo. Como único autor, escreveu mais de 20 livros e 13, em coautoria. Em nível mundial, Paulo Freire é o terceiro teórico mais citado em trabalhos na área das Ciências Humanas. Traduzidos em mais de 20 idiomas, somente em língua inglesa foram publicados mais de 500 mil exemplares. Foi agraciado com mais de 40 títulos de doutor honoris causa.



Para homenagear Paulo Freire, convoco a sacizada de Monteiro Lobato, aquela de “A contagem dos Sacis”. Sacis? Mas o que tem a ver Sacis com Paulo Freire? Por ser adepto ao termo “sulear”, isto é, aos saberes do Sul, dos países abaixo da linha do Equador, Paulo Freire foi praticante do verbo ligado à epistemologia do saber das terras do Sul. Por defender e valorizar a identidade nacional, ricamente diversificada, lutou para que a Educação refletisse as vivências regionais/nacionais e para diminuir as marcas do Norte que oprime os povos do Sul. Sua proposta pedagógica dá visibilidade à ótica do Sul, oposta à lógica eurocêntrica dominante, onde o Norte é entendido como referência universal.

Monteiro Lobato iniciou sua vida de escritor em 1918, com o livro “Saci-pererê: resultado de um inquérito” (livro para o público adulto). Em 1921 chegou “O Saci” e, em 1947, “A contagem dos Sacis”, ambos direcionados às crianças e aos adolescentes. E o Saci foi xeretando outros livros de Lobato, em contato com a turma do Sítio do Pica-pau Amarelo.

Em seu centenário, os Sacis, que se reúnem uma vez por ano para que seu chefe faça a contagem, inclusos aqueles que moram no interior de garrafas, mas soltos por conta do censo, têm mais o que fazer. Irão festejar o aniversário do velhinho barbudo com reconhecimento mundial que queria “ser lembrado como um homem que amou profundamente o mundo e as pessoas, os bichos, as árvores, as águas, a vida.”

Quem faz aniversário é Paulo Freire. Mas, o presente é nosso: 17 obras de sua autoria, disponíveis na página do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul: https://cpers.com.br/paulo-freire-17-livros-para-baixar-em-pdf

Anna Maria Ribeiro Costa é etnóloga, historiadora, escritora e filatelista na temática ‘Povos Indígenas nas Américas’.



1 COMENTÁRIO

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  1. Excelente! Homenagem com dimensão infinita. Parabéns e sucesso.

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