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EDIR PINA DE BARROS

Conquista da América

20/11/2020 20h00 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00 1 comentario

E foi assim que tudo teve início:
o sórdido presente, o gesto, o agrado,
e o espaço, pela cruz, foi consagrado,
em falsa paz, mantendo-se o suplício.
 
A faca, o espelho, a oferta do machado,
em nome da amizade, benefício,
o brinde que, ofertado, trouxe o vício,
o território logo conquistado.
 
Com sangue se lavou toda essa terra
e proclamada foi a “Santa Guerra”,
que logo se espalhou pelos espaços.
 
Oh! América indígena! Que sorte!
O espelho se quebrou de sul a norte,
restando pelo chão seus estilhaços. 



Edir Pina de Barros é membro da Academia Brasileira de Sonetistas e da Academia Virtual de Poetas de Língua PortuguesaParticipa do livro 80 Balas, 80 Poemas (versão virtual, Zunái, 2.020, Org. Claudio Daniel) e das coletâneas Poesia em tempos de barbárie e A noite dentro da Ostra (Lumme Editor, ambas 2.019, Org. Claudio Daniel).  Seus poemas estão disponíveis em mais de dez livros e em revistas eletrônicas (Ruído ManifestoPortal VermelhoQuatetê, Ser MulherArte e outras).  É doutora e pós-doutora em Antropologia pela USP, professora aposentada (UFMT). Seu livro, Os Filhos do Sol (EDUSP, 2.003), foi indicado ao Prêmio Jabuti 2004 pela Universidade de São Paulo.  Nasceu no Mato Grosso do Sul e hoje reside em Brasília.  

 



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1 COMENTÁRIO

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  1. Belíssimo soneto, em cujos versos a excelência da poetisa Edir nos conta os artifícios e as tramas ardilosamente perpetrados diante de uma plateia incauta, ingênua e facilmente manipulável, nossos indígenas! Uma realidade que é contada por muitos como glória, mas, que na verdade, eu diria vanglória! Parabéns, poetisa e confreira Edir Pina de Barros!

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