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ANNA MARIA RIBEIRO COSTA

Povos Indígenas e a Ditadura Militar

01/04/2019 11h14 | Atualizada em 01/04/2019 11h17

O dia 31 de março deste ano marca 55 anos do golpe que derrubou o presidente João Goulart. Com o apoio de uma parcela da sociedade civil, da Igreja Católica e de outras instituições, a ditadura militar foi instaurada no Brasil por mais de duas décadas, os “anos de chumbo”. Um período repleto de capítulos dramáticos que causaram impactos profundos à democracia brasileira, quando se pretendia combater o “espectro do comunismo”, termo empregado por Marx e Engels nas primeiras linhas do Manifesto Comunista de 1848.

O desenho do indígena da etnia Waimiri-Atroari (Roraima e Amazonas) representa um dos ataques sofridos por seu povo durante o período militar. Nos “anos de chumbo” uma verdadeira guerra de extermínio foi custeada pela ditadura militar que planejava implantar projetos de desenvolvimento sem levar em conta os territórios indígenas, considerando-os “espaços vazios”.

 

O “Relatório Figueiredo”, de 1968, que se encontrava desaparecido há 45 anos, possui milhares de páginas redigidas pelo procurador Jader de Figueiredo Correia que denunciam perseguições aos índios com metralhadoras e dinamites atiradas de aviões, inoculações intencionais de varíola e doações de açúcar misturado a estricnina. A fim de apurar denúncias de crimes cometidos contra os povos indígenas, o procurador esteve à frente do grupo de investigação que, por quase um ano, percorreu mais de 16.000 quilômetros por todo o país, quando se constataram diversos crimes contra a pessoa do índio.

A Comissão Nacional da Verdade confirmou um verdadeiro genocídio de índios ocorrido durante o período da ditadura militar, mais precisamente na década de 1970. Relatos apontam que cerca de 8.000 índios foram exterminados em frentes de construção de estradas e ocupações de terras, onde estavam edificadas suas aldeias, a exemplo dos povos Panará e Nambiquara, este último ainda em luta pela demarcação de parte de seu território. 

Para saber de como agentes do Estado trataram os povos originários deste país, vale a leitura do livro de Rubens Valente “Os fuzis e as flechas: história de sangue e resistência indígena na ditadura”, investigação jornalística que descreve centenas de mortes de indígenas durante a ditadura militar.

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