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POLIANA PELISSARI

Diabetes Mellitus

11/03/2019 08h50 | Atualizada em 18/03/2019 10h34

Diabetes Mellitus

Divulgação

O diabetes mellitus é um distúrbio no qual os níveis de açúcar no sangue (glicose) são anormalmente elevados, porque o organismo não produz insulina suficiente para atender às suas necessidades. Os médicos frequentemente utilizam o nome diabetes mellitus para distinguir esta doença do diabetes insipidus, que é uma doença relativamente rara que não afeta os níveis de glicose no sangue, mas, assim como no diabetes mellitus, também provoca aumento da micção. A glicose é o açúcar que é transportado pela corrente sanguínea e absorvido pelas células. O organismo também pode fabricar glicose a partir de gorduras e proteínas. O “açúcar” no sangue significa, na realidade, glicose no sangue.

A insulina, um hormônio secretado pelo pâncreas (um órgão que fica atrás do estômago que também produz enzimas digestivas), controla a quantidade de glicose no sangue. A glicose na corrente sanguínea estimula o pâncreas a produzir insulina que ajuda a movimentar a glicose do sangue para as células. Uma vez dentro das células, a glicose se converte em energia, que é imediatamente utilizada, ou é armazenada como gordura ou glicogênio até que seja necessária. As concentrações de glicose no sangue normalmente variam durante o dia. Elas aumentam depois de cada refeição e retornam aos níveis anteriores duas horas após à refeição aproximadamente. A variação dos níveis de glicose no sangue oscila geralmente entre 70 e 110 mg/dl de sangue em pessoas saudáveis. Se a pessoa consumir grande quantidade de carboidratos, os níveis podem aumentar mais. As pessoas com mais de 65 anos de idade têm níveis levemente mais elevados, sobretudo depois das refeições. Se o organismo não produzir insulina suficiente para transportar a glicose para as células ou se as células deixarem de responder normalmente à insulina (resistência à insulina), os elevados níveis de glicose no sangue resultantes e a quantidade inadequada de glicose nas células produzem juntas os sintomas e as complicações do diabetes.

Pré-diabetes é um quadro clínico onde os níveis de glicose no sangue são muito elevados para serem considerados normais, mas não altos o suficiente para serem rotulados como diabetes. Considera-se no pré-diabetes um nível de glicose no sangue em jejum entre 100 mg/dl e 125 mg/dl, o que representa um risco mais elevado de ter tanto diabetes como doença cardíaca no futuro. A diminuição do peso corporal em 5 a 10% por meio de dieta e exercício físico pode reduzir significativamente o risco futuro de se desenvolver diabetes.

No diabetes tipo 1 (dependente de insulina), o sistema imunológico ataca as células do pâncreas que produzem insulina e mais de 90% das mesmas são destruídas de forma permanente. O pâncreas, portanto, produz pouca ou nenhuma insulina. Apenas entre 5 e 10% de todas as pessoas com diabetes têm a doença tipo 1. A maioria das pessoas que tem diabetes tipo 1 desenvolve a doença antes dos 30 anos de idade, embora ela possa se desenvolver mais tarde na vida. Os cientistas acreditam que o fator ambiental (uma infecção viral ou um fator nutricional na infância ou na adolescência) faz com que o sistema imunológico destrua as células do pâncreas que produzem insulina. Uma predisposição genética faz com que algumas pessoas sejam mais suscetíveis a um fator ambiental.

No diabetes tipo 2 (não dependente de insulina), o pâncreas costuma continuar a produzir insulina, às vezes até mesmo em níveis mais elevados do que o normal, especialmente no início da doença. No entanto, o organismo desenvolve resistência aos efeitos da insulina e, como resultado, a insulina existente não é suficiente para atender às necessidades do organismo. Conforme o diabetes tipo 2 avança, ocorre uma diminuição da capacidade de produção de insulina pelo pâncreas.

O diabetes tipo 2 era raro em crianças e adolescentes, mas recentemente está se tornando mais comum. Porém, ele geralmente começa em pessoas com idade acima de 30 anos e se torna progressivamente mais comum com a idade. Aproximadamente 26% das pessoas com mais de 65 anos têm diabetes tipo 2. A obesidade é o principal fator de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2 e 80 a 90% das pessoas com este distúrbio estão acima do peso ou são obesas. Como a obesidade produz resistência à insulina, as pessoas obesas necessitam de grandes quantidades de insulina para manter os níveis normais de glicose no sangue.

Os sintomas de níveis elevados de glicose no sangue incluem o aumento da sede, da micção (urina) e da fome. Quando o nível de glicose no sangue fica entre 160 e 180 mg/dl, a glicose aparece na urina, o que faz com que os rins excretam água adicional para diluir a grande quantidade de glicose, o que gera uma grande volume de urina (poliúria). A micção excessiva cria sede anormal (polidipsia). O fato de se perder calorias em excesso na urina pode fazer com que as pessoas percam peso. Para compensar, a pessoa frequentemente sente fome exagerada. Outros sintomas do diabetes incluem visão embaçada, sonolência, náusea e diminuição da resistência durante exercício físico.

Nas pessoas com o diabetes tipo 1, os sintomas começam de forma brusca e drástica. Um quadro clínico sério chamado cetoacidose diabética (náuseas, vômitos, fadiga e – especialmente em crianças – dor abdominal. A respiração tende a se tornar profunda e rápida enquanto o organismo tenta corrigir a acidez do sangue, e o hálito tem odor frutado e parecido com acetona). Sem tratamento, a cetoacidose diabética pode evoluir para coma e morte, algumas vezes rapidamente.

Os diabéticos tipo 2 podem não apresentar sintomas durante anos ou décadas antes de ser diagnosticado. Os sintomas podem ser sutis. O aumento da micção e da sede no início é moderado, embora piorem gradualmente após várias semanas ou meses. A pessoa acaba se sentindo extremamente cansada, tendo mais probabilidade de desenvolver visão turva e podendo ficar desidratada. O fato de o diabético tipo 2 produzir alguma insulina costuma impedir o desenvolvimento de cetoacidose, Quando os níveis de glicose no sangue se tornam muito elevados, a pessoa pode apresentar desidratação grave, que pode dar origem a confusão mental, sonolência e convulsões, um quadro clínico denominado estado hiperglicêmico hiperosmolar. Atualmente, muitos diabéticos tipo 2 são diagnosticados por exames de glicose no sangue rotineiros antes que desenvolvam tais níveis de glicose no sangue extremamente elevados.

O diabetes lesiona os vasos sanguíneos, fazendo com que os mesmos se estreitem e, portanto, restrinjam o fluxo sanguíneo e quando isso acontece as pessoas podem apresentar muitas complicações. Muitos órgãos podem ser afetados, particularmente o cérebro, causando acidente vascular cerebral, os olhos (retinopatia diabética), causando cegueira, o coração, causando ataques cardíacos, os rins (nefropatia diabética), causando doença renal crônica, e os nervos (neuropatia diabética), causando diminuição da sensibilidade nos pés. Níveis elevados de glicose no sangue também causam distúrbios ao sistema imunológico do organismo; assim, pessoas com diabetes mellitus são particularmente suscetíveis a infecções bacterianas e fúngicas.

O diagnóstico de diabetes é estabelecido quando uma pessoa tem níveis de glicose no sangue anormalmente elevados. Os médicos realizam exames preventivos em pessoas com risco de apresentar diabetes, mas que não apresentam sintomas. Para medir os níveis de glicose no sangue, geralmente são coletadas amostras de sangue após a pessoa ter passado a noite em jejum. No entanto, é possível coletar amostras de sangue depois de a pessoa ter se alimentado. Alguma elevação nos níveis de glicose no sangue após comer é normal, mas até mesmo após a refeição os níveis não devem ser muito elevados. Os níveis de glicose no sangue depois do jejum nunca devem ser superiores a 125 mg/dl. Mesmo após a alimentação os níveis de glicose no sangue não devem ultrapassar 199 mg/dl.

É importante realizar exames preventivos em pessoas com risco de apresentar diabetes tipo 2, inclusive aquelas que possuem mais de 45 anos de idade, pré-diabetes, excesso de peso ou obesidade, estilo de vida sedentário, pressão arterial elevada e/ou um distúrbio lipídico como colesterol elevado, doença cardiovascular, histórico familiar de diabetes, diabetes durante a gravidez ou tiveram um bebê pesando mais de 4 quilos no nascimento e doença do ovário policístico.

Dieta, exercício e educação são os pilares do tratamento do diabetes e muitas vezes são as primeiras recomendações dadas a pessoas com diabetes leve. As pessoas que continuam a ter níveis elevados de glicose no sangue apesar de terem feito mudanças no estilo de vida ou com níveis de glicose no sangue muito elevados e as pessoas com diabetes tipo 1 também precisam de medicamentos. Pessoas com diabetes devem parar de fumar e consumir apenas quantidades moderadas de álcool.

Na dúvida, procure seu médico e nunca se automedique. Diabetes é uma doença séria e deve ser tratada como tal. Até a próxima semana.

 

DRA POLIANA PELISSARI

MÉDICA GENERALISTA PELA UNIFENAS BH

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