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ANA MARIA RIBEIRO

Terra Brasilis: Janeiro Vermelho, Demarcação já!

04/02/2019 13h05 | Atualizada em 08/02/2019 11h13

“Historicamente já vivemos esse conflito dos índios com o agronegócio, pois a maioria das políticas é voltada aos empresários do Agro. Então vemos que as coisas podem ficar ainda mais difíceis”. A declaração é do indígena Lúcio Waane, da etnia Xavante, dada no dia 31 de janeiro, na Praça Ulisses Guimarães, durante o ato pacífico organizado pela Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso – FEPOIMT e Associação dos Povos Indígenas do Brasil –  APIB, ocorrido simultaneamente em diversos estados brasileiros e no exterior.



“Janeiro Vermelho – Demarcação já!” busca tocar o coração das pessoas para os problemas que têm marcado tantas e tantas histórias violentas às vidas dos povos indígenas do país. Fazer valer os direitos garantidos na Seção VIII da Carta Magna consistiu na principal reivindicação dos indígenas. Foram clamados ao microfone por indígenas e não indígenas o reconhecimento dos povos indígenas como habitantes originários, o resguardo de seus direitos, o combate aos atos de violência e a demarcação dos territórios de ocupação tradicional, o respeito aos seus conhecimentos que vêm de geração a geração.

Mulheres e homens indígenas das etnias Bakairi, Boe Bororo, Chiquitano, Enawene-Nawê, Pataxó, Umutina e Xavante demonstraram suas preocupações diante à decisão do governo federal em transferir a FUNAI para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e atribuir a demarcação de terras ao Ministério da Agricultura, determinações contidas na Medida Provisória 870 que inaugurou o ano de 2019. “Funai inteira, e não pela metade”.

Soilo Urupe Shue, da etnia Chiquitano, anunciou o fim do ato pacífico do dia 31 de janeiro que integrou a última atividade do “#JaneiroVermelho – Sangue Indígena, Nenhuma Gota a Mais” convocando todos os participantes do evento na Praça Ulisses Guimarães a clamarem em voz alta e com o punho erguido: – “Demarcação Já”.



Na composição da praça-palco do evento, faixas e cartazes eram seguras pelas mãos dos indígenas. Dentre elas, destacou-se uma que se movia entre os presentes: a de uma criança que segurava um cartaz com a seguinte inscrição: “Basta de genocídio indígena – Demarcação Já!” 

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