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Iracema Borges

O silêncio dos bons

09/08/2018 10h17 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

No Brasil temos um grande desafio que é se posicionar.

Um dia uma conhecida me disse: “fui convidada para ser assistente em um curso de final de semana, ele teve pouco efeito em mim, mas acho que vou lá ajudar”. Eu perguntei a ela: você já parou pra pensar que estará validando este curso com a sua presença? Ela me respondeu que não havia pensado nisso, não foi.

Percebo que o marketing tem um papel fundamental aqui no nosso país, uma boa propaganda ainda leva muito dinheiro de muita gente. O cara foi antiético, desonesto, entregou um resultado mediano, mas tem um Instagram que bomba, então não emito a minha opinião, fico quieta, e ele continua enfraquecendo as pessoas com soluções rasas e tirando o dinheiro delas.

Fui em um curso nos Estados Unidos, quatro dias de imersão, pulei, dancei, chorei, escrevi metas irreais, voltei e algumas semanas depois já não sabia nem dizer o que havia ouvido lá. Mas o cara tem um dos melhores marketings do planeta e muitos o copiam e nos iludem. Tudo tem um lado bom? Sim, mas a questão é a falta de posicionamento da maioria de nós.

Quando me perguntam, já digo logo de cara: quer se divertir? Vá, quer se transformar? Não vá. E semelhante a isso, tem várias escolas de coaching que entregam soluções rasas, mexem com o emocional e jogam a pessoa no mercado completamente insegura pra atender. Mas quem tem coragem de dizer que não valeu a pena? Poucas pessoas.

Mas o cara tem milhares de seguidores no Instagram, deve ser bom. Não é, ele é bom de marketing. E vindo pra política, estamos sendo manipulados por notícias fabricadas, esquecendo a quantidade de dinheiro desviado e milhões de vidas iludidas. Perguntei a uma pessoa se ela não iria se posicionar diante da vinda de um facilitador notoriamente fraco pro nosso estado novamente, ela me respondeu: “eu não vou falar nada, não quero me passar por antipática”. E qual o preço disso? Pessoas com o emocional balançado, alimentando um ego exacerbado, cada vez mais distantes de si mesmas.

Até quando aceitaremos menos do que merecemos? Merecemos qualidade, profundidade e conhecimentos sérios, olhe de onde vêm as pessoas, se elas estudam, se buscam qualificação ou se te usam como ferramenta de autopromoção. Cuide de quem você apoia com o seu silêncio, isso se reflete em tudo, política, economia e principalmente na qualidade dos seus resultados. 

Fique bem, tenha coragem e fale, nós merecemos gente séria.

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