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Cristian Siqueira

Benedito - o mouro

28/06/2018 07h29 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00


Esta semana nossa cidade celebra a memória do conhecido santo negro Benedito. A festa, que é centenária, sempre foi celebrada na cidade com grande alegria, reunindo no entorno da Igreja do Rosário grande quantidade de fiéis e/ou curiosos. A tradição de celebrar São Benedito é tão antiga na cidade que às vezes a própria identidade do santo negro é confundida com a dos cuiabanos, tanto que alguns afirmam, de forma carinhosa, ser ele o maior festeiro da cidade.

Para fins de hagiografia, São Benedito nasceu no sul da Itália em 1524, no seio de uma família pobre e descendente direta de escravos africanos. Aos 18 anos de idade já havia decidido que iria abraçar a vida religiosa e alguns anos depois foi convidado a entrar na congregação franciscana, o que o fez e viveu até seus últimos dias. De frade estranho e aparentemente sem cultura, Benedito se tornou uma sumidade local à medida que os moradores descobriam suas capacidades espirituais como a ressureição de mortos, a revelação de segredos ocultos do presente e do passado, a multiplicação de pães que realizava com frequência na cozinha do convento quando por ela era responsável, as curas e milagres dos males espirituais e físicos, as visões espirituais e as levitações frequentes.  A tradição italiana conta que o frade era sempre preocupado com os pobres da cidade e com frequência retirava alguns mantimentos do convento, escondia-os dentro de seu hábito de frade e os levava para os famintos que enchiam as ruelas de Palermo até que em uma dessas saídas o novo superior do convento o surpreendeu e perguntou-lhe: "O que escondes aí, embaixo de teu manto, irmão Benedito?" E ele, humildemente, respondeu-lhe: "Rosas, meu senhor!", e, abrindo o manto, de fato apareceram rosas de grande beleza e não os alimentos de que suspeitava o Superior. Essa passagem de sua história é frequentemente lembrada por seus devotos quando cantam “meu São Benedito, vosso manto cheira, cheira a cravo e rosa, cheira a flor de laranjeira...”.

Benedito morreu em 4 de abril de 1589 em Palermo, estava com 65 anos de idade e a partir dali sua devoção se espalhou por todo o mundo cristão, fazendo com que ele se tornasse um dos santos mais populares da história, chegando até mesmo aos mais longínquos pontos da terra. Em Cuiabá a devoção ao santo é antiga; poucos sabem, mas na Igreja do Rosário é venerada uma preciosa relíquia do santo: um pedaço de pele retirada de seu corpo que se encontra incorrupto na Itália. A preciosa relíquia se encontra guardada em uma teca conservada dentro de uma rosa de prata.

Viva São Benedito!!!

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