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DRª NATASHA SLHESSARENKO

A importância da presença do médico patologista em um laboratório

18/03/2019 11h08 | Atualizada em 18/03/2019 11h18

A importância da presença do médico patologista em um laboratório

Divulgação

Ter um médico patologista em um laboratório é um grande diferencial, pois o profissional poderá ajudar o colega a interpretar o exame solicitado, sugerir, em alguns casos, que novos exames complementares sejam realizados bem como  propor metodologias mais adequadas para cada caso e, consequentemente contribuir para o diagnóstico mais acurado do paciente.

Após a conclusão do curso de medicina, o médico que quiser se especializar em Patologia Clínica terá que fazer residência médica por um ano em clínica médica e mais dois anos, no mínimo, de residência em patologia clínica.

Muitos acham que um exame de laboratório é algo simples, mas na verdade não é assim. Desde o momento que o médico indica o exame para o paciente, é importante estar atento ao laboratório onde ele será realizado, pois todo o preparo para o exame deve ser orientado pelo laboratório.

A maneira como o paciente deve ser orientado para realizar o exame é importantíssima para que o resultado do exame seja consistente. Alguns exames exigem uma dieta especial e isto tem que ser informado, pelo laboratório, ao paciente. Além do mais, muitos exames que antigamente exigiam jejum, hoje podem não ser mais necessários, a exemplo da dosagem do colesterol e do triglicérides. Nestes casos, a coleta poderá ser feita até mesmo no período da tarde. Com isto, reduziu-se o tempo de espera nos laboratórios pela manhã e não se corre o risco de pacientes passarem mal por estarem em jejum prolongado.

Além dos cuidados com a informação correta do preparo, os materiais utilizados na coleta devem ser materiais adequados, pois a qualidade do resultado passa pelo material utilizado no processo da coleta. O uso de agulhas de calibre apropriado e siliconizadas reduzem a dor no momento da punção e evita hemólise, que é a lise das células sanguíneas, o que podem interferir nas análises, necessitando muitas vezes, reconvocar o paciente para nova coleta.

O uso de tubos pediátricos e microcoletores adaptados para a idade das crianças visam a coleta de volume mínimo de sangue, evitando espoliação desnecessária.

Desde o momento que o paciente, com o documento de identificação em mãos, faz o seu cadastro na clínica, começa ali todo o processo de rastreabilidade do material daquele paciente.

As etiquetas impressas com o nome do paciente e com o código de barras são coladas nos tubos e mostradas ao paciente no momento da coleta, mediante documento de identidade que deve ser apresentado novamente. A coleta só é realizada após a conferência de todas as informações. Tudo isto é para garantir a segurança do paciente e evitar a troca de materiais e diagnósticos incorretos.

Através do sistema de rastreabilidade, o laboratório consegue acompanhar o horário do início e término da coleta do exame, o horário que o exame entrou na área técnica, horário que o material foi para o equipamento até a liberação do resultado final. Até mesmo quando as amostras vão para outros estados ou para outros países, o laboratório sabe exatamente onde encontra-se o material do paciente em tempo real.

A rastreabilidade é a forma mais eficaz e segura de garantir o acompanhamento de todos os materiais coletados, bem como a sua estabilidade. A identificação com códigos de barras e a conferência pelo paciente no momento da coleta, reduz a praticamente zero a possibilidade de troca de amostra.

Importante ressaltar que dentro da área técnica é fundamental ter todo o sistema de gerenciamento da qualidade em funcionamento. Os controles internos da qualidade devem ser avaliados diariamente, mais de uma vez ao dia, para assegurar que todas as análises estão sendo processadas dentro de limites aceitáveis. Além disto, a avaliação mensal dos controles externos da qualidade, tornam as análises laboratoriais muito seguras. Com todo este gerenciamento da qualidade operante, o laboratório emite resultados precisos e exatos ao seu paciente e ao médico, permitindo diagnósticos corretos. Além disso, os exames devem ser liberados no tempo que o paciente necessita, ou seja, o laboratório precisa atender as necessidades do paciente.

Muitas vezes é necessário que o médico do laboratório ligue para o médico do paciente que solicitou o exame diante de casos em que o resultado deu muito alterado ou quando há risco iminente de morte, também chamado de “valores de pânico”. Outras vezes o médico liga para o paciente para entender melhor a clínica que justifica o resultado de um determinado exame. Algumas outras vezes, o médico entra em contato com o colega para reportar um resultado que pode causar um impacto grande, como uma sorologia positiva para alguma doença infecciosa ou uma bactéria significativa no sangue ou outro material nobre. Esses também são papéis que cabem ao médico patologista clínica

Após  liberação do resultado é muito importante que conste no laudo os intervalos de referência adequados para a idade do paciente, permitindo a correta interpretação. Muitos laboratórios, por exemplo, não utilizam intervalos de referência para crianças em seus laudos pediátricos, o que pode causar confusão no médico assistente, a depender do exame. O mesmo acontece com os idosos. Não havendo esta referência para a idade, o laboratório acaba liberando as referências de adultos o que, obviamente, em se tratando de faixas etárias pediátricas ou geriátricas, causam problemas na interpretação do exame e, consequentemente no diagnóstico.

 

Drª Natasha Slhessarenko é médica Pediatra e Patologista Clínica formada pela 10a turma da UFMT, fez dois anos de residência em pediatria e três em patologia clínica no Hospital das Clínicas da USP. Foi preceptora dos residentes da Patologia Clínica no HCFMUSP. Mestre e Doutora em Medicina pela USP.

CRM/MT 2909 - RQE/879

Professora assistente III de Pediatria da UFMT.

Diretora Médica do laboratório Cedilab.

Diretora Médica do laboratório Alta – São Paulo.

Diretora Técnica da Vida Diagnóstico e Saúde.

Presidente Regional da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC).
Coordenadora de eventos da Sociedade Matogrossense de Pediatria (SOMAPE).

Consultora Voluntária de Patologia Clínica no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

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