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ANNA MARIA RIBEIRO COSTA

A ONU e as mulheres indígenas

20/08/2019 15h25 | Atualizada em 27/08/2019 10h53 1 comentario

A ONU e as mulheres indígenas

Divulgação

A Organização das Nações Unidas (ONU) implementou o projeto Voz das Mulheres Indígenas, em cooperação com a Embaixada da Noruega. O intuito é promover a participação e a mobilização social e política de mulheres indígenas de mais de duas centenas de etnias que atualmente habitam o Brasil. O projeto visa fortalecer “a atuação de mulheres indígenas em espaços de decisão dentro e fora de suas comunidades.” Como resultado, a ONU uma pauta nacional comum que atenda as mulheres indígenas de todas as etnias. A discussão possui cinco temáticas: “violação dos direitos das mulheres indígenas (incluindo a violência contra mulheres e meninas); empoderamento político e direito à terra e processos de retomada; direito à saúde, educação e segurança e tradições e diálogos intergeracionais.



Incluir mulheres indígenas nas questões que lhes dizem respeito é, sem dúvida, uma importante estratégia para encontrar soluções viáveis e pacíficas principalmente ao contato entre índios e não índios. Com visões diferentes e com base nos importantes e respeitáveis papéis desempenhados no interior de suas famílias, é possível vislumbrar novos tempos aos povos indígenas. Com o lema “território: nosso corpo, nosso espírito”, no dia 9 de agosto mulheres indígenas saíram em Brasília em defesa da Amazônia e da demarcação de terras indígenas. Durante a passeata, a indígena Célia Xakriabá declarou: “os corações, as mãos e os pés das mulheres indígenas também guardam conhecimento e será nós, mulheres indígenas, com os nossos corpos que vamos descolonizar essa sociedade brasileira que têm matado a nossa história e a nossa memória”. Saberes tradicionais e novos saberes se unem para trazer soluções de antigos problemas que há mais de cinco séculos assolam violentamente os povos indígenas.

A mulher indígena Nambiquara, dentro da concepção mais ampla que esta palavra abrange, é o próprio princípio da vida, no sentido de poder gerar filhos, perpetuar a espécie humana; o mel corresponde à pura doçura que um alimento pode oferecer, necessário ao ânimo, à alegria que todo Nambiquara busca como significação da felicidade; o urucum, que se encontra na narrativa mitológica referente ao surgimento das espécies vegetais, representa o sangue do menino que se transformou em plantas, imprescindíveis à boa saúde espiritual e corporal.

Na sociedade Nambiquara, a mulher é enaltecida pelos homens por sua jovialidade, beleza, disponibilidade e doçura. O ideal amoroso masculino nutre-se da associação desses atributos à aptidão em cumprir tarefas cotidianas no espaço da aldeia e, fora dele, aos méritos coletores, ou seja, pelo modo como as qualidades constitutivas do produto de seu trabalho se manifestam. Numa demonstração de carinho, mulheres ao falarem a seus esposos empregam uma norma gramatical como se ele fosse ouvinte feminino.



Com a Constituição Federal engavetada, as mulheres indígenas saem em passeata, vestidas com saberes novos e tradicionais para enfrentar antigas realidades com pendências seculares.

 

 

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