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CRISTIAN SIQUEIRA

O fogo dos santos juninos

03/06/2019 16h19 | Atualizada em 12/06/2019 14h43

O fogo dos santos juninos

Divulgação

Cuiabá se veste de cores religiosas no mês de junho. As cores branco e vermelho de São João, as cores azul e branco de Santo Antonio , as cores verde e amarelo de São Pedro. A soma dessas cores forma as bandeirolas, típicas das festividades europeias, especificamente as portuguesas, da qual herdamos os cultos aos santos juninos.



Os 3 santos juninos, Antonio, João e Pedro, são figuras ligadas intimamente ao elemento fogo em sua manifestação de justiça. O fogo que queima o mal e renova a certeza da ação da justiça. Embora os cuiabanos celebrem fervorosamente em junho os santos Benedito e Senhor Divino, dos quais falaremos mais a frente, a manifestação da justiça representada pelo “trio ígneo” jamais foi deixada de lado. O calor cuiabano não impede a celebração da fogueira dos santos de junho; Essa fogueira que é acesa pelos devotos a séculos não é uma exclusividade católica; na verdade, o acender da fogueira e a celebração realizada ao seu redor, é tão antiga quanto as próprias religiões, ela era celebrada pelos índios iniciais do Brasil no culto á Itacurussá (madeiro de fogo),  era acesa por Moisés quando desejava falar com Deus, pelos Hindus em homenagem a Agni, pelos africanos em homenagem á Xangô, e a partir desses por uma série de outras religiões do planeta.

O fogo é a essência da criação. Segundo o mito da criação de Gênesis (Gênesis vem de Genese, o começo, a origem) a primeira ação da criação foi a existência da luz. A existência se manifesta através da luz, pois, a partir da luz nasce a escuridão, e nisso temos a primeira noção de polaridades do homem: a luz e a ausência dela. Dessa forma a luz é a primeira noção existencial do homem. Me lembro que quando era criança os cachorrinhos nasciam com os olhos fechados, paulatinamente iam abrindo os olhinhos, a medida que suas visões estavam prontas para enfrentar a luz, a capacidade de ver a luz era a confirmação de sua aptidão para o desenvolvimento. Não é diferente com o homem: nossa visão espiritual se abre paulatinamente para a existência da luz. Apenas a visão irradiante do fogo material nos permite conceber e reconhecer a presença arrebatadora da luz devoradora do fogo espiritual.

É essa a ideia que celebramos quando acendemos as fogueiras. A ideia da existência da luz, e, por esse lado, os santos juninos representam com excelência o poder do fogo: Antonio representa o fogo que queima através das palavras, Pedro representa o fogo que queima através das ações, e João representa o fogo que queima através das idéias. Cada um deles manifesta o reinicio da compreensão do fogo e, liturgicamente falando, suas celebrações nos fazem lembrar do nascimento do fogo espiritual sobre a Terra: temos dois ciclos ígneos durante o ano: o 1° Ciclo se inicia na celebração do Natal, quando o fogo do amor se manifesta na pessoa do Cristo Jesus que vem á terra, e o 2° Ciclo se inicia na celebração do Pentencostes (em junho) quando o fogo do espirito se manifesta na própria manifestação sobre Maria e os Apóstolos reunidos no cenáculo de Jerusalém no qual receberam o poder do alto, se representando em línguas de fogo. Posteriormente esse fogo se difundiu pela terra e conquistou o coração de vários outros. A descida desse fogo nós celebramos no Pentecostes, a difusão desse fogo pela Terra nós celebramos na figura dos 3 santos juninos que também representam os 3 aspectos da vida humana sendo iluminada pelo fogo do alto.



Ao iniciarmos mais um mês de junho, rogamos ao Alto para que nunca deixe apagar em nós a chama viva do fogo divino que a todo mal elimina e a todo bem ilumina e vivifica. Agni Aum.    

 

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