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RENATO PAIVA

 Perigo à vista

23/03/2020 06h31 | Atualizada em 28/03/2020 10h12

 Perigo à vista

Divulgação

Tá tão ruim a situação mundial com o avanço do coronavírus que nem se pode dizer que, no caso do Brasil, ela tenha piorado por conta dos desentendimentos entre o Bolsonaro, o Maia e o Alcolumbre.



Com esses desentendimentos a preocupação brasileira passa a ser não somente econômica e de saúde pública, mas sim com a preservação de uma democracia saudável mantendo o necessário respeito entre os três poderes.

Ex-ministros já disseram, quando perguntados sobre as influências dos auxiliares sobre o Presidente que ele é totalmente incontrolável. Na verdade é mesmo, como mostrou seu recente comportamento de domingo passado expondo-se em público quando o Ministério da Saúde recomendava recolhimento diante dos riscos representados pelo Covid-19.

Na segunda, rebatendo Maia e Alcolumbre que o chamaram de irresponsável afirmou que ninguém tinha nada a ver com o risco de ele pegar a doença.  No caso mostrou pouco conhecimento da situação: primeiro, um Presidente da República pegar uma doença não é como um cidadão comum fazê-lo; segundo o perigo no caso está mais na transmissão dele (presidente) para os outros do que o contrário, pois quem está em grupo de risco é o próprio Bolsonaro depois que alguns da comitiva que esteve com ele nos Estados Unidos testaram positivo para o Coronavírus.



O medo nesse momento de tensão não é só com a pandemia, pois está passará em breve, embora deixando a terra meio arrasada. Teme-se por uma ruptura institucional que pode ser subentendida com alguma dose de ilação nas declarações do Presidente na recente viagem aos Estados Unidos. Na ocasião criticou nosso processo eleitoral garantindo que as últimas eleições - que ele ganhou -foram fraudadas. Estranho que o fraudador tenha optado em adulterar o primeiro turno e deixado o decisivo – o segundo – intacto.

Alguns acham que ele (o Presidente) está preparando o discurso para uma eventual derrota nas eleições de 2022, momento em que contestaria os resultados com base na ideia de fraude eleitoral.

Para justificar afirmaria que sabia dessa possibilidade, tanto que já a divulgara antes, mesmo tendo ganhado as eleições de 2018.

Muitos estão convencidos, baseados em discursos pretéritos do então deputado, que o Presidente, diante de qualquer revés eleitoral, estaria disposto a romper o regime democrático, desde que, claro, contasse com o apoio do Exército. Entretanto o perigo parece pequeno, não que ele não esteja disposto a liderar uma ruptura, mas, porque o Exército não o acompanharia nessa aventura.

Para completar os infortúnios dessa semana começam a aparecer aqui e acolá movimentos – nos tais panelaços - pregando o “fora, Bolsonaro”. São ainda incipientes, mas ganham repercussão na mídia, talvez como uma represália ao Presidente que vive às turras com ela.

Não bastassem tantas mazelas vem ainda o Alexandre Frota protocolar o pedido de impedimento do Presidente e o 01 ofender os chineses, nossos principais parceiros comerciais.

Nestas horas é bom lembrar o ditado: “no meio do atoleiro não se troca de montaria”.  Mesmo, eu acrescento, que o cavalo seja redomão e baldoso é melhor seguir com ele até o fim do brejo.

Renato de Paiva Pereira – empresário e escritor

Renato@hotelgranodara.com.br

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