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WANIA MONTEIRO

O que está por trás da compulsão por doces?

06/05/2019 16h03 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Às vezes comprometemos um dia ou uma semana inteira de alimentação saudável por conta da vontade incontrolável de comer um doce, principalmente na TPM.O problema é que nesses momentos, nunca fica no um. Come-se um, dois, três.... Quando consumimos muitos doces, o ganho de peso é sobretudo em gordura abdominal, já que eles estimulam a liberação de insulina, hormônio que metaboliza o carboidrato para que ele não se transforme em açúcar no nosso corpo, e a sua produção em excesso gera maior acúmulo de gordura. Funciona assim: você ingere açúcar ou carboidrato simples ( arroz  e pão brancos, macarrão, biscoito, doces e guloseimas)e sua a liberação de insulina aumenta, o que faz seu organismo entender que você precisa repor a energia que foi embora.

Logo, você “precisará” comer mais açúcar, voltará a estimular a insulina e assim sucessivamente, favorecendo a compulsão e fazendo com que seu corpo entenda que você precisa de açúcar e carboidrato o dia inteiro.

É bem comum que o quadro esteja ligado ao estresse e à ansiedade. Se algo afeta a pessoa ao longo dia, ela vê a compensação no doce e inicia-se o ciclo vicioso que expliquei aqui em cima. Outro fator relevante é o aumento do cortisol (o hormônio do estresse), que também aumenta insulina. Ele é produzido quando o corpo está sob tensão, principalmente quando a pessoa não dorme bem. Para vocês entenderem melhor o impacto, saibam que duas horas a menos de sono pode aumentar a fome em 24% no dia seguinte. Com o cortisol desregulado e com a produção de neurotransmissores calmantes, adivinhem onde o corpo busca energia? No açúcar, claro.

O problema está na sua rápida absorção, uma hora depois o efeito já passou e aí lá vamos nós em busca de mais. Ao dormir bem, produzimos serotonina e dopamina, substâncias calmantes que controlam a ansiedade e regulam humor e saciedade, mas é possível que a pessoa não tenha condições de produzi-las de maneira satisfatória pela falta de triptofano, magnésio, vitamina B, cromo, etc.

Por isso é essencial termos matéria-prima para produzi-las, que vem da alimentação.  Consumir os alimentos que o corpo não metaboliza bem também interfere na produção dos neurotransmissores e pode ser a chave para o tratamento da compulsão. Evite misturar tipos de carboidrato nas refeições; por exemplo purê de batata e arroz branco, macarrão e arroz.

Adicione fontes de fibras como sementes de abóbora, girassol ou chia para diminuir o impacto do carboidrato no organismo; você poderá colocar em cima do prato cada dia uma diferente. Procure consumir um tipo de proteína com o carboidrato para absorção ser mais lenta e você não entrar no ciclo vicioso que falamos aqui.

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