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DRA. POLIANA PELISSARI

Constipação intestinal

10/06/2019 11h23 | Atualizada em 17/06/2019 11h06

A constipação se caracteriza por defecações difíceis ou infrequentes, fezes duras ou um sentimento de que o reto não está totalmente vazio após a defecação (evacuação incompleta). Muitas pessoas acreditam estar com constipação se não evacuarem todos os dias, mas é considerado normal evacuar entre 1 a 3 vezes por dia e 2 a 3 vezes por semana. Defecar menos frequentemente não indica, necessariamente, que existem problemas, a menos que ocorram alterações substanciais relativas aos padrões anteriores. O mesmo vale para a cor, o tamanho e a consistência das fezes. As pessoas frequentemente culpam a constipação por muitos sintomas (como desconforto abdominal, náusea, fadiga e falta de apetite) que, na verdade, resultam de outros distúrbios (como síndrome do intestino irritável e depressão).



A força excessiva durante a evacuação aumenta a pressão sobre as veias ao redor do ânus, o que pode causar hemorroidas e, raramente, a protrusão do reto pelo ânus (prolapso retal). A passagem de fezes duras pode causar rachadura na pele do ânus (fissura anal). Todas essas complicações podem tornar a defecação desconfortável e deixar as pessoas relutantes em defecar. Adiar as defecações pode causar um círculo vicioso de piora da constipação e de suas complicações. Pode ocorrer o surgimento da doença diverticular se as paredes do intestino grosso forem danificadas pelo aumento da pressão exigida para eliminar fezes duras e pequenas. Uma lesão nas paredes do intestino grosso conduz à formação de saculações em forma de balão (divertículos), que podem congestionar e inflamar (diverticulite).

Nas pessoas com constipação, às vezes ocorre uma compactação fecal, em que as fezes que se encontram na última parte do intestino grosso endurecem e bloqueiam completamente o trânsito das restantes. Essa compactação fecal provoca cólicas, dor retal e esforços fortes, porém inúteis, para defecar. Muitas vezes, surge material mucoso e aquoso ou fezes líquidas em volta da obstrução, o que dá uma falsa impressão de diarreia (diarreia paradoxal). A preocupação excessiva com defecar frequentemente faz com que muitas pessoas prejudiquem seus intestinos com o uso abusivo de laxantes, supositórios e enemas. Abusar desses tratamentos pode, na verdade, inibir as contrações normais do intestino e piorar a constipação. As pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) geralmente sentem a necessidade de eliminar resíduos “impuros” ou “toxinas” de seu corpo diariamente. Essas pessoas geralmente passam muito tempo no banheiro ou se tornam usuários crônicos de laxantes.

As causas alimentares são muito comuns. Desidratação causa constipação porque o corpo tenta conservar água no sangue através da absorção da água das fezes. Frutas, vegetais, cereais e outros alimentos contendo fibras são os laxantes naturais do trato digestivo. As pessoas que não comem estes alimentos suficientemente podem se tornar constipadas. A falta de fibra (a parte dos alimentos que não se digere) na dieta pode provocar constipação, já que a fibra ajuda a manter a água nas fezes e a aumentar o seu volume, facilitando o trânsito. Os medicamentos mais comuns que podem desacelerar os intestinos incluem os opioides, sais de ferro e medicamentos com efeitos anticolinérgicos (como muitos anti-histamínicos e antidepressivos tricíclicos. As pessoas que usam laxantes ou enemas com frequência perdem a capacidade de defecar sem tais auxílios. O resultado pode ser um círculo vicioso, com a constipação levando ao uso de mais laxantes e, por conseguinte, a mais constipação.



Em pessoas com constipação, certos sintomas e características são motivo de preocupação e inclui abdômen distendido e inchado, vômito, sangue nas fezes, perda de peso e nova ocorrência ou piora de constipação grave em idosos. Pessoas com sinais de alerta devem consultar um médico imediatamente, a menos que os únicos sinais de alerta sejam perda de peso ou nova constipação em idosos. Em tais casos, um atraso de alguns dias a uma semana não é prejudicial. Pessoas com constipação, mas nenhum sinal de alerta, devem ligar para o seu médico, que pode decidir quando precisam se consultar. Dependendo dos outros sintomas e dos distúrbios conhecidos da pessoa, os médicos podem querer examinar a pessoa em alguns dias ou simplesmente recomendar tentativas de alterações na dieta ou um laxante suave.

A necessidade de realizar exames depende de o que os médicos encontrarem na anamnese e no exame físico, particularmente se estiverem presentes sinais de alerta. Quando a causa da constipação é clara (como devido a medicamentos, lesões ou repouso em cama), os médicos geralmente tratam os sintomas da pessoa e não realizam exames. Pessoas com sintomas de obstrução intestinal passam por radiografias abdominais e, possivelmente, por uma tomografia computadorizada (TC). A maioria das pessoas sem causa clara ou cujos sintomas não foram aliviados com tratamentos devem fazer exames. Normalmente, os médicos realizam uma colonoscopia (para detectar câncer) e exames de sangue, para identificar uma glândula tireoide hipoativa (hipotireoidismo) ou altos níveis de cálcio no sangue (hipercalcemia).

As pessoas precisam ingerir fibras suficientes em suas dietas (geralmente de 15 a 20 gramas por dia) para garantir a produção adequada de massa fecal. Legumes, frutas e farelo de trigo são excelentes fontes de fibra. Muitas pessoas consideram conveniente adicionar duas ou três colheres de chá de farelo não refinado em cereais com alto conteúdo de fibra ou frutas, duas ou três vezes ao dia. Para que isso tenha resultado, a ingestão de fibra deve ser acompanhada da ingestão de bastante líquido. As pessoas devem tentar alterar seus hábitos. Por exemplo, as pessoas deveriam tentar defecar no mesmo horário todos os dias, preferencialmente de 15 a 45 minutos depois do café da manhã, porque ingerir alimentos estimula o movimento no cólon. Supositórios de glicerina também podem ajudar as pessoas defecarem regularmente e sem pressa.

É importante saber que a modificação da dieta e do comportamento é importante para tratar a constipação e as defecações diárias não são necessárias e que o intestino deve ter a chance de funcionar e que o uso frequente de laxantes ou enemas (mais de uma vez a cada três dias) não dá ao intestino essa chance. Espero ter ajudado elucidar um pouco sobre o assunto. Ótima semana a todos.

 

DRA POLIANA PELISSARI

MÉDICA GENERALISTA PELA UNIFENAS BH

 

 

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