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ANA MARIA RIBEIRO COSTA

Dia da consciência negra

20/11/2020 20h06 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

O Dia da Consciência Negra ou Dia do Zumbi dos Palmares foi introduzido no calendário escolar durante o governo de Dilma Rousseff (Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011) para enaltecer a consciência negra, a lembrar da luta do último líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi dos Palmares, localizado no município de União dos Palmares, Alagoas.



Zumbi, personagem de violentas páginas da história do Brasil do século XVII, passou a representar um símbolo de luta e resistência dos negros escravizados e de luta por direitos de inclusão social, de leis que torne obrigatória a criminalização do racismo, políticas públicas que possibilitem a maior participação do negro nos espaços de trabalho e da educação e de tantos outros.

A passos lentos, as reivindicações vêm sendo atendidas e cumpridas. Na política, por exemplo, a participação de pessoas negras e pardas ainda carece de expressão quantitativa. Recentemente, o Portal Geledés publicou: “A cada 10 prefeitos eleitos no 1º turno, apenas 3 são negros, [...] proporção que segue muito abaixo do verificado no país, já que mais da metade da população é negra”. Sobre as eleições ocorridas no último dia 15, o mesmo portal informou que o maior quilombo do Brasil elegeu pela primeira vez o prefeito Vilmar Souza Costa, mais conhecido como Vilmar Kalunga, efeito para a Prefeitura de Cavalcante, Goiás. Nesse pleito eleitoral, Kalunga é o único quilombola a conquistar uma prefeitura no país.

No Brasil, pessoas negras continuam na invisibilidade. No pensamento de Silvio Almeida, “temos um sistema de Justiça que funciona a partir do que chamamos de seletividade. Ele é parte de uma estrutura social que precisa funcionar reproduzindo uma lógica socioeconômica de desigualdades, uma lógica de separação que precisa o tempo todo ser alimentada e que vai organizar tanto a economia como também as próprias instituições políticas.



É preciso que se faça valer a igualdade social para que a hegemonia branca não continue no degrau do pódio. É necessário retirar da invisibilidade personalidades negras, com seus feitos ainda tão desconhecidos para a maior parte da sociedade brasileira. Onde estão nos livros didáticos?

Neste sentido, proponho uma utilização aos post’it de Emicida que decoram a parede de fundo do espaço onde o rapper passou a se apresentar semanalmente após a chegada da pandemia Covid-19 ao Brasil. Em tempos de isolamento social, no programa televisivo “Papo de Segunda”, ao lado de Fábio Porchat, Francisco Bosco e João Vicente, Emicida criou uma parede de fundo com certa parecença ao estúdio onde ocorriam as gravações do programa. A fim de dar um destino aos papelotes coloridos, pois se acham em branco, sugiro que sejam escritos nomes de personagens anônimos da história do Brasil.

Tributo póstumo: tempo e espaço misturados: Dandara Palmares (?-1694), Joaquim Pinto de Oliveira, conhecido por Tebas (1721-1811), Valentim da Fonseca e Silva (1745-1813), Esperança Garcia (1751-?), Maria Firmina dos Reis (1822-1917), Francisco José do Nascimento (1839-1914), Estevão da Silva (1845-1891), Antonieta e Barros (1901-1952), Laudelina Campos de Melo (1904-1991), Abdias do Nascimento (1914-2011), Theodosina Rosário Ribeiro (1930-), Francisco Dias Martins, conhecido por Mão Negra (?), Antônio Mulato (1905-2018), Oliveira Ferreira Silveira (1941-2009) e tantos outros, tantas outras... Personagens africanos e afro-brasileiros que precisam constar nos livros didáticos, nos corações orgulhosos dos brasileiros.

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