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RENATO PAIVA

A Montanha pariu um rato

02/08/2021 07h58 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00 2 comentarios

O voto impresso neste momento é desnecessário, inoportuno e escandalosamente perdulário. Desnecessário porque pretende corrigir um problema que não existe; inoportuno, diante da falta de tempo para ser aprovado neste ano, e perdulário, posto que desperdiça um dinheiro do povo com algo absolutamente inútil.



Mas isso virou uma obsessão para o Presidente, da qual ele não vai desistir, mesmo porque é um traço de sua personalidade encucar com fantasias que ele mesmo cria.

Para entender o tamanho da paranoia do Presidente – aqui no sentido de ver problema onde não há – é bom lembrar como funcionam as eleições no Brasil. Elas são comandadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, pelos Tribunais Regionais Eleitorais e pelos Juízes de primeira instancia nos municípios. O primeiro tem, a cada mandato, sete ministros, sendo três do STF, dois do STJ e dois juristas de notável saber, além do Presidente. Os tribunais estaduais tem dois desembargadores, dois juízes estaduais, um juiz federal e dois advogados de reputação ilibada.

A Urna Eletrônica funciona no Brasil há 25 anos. Durante este período o TSE teve 15 diferentes ministros do Supremo como presidentes. Do STF ainda vieram, como membros, o dobro destes e outros tantos do STJ. Nos Tribunais Regionais, atuaram dezenas de desembargadores e juízes em cada estado, além de milhares de magistrados de primeira instância em todo o País.



Assim, neste ¼ de século de funcionamento da Urna, dezenas de milhares de profissionais do mais alto nível participaram das eleições no Brasil, sem nunca terem notado qualquer fraude no processo.

Entretanto, como o Presidente Bolsonaro afirma que houve tramoia nas eleições passadas, concluímos que os participantes (juízes, desembargadores ministros, advogados) agiram desonestamente no processo, fazendo vista grossa, ou são incrivelmente ingênuos e despreparados.

Sendo impossível que tantos desconhecidos se unam para cometer uma fraude e que, pela própria formação, é impensável que estes operadores do direito sejam incapazes ou néscios, resta uma terceira opção que é a leviandade ou má fé de quem põe em dúvida a probidade e a competência dos que comandam as eleições no País.

Fico com a má fé. Como já estamos no mês de agosto e não há mais tempo de aprovar o voto impresso e que existe uma clara rejeição dos parlamentares contra a proposta, tudo indica que estão preparando um golpe para contestar o resultado eleitoral de 2022, se for desfavorável ao atual presidente.

Na fábula de Esopo a Montanha prenhe, contrariando a expectativa geral, após gemidos e gritos medonhos, pariu um mísero rato. Aplica-se esta história à pessoas que prometem muito e nada entregam. Foi o caso do Presidente Bolsonaro que anunciara provas contra o sistema eleitoral brasileiro, que seriam reveladas na Live desta última quinta-feira. Ao final de duas horas de embromação, absolutamente nenhum fato novo foi apresentado. Aliás, admitiu, ao contrário do que sempre disse, não ter provas das denúncias. Mas, para tentar sair do vexame, ele agora inverte o ônus da prova: não cabe mais ao acusador demonstrar a culpa, mas ao acusado comprovar a inocência.

Pior que a Montanha de Esopo, nem um rato ele pariu; sua prenhez é psicológica.

Renato de Paiva Pereira – empresário e escritor

renato2p@terra.com.br



2 COMENTÁRIOS

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  1. Artigo primoroso. Parabéns ao articulista. De fato, as acusações de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas são infundadas. Como se viu, nesta quinta-feira (5/8). a PEC do voto impresso foi rejeitada pela Comissão Especial da Câmara. O parecer vencedor contrário à PEC será ainda analisado pelo Plenário da Casa, onde o novo relator deverá sugerir o arquivamento da proposta. Tudo indica que realmente a tal PEC do voto impresso será postergada para o futuro, o que representa uma significativa derrota para o presidente Jair Bolsonaro. Todo esse barulho e bravata de Bolsonaro pela adoção do voto impresso, na verdade, nada tem a ver com falhas nas urnas eletrônicas ou fraudes em eleições passadas. O nome disso é desespero!! A cada dia que passa, é cada vez maior a insatisfação do povo em relação ao mandatário da nação. É o que mostram todas as recentes pesquisas de intenção de votos para 2022. É com isso que Bolsonaro tem se preocupado. E o culpado por essa crescente rejeição ao presidente da República não é outro, senão ele mesmo. Sua atuação como presidente da República tem sido até aqui uma demonstração gratuita de estupidez profunda. Seu governo não é somente péssimo, mas também trágico e letal para o povo: mais de 500 mil brasileiros mortos, e Bolsonaro fazendo motociatas por aí em clima de festa. Pergunta-se: para comemorar o quê ??!! O descaso do presidente bolsonaro com a pandemia e as milhares de mortes dela decorrentes é intolerável e revoltante, e mostra de forma clara o seu imenso desprezo pelo povo brasileiro, revelando o que parece ser uma certa vocação fascista cada vez mais explícita nas ações e falas do presidente da República. Para muitos que o apoiaram e financiaram sua ascensão ao poder, Bolsonaro foi uma grande decepção. Percebem agora que o tal “mito”, na prática, não passa de um político despreparado, fraco, inconsequente, inseguro e vacilão. Não por acaso, os maiores jornais do país – O Globo, o Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo -, em editoriais recentes e incisivos, fazem duras críticas ao governo Bolsonaro, e dão o tom do que sucederá ao Brasil se o “capetão” se perpetuar no poder. Bolsonaro sabe que seus dias de presidente estão contados e tentará de tudo - TUDO – para permanecer no poder. E consciente disso, o inquilino do Planalto tenta ganhar sobrevida, agarrando-se ao Centrão. Esquece-se o desastroso Bolsonaro que o Centrão é um bloco político instável, volúvel, oportunista e por vezes infiel. Mais cedo ou mais tarde o abandonará e o lançará na cova dos leões. De 2022, não passará. Será derrotado nas urnas no 2º turno, seja qual for seu adversário. Quem viver, verá !!

  2. Que meteria!!!

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