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ANNA MARIA RIBEIRO COSTA

Dia Internacional dos Povos Indígenas

05/08/2019 13h56 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00 2 comentarios

A riquíssima diversidade de povos indígenas do planeta Terra continua a enfrentar problemas da ordem da discriminação racial, social e econômica. O combate à exploração ilegal de suas terras e dos recursos naturais, além da falta de acesso a serviços de saúde e educação são desafios constantes de muitas etnias.



Não nos deixemos levar pela perplexidade que nos faz hirto como uma estátua diante à atual conjuntura política que promove o que há de mais catastrófico aos povos indígenas. Sem dúvida, a data é um momento apropriado para repensar sobre o contato de índios e não índios que, no caso do Brasil, dá-se há mais de 500 anos. Esse dia deve nos conduzir a um estado de ânimo que nos faça refletir sobre a positividade da convivência dos não índios com as centenas de etnias que atualmente habitam o território brasileiro. Há de se pensar sobre a troca de saberes que pode, com certeza, contribuir de modo significativo para a qualidade de vida de todos, indistintamente, bem como para a preservação do meio ambiente. Pode nos conduzir a uma relação mais racional e humana com a Natureza, também um sujeito de direitos.

A Assembleia Geral das Nações Unidas instituiu o “Dia Internacional das Populações Indígenas do Mundo”. Seu propósito foi o de reconhecer as realizações dos indígenas, com uma população de mais de 370 milhões, distribuída por cerca de 70 países, falante da maioria das línguas mundiais e que passa de geração a geração uma rica tradição cultural. É também um dia para refletir sobre os difíceis desafios que essas populações enfrentam: invasão de suas terras, subtração de seus direitos constitucionais, precário atendimento educacional e médico-hospitalar, em muitas aldeias, inexistente.

A data, também pensada para exaltar a riqueza cultural dos povos indígenas e sua cooperação para a família humana, deve levar aos não índios de todos os cantos do planeta a mirar para as populações indígenas, numa tentativa de compreender seus distintos modos de viver. Estatísticas alarmantes pairam sobre elas: em alguns países, os índios são 600 vezes mais vulneráveis à tuberculose em relação aos indivíduos das demais sociedades. Em outras, a expectativa de vida é 20 anos inferior a não indígena. Em algumas partes do planeta, suas línguas, religiões e tradições culturais são censuradas. 



Lideranças indígenas denunciaram na Organização das Nações Unidas o atual desmonte das políticas indigenistas, diante ao aumento da violência contra os povos indígenas e a invasão de suas terras para exploração ilegal de minérios. No mês passado, no Amapá, o cacique Emyra, da etnia Wajãpi, de 68 anos, foi encontrado morto. Seu corpo estava marcado por inúmeros golpes de faca, perfurações e mutilações. A morte por assassinato foi colocada em dúvida e o governo reafirmou a regulamentação dos garimpos em terras indígenas. O território da etnia Awá Guajá, no Maranhão, sofre invasão de madeireiros e coloca-os em risco de vida. A cada minuto, 533 árvores são derrubadas no Xingu. Ao comemorar o Dia Internacional do Povos Indígenas não cabe elencar aqui os casos de violência acometidos aos povos indígenas. Precisaria de muito, muito, muito espaço. Mas, há o relatório “Violência contra os povos indígenas”, importante instrumento de denúncia da violência e das violações que acometem aos povos indígenas, publicado desde 1996 pelo Conselho Indigenista Missionário (consultar https://cimi.org.br/observatorio-da-violencia/o-relatorio/).

De que forma nós, não índios, podemos comemorar o Dia Internacional das Populações Indígenas do Mundo? Em todo o planeta, os indígenas representam cerca de 350 milhões. De acordo com as Nações Unidas, sua situação de vulnerabilidade e exclusão representa 15% das pessoas mais pobres do planeta. No regozijo da riqueza das culturas indígenas, nosso comprometimento pode estar voltado para a contribuição ao bem-estar de todos. Ao alargar nosso círculo de responsabilidades às populações indígenas e numa ação mútua podemos fazer valer o estado de direitos humanos para que índios e não índios possam participar da criação de um progresso duradouro, calcado na paz, na solidariedade, na justiça. É um primeiro passo!

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2 COMENTÁRIOS

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  1. Como sempre a professora Anna arrasa nos seus textos!!! Um grande beijo de sua admiradora.

  2. É um prazer em poder te ver nessa reportagem, minha querida e amada professora Anna Maria. Beijjjjos!

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