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CRISTIAN SIQUEIRA

O Inconsciente no Oráculo

16/10/2019 16h39 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00 1 comentario

Salve querido (a) irmão (ã)



No último domingo tivemos a alegria de concluir mais uma turma de estudantes do oráculo do Baralho Lennormand, ou cigano como ficou conhecido no Brasil. Uma turma maravilhosa de alunos para os quais dirijo um profundo agradecimento. Nesse ano ainda teremos mais dois cursos sobre outros temas ligados a espiritualidade, obstante, sem dúvidas cada curso, cada turma, cada momento, é único, sem comparação e especial. Um dos aspectos que abordo nesse curso em especifico é o que chamamos de INCONSCIENTE e é sobre ele que falaremos em nossa coluna dessa semana.

O termo vem do latim, inconscius, e também pode ser chamado de subconsciente. Segundo o entendimento da corrente psicológica da atualidade de modo geral, inconsciente seria o conjunto dos vários processos mentais que, sem intervenção da consciência, se desenvolvem em nosso sistema mental; Carl Gustav Jung define de forma simples e complexa sua visão a esse respeito: “consciência é o que conhecemos e inconsciência é tudo aquilo que ignoramos; o inconsciente não se identifica simplesmente com o desconhecido, é antes o psíquico desconhecido, ou seja, tudo aquilo que presumivelmente não se distinguiria dos conteúdos psíquicos conhecidos quando chegasse a consciência”. Jung prestou um imenso serviço ao entendimento dos oráculos quando desenvolveu e definiu a Teoria do Inconsciente Coletivo, uma ideia que sempre existiu, mas que nunca havia sido tão bem trabalhada e explicada até ele o fazer. Segundo essa corrente existe dentro de cada ser uma mente consciente e inconsciente, do mesmo modo que a coletividade também, como um todo, possui ideias coletivas que na grande maioria das vezes se manifesta de acordo com a visão social do grupo ao mesmo tempo em que existe; é graças ao inconsciente coletivo que somos capazes de atingir informações privilegiadas, ter premonições, navegar pelo reino dos oneiros entre tantos bem como também entender os aspectos religiosos atrelados aos mitos da nossa humanidade que se manifestam através do que chamamos de arquétipos. Arquétipos devem ser entendidos como modelos; o homem vem a terra para viver uma vida particular, obstante, ele se liga a sociedade se valendo de arquétipos que, inconscientemente, definem e formam a forma como ele se comportará nessa experiência chamada vida bem como também como ele será visto por essa sociedade da qual é integrante.

A ideia dos arquétipos é muito antiga, os mitos antigos são um exemplo claro disso. As religiões se valem até hoje da teoria dos arquétipos em palestras, conversas e ajudas com as diversas pessoas que as buscam. É curioso ir em algumas reuniões religiosas onde os palestrantes constantemente incitam o ouvinte a se adequarem a determinado arquétipo especifico dizendo “seja como Maria, seja como Jó, seja como Matheus, João, Pedro...” ; naturalmente não há problemas em se ter modelos ideais de vida, no entanto, não podemos nos esquecer que por baixo de todo arquétipo da humanidade existe alguém cuja vida, experiências, dores, também definiram e construíram um inconsciente pessoal, desse modo, o melhor caminho é se entender, para depois definir qual o arquétipo ideal a ser seguido que melhor adapta as suas experiências e mais definem sua busca e ser. Nesse sentido nossos irmãos africanos foram muito felizes naquilo que chamamos de Iniciação na Religião dos Orixás; antes de tudo devemos nos lembrar de que no aspecto religioso, cientifico, artístico, e filosófico, a iniciação é entendida como o processo de autoconhecimento e domínio de si, e, nesse aspecto, o processo de Iniciação será quase que uma afronta a si próprio, pois, entendemos que alguém que busque um Templo, uma Escola, um Sistema de Iniciação assume o compromisso de enfrentar-se com o propósito de dominar-se, isso é o que chamamos de conversão e que muito bem se resume na famosa “CONHEÇA-TE A TI MESMO”. Pois bem, na tradição africana praticada em algumas regiões e comunidades especificas, a Iniciação dos religiosos se dá por arquétipos ideais a cada caso em particular: digamos que alguém possua um comportamento X e busque melhorar acreditando que o comportamento Y seria mais adequado a ele. Em contato com um Sacerdote, através do oráculo, esse Sacerdote analisará a viabilidade dessa devoção e, caso seja propicia ao melhor desenvolvimento daquela pessoa, ele fará sua iniciação religiosa como devoto daquele Orixá marcando o inicio de uma busca continua daquela pessoa em desenvolver em si o arquétipo daquela divindade. O mesmo acontece em várias religiões, inclusive no catolicismo, em relação aos santos e seus devotos.



Nosso consciente se manifesta a nós pelas palavras; isso é claro através do processo de raciocínio quando dirigimos palavras a nós mesmos objetivando um determinado fim, esclarecimento, ou entendimento. Já nosso inconsciente se manifesta a nós através de símbolos, e, isso também é claro quando dormimos e temos sonhos premonitórios, ou quando oramos e meditamos e visualizamos imagens e símbolos que fazem sentido, ou não, para nós (não estamos aqui tratando dos aspectos mediúnicos, que isso fique claro). Os símbolos se diferem profundamente dos signos, pois, ao contrário desses, os símbolos devem passar por um processo de interpretação que faz muito sentido a quem ele se dirige ou a quem ele se mostra. Os símbolos são as palavras dirigidas pelo inconsciente á nossa mente e ideias.

No final de toda essa conversa você deve estar se perguntando o que tem a ver o oráculo com inconsciente? Pois bem, alguns oráculos, em um aspecto de entendimento cientifico, são manifestações do inconsciente ao consulente que o busca. Através de símbolos o inconsciente pessoal ou coletivo indica ao individuo caminhos favoráveis, decisões melhores, o destino próximo ou o passado distante, entre outra infinidade de possíveis duvidas ou necessárias explicações ao consulente. O baralho Lennormand é um exemplo claro disso; atendo consulentes diariamente com vários sistemas oraculares (Búzios, Cartomancia, Tarot, Runas, I Ching, Baralho Cigano, cafeomancia, etc) e é inquestionável o fato de que o brasileiro tem um “q” de intimidade com o Lennormand. Para mim isso se justifica pelo fato de que os 36 símbolos que compõem as laminas do baralho são íntimos do dia a dia do homem comum; livro, casa, sol, lua, são símbolos que o homem precisa encontrar diariamente e por isso acaba desenvolvendo uma linha de intimidade e correspondência direta com eles, sentindo-se até mesmo mais a vontade e receptivo frente às mensagens trazidas pelo oráculo.

Faço questão de sempre informar aos consulentes: os oráculos não são definidores de decisões, obstante colaboram no melhor entendimento das situações e momentos. Nenhum oraculista pode dizer o que você deve fazer obstante, ele tem a obrigação de na consulta ajudar-lhe a melhor compreender os motivos e razões que o levam até ele.

Aos oraculistas desejo uma semana cheia de bênçãos e estudos!

Aos consulentes desejo uma semana cheia de luzes e alegrias!

AGENDA - Fique atento aos nossos cursos presenciais de 2019

10/11 – Curso de Práticas de Benzimentos

08/12 – Workshop de Oferendas

Informações – 065 99286.3167

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1 COMENTÁRIO

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  1. Eu que agradeço por tudo. Amei o curso e pode ter certeza e contar comigo nos próximos cursos

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